POLÍTICA
18/08/2018 03:23 -03 | Atualizado 18/08/2018 03:23 -03

Ciro X Alckmin, Marina X Bolsonaro e metralhadora de Boulos marcam debate na RedeTV!

Ringue de verdade só houve no clímax entre candidata da Rede e candidato do PSL.

Paulo Whitaker / Reuters
Cabo Daciolo, Jair Bolsonaro, Guilherme Boulos, Ciro Gomes, Alvaro Dias, Henrique Meirelles, Geraldo Alckmin e Marina Silva participaram do 2º debate na TV.

A RedeTV! preparou uma espécie de ringue para o enfrentamento entre os 8 candidatos à Presidência. Um embate que só ocorreu no momento em que Marina Silva(Rede) e Jair Bolsonaro (PSL) se confrontaram. Marina defendeu veementemente a igualdade salarial entre homens e mulheres, o que, para Bolsonaro, nem é um problema. Os dois também divergiram sobre porte de arma da população:

Além do embate com Marina, Bolsonaro roubou a cena quando patinou em uma questão técnica sobre economia. A estratégia dele neste debate foi diferente do anterior, em que passou a responsabilidade do setor para o economista Paulo Guedes, o seu "posto Ipiranga". A tática desta vez, entretanto, incluiu uma colinha na mão.

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Alvaro Dias e Henrique Meirelles não se enfrentaram no debate da RedeTV!.

O candidato do PSL também tentou tomar para si o discurso de antipetista. Ele afirmou que foi sua a iniciativa para que o púlpito dedicado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ficaria vazio, fosse retirado. A emissora, entretanto, afirma que todos os candidatos foram consultados sobre o espaço reservado ao petista, preso desde abril.

Esse papel, de anti-PT, esteve no discurso na maioria dos principais candidatos. Já no início, Alvaro Dias (Podemos) perguntou à Marina sobre a candidatura de Lula, apesar de preso. Ambos criticaram a situação do ex-presidente. Geraldo Alckmin (PSDB) não perdeu a chance de disparar a Guilherme Boulos (PSol) que parte dos 50 tons de Temer é formada por 40 tons e vermelho do PT.

Paulo Whitaker / Reuters
Boulos dispara sua metralhadora verbal enquanto Daciolo discursa com a Bíblia.

A gestão de Temer também foi alvo de ataques. Tanto Henrique Meirelles (MDB), correligionário de Temer, quanto Alckmin, tiveram que se justificar. Boulos foi o maior porta-voz das críticas. Abriu sua fala no debate dizendo que quer "ser presidente para acabar com a esculhambação que virou esse sistema político e o toma-lá-dá-cá". E finalizou com: "E o nosso primeiro ato, em 1º janeiro de 2019, é para revogar os atos criminosos do governo Temer contra o povo".

Paulo Whitaker / Reuters
Ciro e Alckmin divergem sobre teto de gastos e questões macroeconômicas.

Ciro Gomes (PDT) escolheu um adversário e mirou nele em todo o debate. Fez duas perguntas a Alckmin. Segundo ele, a proposta era mostrar que os dois pensam diferente sobre as medidas adotadas por Temer.

"Quero deixar claro quem governa para os ricos e quem governa para as maiorias populares", disse. A principal bandeira de Ciro neste debate foi a revogação do teto de gastos. Alckmin, entretanto, se esquivou de dizer se revogaria ou não a proposta, mas ressaltou que o teto para despesas públicas no País era necessário.

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Bolsonaro fez Daciolo de escadinha em questionamento sobre família.

Dobradinha

O debate foi tomado por dobradinhas, Ciro Gomes chegou a elogiar e citar Marina como inspiração, quando foi respondê-la sobre o conflito entre latifundiários e indígenas. Já Bolsonaro e o Cabo Daciolo, candidato do Patriota, também foram protagonistas de uma cena de companheirismo. O candidato do PSL defendeu a "família tradicional" ao questionar Daciolo, que enfatizou que "criou Deus o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, férteis para que se multipliquem".

A veia religiosa, inclusive, deu o tom do discurso de Daciolo. Questionado sobre como resolver o problema do desemprego, ele afirmou que "na 1ª semana de governo nós vamos adorar ao Senhor, na 2ª semana os trabalhadores terão que comparecer à junta militar mais próxima da sua casa".