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18/08/2018 16:09 -03 | Atualizado 18/08/2018 16:09 -03

Manual do rebaixamento: Por que o Santos caminha a passos largos para a Segunda Divisão

Time da Vila Belmiro comete erros que Palmeiras, Corinthians e outros gigantes fizeram no passado.

Divulgação/Instagram/Santos
Cuca foi apresentado por José Carlos Peres como esperança, mas ainda não encontrou time ideal.

Os torcedores do Santos Futebol Clube se orgulham tanto das conquistas do bicampeonato mundial e dos três troféus da Libertadores da América – boa parte vencida nos tempos áureos de Pelé e companhia – , quanto do fato de nunca terem visto o time rebaixado à Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro.

Integrante de um seleto grupo que conta somente com São Paulo, Flamengo, Cruzeiro e Chapecoense (única que veio de divisões inferiores, mas, na prática, também jamais foi rebaixada), o Santos de 2018 parece estar seguindo a mesma "cartilha" que Corinthians, Palmeiras, Vasco, Botafogo, Grêmio, Atlético-MG e Internacional usaram nos anos em que acabaram caindo para a Série B Nacional.

Caso seja derrotado pelo Sport neste sábado (18), na Vila Belmiro, o Santos dificilmente escapará de virar o primeiro turno da competição no temido Z-4 – grupo dos 4 piores do Brasileirão que, ao término do torneio, é rebaixado para a Segunda Divisão.

A equipe alvinegra soma 18 pontos em 18 jogos (um antecipado do segundo turno) e abre a zona de rebaixamento, na 17ª posição, à frente apenas de Ceará, Atlético-PR e Paraná.

Z-4 é mau sinal

Estar no grupo dos piores ao fim do primeiro turno do Brasileirão é um dos itens que os clubes que já foram rebaixados "ticaram" no caminho até o vexame, hoje ainda inédito na centenária história santista.

Veja, a seguir, este e outros ítens da cartilha que tem deixado o torcedor que se acostumou com Pelé, Pita, Giovanni, Robinho, Diego, Neymar e, mais recentemente, Rodrygo, bastante preocupado.

Planejamento ruim

Errar no planejamento e na contratação de reforços é o item 1 da cartilha dos rebaixados. E o Santos tirou nota 10 nesse quesito.

Divulgação/Santos FC
Bryan Ruiz foi contratado a pedido de Jair Ventura, mas não jogou com o antigo treinador.

Querem um exemplo? O time contratou seus últimos reforços – Bryan Ruiz, Carlos Sanchez e Derlis González – a pedido do técnico Jair Ventura. E DEMITIU o treinador antes mesmo que o trio tivesse condições legais de entrar em campo.

Cuca, contratado para o lugar de Jair Ventura, tem histórico polêmico com estrangeiros em outros clubes e já declarou que não foi ele quem pediu os reforços que chegaram recentemente ao Santos.

Crise política

Quem disser que o ambiente conturbado na política do clube não atrapalha os jogadores dentro de campo estará mentindo. E o Santos está fervendo nesse quesito, com ameaças de impeachment do presidente José Carlos Peres pipocando a cada instante, membros pedindo demissão do Comitê Gestor e vice-presidentes se desentendendo.

Apelar para ídolos do passado

Esse item não se concretizou, mas o Santos bem que tentou. O clube chegou a ventilar a possibilidade de pagar um salário astronômico para trazer de volta Paulo Henrique Ganso, que está encostado no Sevilla, da Espanha, com vencimentos mensais na casa de R$ 1 milhão.

AI Project / Reuters
Ganso forçou saída do Santos para jogar no rival São Paulo.

Para quem não sabe, Ganso deixou a Vila Belmiro pela porta dos fundos, forçando uma transferência para atuar no São Paulo. A atitude enfureceu os torcedores, que chegaram a pichar a imagem do jogador que estava pintada nos muros do Centro de Treinamentos do time.

Falta de apoio no estádio

A torcida do Santos não é muito de ir ao estádio nem nas horas boas. Agora que a maré está ruim, então... A Vila Belmiro costuma receber públicos muito pequenos nos jogos do Peixe, que consegue melhorar um pouco esse aspecto quando atua no Pacaembu.

Falta de sorte

A falta de sorte – e as reclamações contra a arbitragem – também parecem estar acompanhando o Santos nessa temerosa caminhada no Brasileirão.

No jogo diante do Atlético-MG (derrota por 3 a 1), por exemplo, além de levar dois gols de Ricardo Oliveira, atacante que foi dispensado pelo clube no início do ano, o Santos ainda viu a arbitragem não marcar uma penalidade em Gabriel Barbosa quando o jogo estava empatado por 1 a 1.

Na derrota para outro time mineiro, o América, a equipe chutou mais de 20 vezes contra o gol rival, mas deixou o campo derrotada por 1 a 0.

Os sinais estão aí para quem quiser ver. Cabe aos jogadores do Santos, e ao técnico Cuca, mudarem o cenário para manter o time no grupo dos clubes que podem bater no peito com orgulho e dizerem que jamais foram rebaixados. Será que dá, torcedor santista? Conte pra gente aí nos comentários.