ENTRETENIMENTO
21/08/2018 10:15 -03 | Atualizado 21/08/2018 10:20 -03

Política dá o tom em filmes do Festival de Veneza

75ª edição da mostra internacional de cinema acontecerá entre os dias 29 de agosto e 8 de setembro.

Vitrine de grandes produções da Europa, Festival de Veneza é o mais antigo festival do gênero no mundo.
Divulgação
Vitrine de grandes produções da Europa, Festival de Veneza é o mais antigo festival do gênero no mundo.

A política estará presente em pelo menos quatro dos 21 filmes que concorrem na 75ª edição da Mostra Internacional de Cinema de Veneza, que acontece entre os dias 29 de agosto e 8 de setembro.

A política vem ligada à história mais antiga, como no caso das produções Peterloo e Opera Senza Autore, além de filmes como 22 July e Che Fare Quando Il Mondo è In Fiamme?. Já fora do circuito de competição, a política ganha voz ainda mais forte em dois documentários, Isis, Tomorrow e American Dharma.

Peterloo, escrito e dirigido por Mike Leigh, faz um retrato dos fatos que aconteceram na Inglaterra em 1819, quando uma reunião pacífica pró-democracia em Manchester se transformou em um dos episódios mais sangrentos da história britânica.

Cerca de 60 mil pessoas reunidas pedindo reformas políticas e protestando contra os crescentes níveis de pobreza foram atacadas pelas forças do governo. Muitos manifestantes foram assassinados e centenas foram feridos, o que deu vida a novos protestos e repressões.

Entre política, arte e introspecção, chega em Veneza também Opera Senza Autore, do alemão Florian Henckel Von Donnersmarck, vencedor do Oscar em 2007 com A Vida dos Outros, premiado como Melhor Filme Estrangeiro.

Inspirado em fatos reais, o longa conta três épocas da história alemã, atravessando a vida do artista Kurt Barnert, seu amor por Elisabeth e a relação problemática com seu sogro, o professor Seeband, que desaprova a escolha da filha e busca colocar um fim na relação dos jovens.

22 July, do diretor britânico Paul Greengrass, reconstrói o terrível massacre de Utoya, na Noruega, de 22 de julho de 2011, quando 77 pessoas, na maioria adolescentes, foram assassinados pelo neofascista Anders Breivik. O massacre e o processo que se seguiu foram contados graças ao testemunho de um sobrevivente.

Che Fare Quando il Mondo è in Fiamme?, do italiano Roberto Minervini, se apresenta como uma reflexão sobre o racismo nos Estados Unidos, através do retrato íntimo de uma comunidade no verão de 2017, após uma série de assassinatos de jovens afro-americanos por parte da polícia.

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Fora de concurso

American Dharma, de Errol Morris, também nos guia à atualidade. O documentário mostra uma conversa real entre dois ex-colegas de faculdade que pensam de forma completamente diferente. De uma parte, o diretor democrata, e de outra, o ultraconservador Steve Bannon, que idealizou a direita radical e é ex-estrategista do presidente Donald Trump.

Por fim, Isis, Tomorrow, de Francesca Mannocchi e Alessio Romenzi, busca responder a uma simples pergunta: o que significa ser um filho do Estado Islâmico? O longa apresenta as vozes de filhos de membros da milícia, que foram treinados para o combate e para se tornar kamikazes na complexidade do pós-guerra no Iraque.

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