POLÍTICA
21/08/2018 13:10 -03 | Atualizado 21/08/2018 13:19 -03

Temer envia carta a Caetano para rebater críticas e chama Ciro Gomes de 'pigmeu político'

Depois da carta do vice decorativo, vem aí a nova versão de 'verba volant, scripta manent'.

Reprodução/Instgram/@micheltemer/@caetanoveloso

O presidente Michel Temer recorreu novamente às cartas para rebater críticas. Desta vez, o destinatário foi o cantor Caetano Veloso. Em julho, Caê fez um post no Instagram, no qual critica o emedebista e elogia o candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes. Na carta, obtida pela jornalista Andréia Sadi, Temer chama Ciro de "pigmeu político".

Segundo apuração da jornalista, Temer pede para registrar um "contraponto" à fala de Caetano.

"Michel Temer nunca fugiu de embates, seja como secretário de Segurança Pública, onde dialogou com grevistas, estudantes e policiais em greves ou manifestações – sempre de peito aberto e ouvido atento às reivindicações. Ou debateu publicamente com outros políticos muito temidos, admirados ou respeitados em Brasília. Basta procurar em jornais do passado. No presente, os atores são menores: há ações nos tribunais contra Ciro Gomes, a quem o presidente classificou de pigmeu político", diz trecho da carta enviada pela assessoria do presidente ao cantor.

Em julho, Caetano disse que Temer é "dissimulado", "busca conchavos" e "pensa em si", em contraponto a Ciro, que é "explosivo", "busca união" e "pensa no País". O post rechaça ainda um possível governo de Geraldo Alckmin, candidato do PSDB e apoiado pela base de Temer. Também traz críticas a Jair Bolsonaro, candidato do PSL.

"O blocão identifica-se com o centrão e rejeita mudança no mundo político. O que queremos? Um Brasil comandado por Alckmin amparado no centrão temerista? Ou curtir a cafajestada de Bolsonaro sob economia igualmente temerista?", alfineta Caetano.

Cartas de Temer

Também foi por meio de uma carta que o presidente Michel Temer cunhou o termo "vice decorativo". Em resposta ao tratamento que vinha recebendo da ex-presidente Dilma Rousseff, Temer enviou uma correspondência, em 11 pontos, na qual reclamou da falta de protagonismo no governo.

A carta iniciada em latim, com "verba volant, scripta manent" (as palavras voam, os escritos ficam), destaca que o emedebista sempre teve "ciência da absoluta desconfiança da senhora [presidente] e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB".

"Passei os quatro primeiros anos de governo como vice decorativo. A senhora sabe disso. Perdi todo protagonismo político que tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo. Só era chamado para resolver as votações do PMDB e as crises políticas", emendou.

Em 2017, às vésperas da votação da segunda denúncia contra o presidente, ele enviou uma carta aos deputados. No documento, se disse indignado e afirmou que estava sendo vítima de conspiração.

"Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da Presidência da República. Mas os fatos me convenceram. E são incontestáveis", pontuou. O emedebista foi acusado de obstrução de Justiça e participação em organização criminosa. A ação foi arquivada pelos parlamentares.

No mês passado, também foi por meio de uma carta que Temer declarou apoio à candidatura de Henrique Meirelles (MDB) à Presidência. Na mensagem, Temer destaca que o ex-ministro é uma figura "inatacável".