POLÍTICA
16/08/2018 17:04 -03 | Atualizado 16/08/2018 20:07 -03

Mulheres são 13% e milionários 35% entre candidatos a governador

Dos 180 candidatos a governador, 35% declararam patrimônio superior a R$ 1 milhão. Já a representação feminina ficou em 12,7%.

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Dos 180 nomes registrados na Justiça Eleitoral para o cargo até esta quinta-feira (16), 63 são milionários, o equivalente a 35%.

Homens, brancos, ricos, com ensino superior completo. Esse é o perfil da maioria dos candidatos a governador nas eleições de 2018, de acordo com levantamento feito pelo HuffPost Brasil a partir de dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Dos 180 nomes registrados na Justiça Eleitoral para o cargo até esta quinta-feira (16), 63 são milionários, o equivalente a 35%.

Já a representação feminina equivale a 12,7%. São 27 mulheres, sendo que 4 delas declararam patrimônio superior a R$ 1 milhão. A Lei das Eleições estabelece que pelo menos 30% dos postulantes de cada partido para todos os cargos têm de ser de cada gênero. Apesar de o limite para registrar as candidaturas ser até 15 de agosto, informações de alguns nomes escolhidos nas convenções ainda não estavam disponíveis no sistema do TSE.

De acordo com a legislação, o teto de gastos para campanha de governador varia de acordo com o eleitorado da unidade da Federação. O mais baixo é de R$ 2,8 milhões, no Acre, Amapá e Roraima. Já os candidatos ao governo de São Paulo tem limite mais alto, podem gastar até R$ 21 milhões cada.

Quem concorre a qualquer cargo eletivo pode financiar 100% da própria campanha, conforme resolução do TSE publicada em fevereiro. Duas ações em tramitação no STF (Supremo Tribunal Federal) pedem para limitar o autofinanciamento a 10% dos rendimentos brutos auferidos pelo candidato no ano anterior à eleição, mas a expectativa é que não sejam julgadas antes das eleições deste ano.

Nesse cenário e com a proibição das doações empresariais, a capacidade de pagar pela própria campanha passou a ser um fator decisivo para os partidos. Na corrida presidencial, por exemplo, esse foi um fator determinante para o MDB aprovar a candidatura de Henrique Meirelles. Ele delcarou patrimônio de R$ 377 milhões.

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Com R$ 377 milhões, Henrique Meirelles é o segundo candidato à Presidência da República mais rico. O candidato que declarou maior patrimônio foi João Amoêdo, do Novo, com 425 milhões.

Os 3 candidatos mais ricos

Nas disputadas pelos governos estaduais, o candidato mais rico é João Doria (PSDB), com R$ 189.859.904,76. Em seguida, João Batista Mares Guia (Rede), que concorre ao governo de Minas Gerais. Ele declarou ter R$ 145.170.594,57. No Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), tem R$ 113.453.806,96.

Prefeito de São Paulo até abril, quando renunciou para tentar o Palácio dos Bandeirantes, Doria foi presidente da Embratur e secretário de turismo da capital paulista no governo de Mario Covas. O empresário é fundador e presidente licenciado do Grupo Doria, que incluiu o Lide — Grupo de Líderes Empresariais — e foi apresentador do reality show "O Aprendiz", na TV Record.

Sociólogo e consultor em educação, João Batista foi um dos fundadores do PT, em 1980. Se desfiliou do partido 5 anos depois e em 1988 participou da formação do PSDB. Foi secretário-adjunto e secretário da educação de Minas Gerais no governo de Eduardo Azeredo (PSDB) e deixou a legenda em 2000. Nos anos 1960, foi militante contra a ditadura, chegou a ser preso e ir para exílio no Chile. Também participou da campanha pelas Diretas Já. Ele volta à política em 2018 pelo partido de Marina Silva, candidata ao Palácio do Planalto.

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Sociólogo, João Batista foi um dos fundadores do PT, em 1980. Depois foi atuou no governo do PSDB em Minas Gerais e agora é candidato a governador pela Rede.

Mauro Mendes, por sua vez, foi o prefeito de Cuiabá de 2013 e 2016 e tentou o governo do estado em 2010. Neste ano, trocou o PSB pelo DEM. O empresário também foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt) e do Sistema Sesi/Senai.

O perfil dos três está longe do brasileiro comum, que possui uma renda média de R$ 1.113, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE divulgados em 2015. Em 2014, o Brasil tinha 161,2 mil milionários, o equivalente a 0,08% da população naquele ano, de acordo com relatório da consultoria Capgemini e da RBC Wealth Management.

Também estão na lista de milionários deputados federais e senadores, como o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTC), candidato ao governo de Alagoas, que declarou R$ 20.683.101,57 No Distrito Federal, o deputado Alberto Fraga (DEM-DF), presidente da bancada da bala, declarou R$ 4.831.975,79. Já o senador Ronaldo Caiado, que tenta o governo de Goiás pelo DEM, tem R$ 3.779.805,58. Em Minas, o senador Antonio Anastasia (PSDB), declarou R$ 1.315.319,25. Já Romário (Podemos), no Rio de Janeiro, declarou R$ 5.583.493,30.

Mulheres candidatas a governadora

Segundo a Pnad de 2013, 51,4% da população brasileira é mulher, acima dos 12,7% de candidaturas femininas ao Executivo estadual. Quando considerados todos os cargos eletivos, as candidatas são 30,6%, sendo o TSE. Das 23 mulheres que disputam o cargo de governadora, 4 são milionárias. No Distrito Federal, Eliana Pedrosa (PROS) declarou R$ 4.288.460,49 e Fátima Sousa (PSol), R$ 3.284.559,51.

Com patrimônio declarado de R$ 1.198.000,00, Célia Sacramento disputa o governo da Bahia pela Rede. Ela foi vice de Eduardo Jorge (PV) na disputa presidencial de 2014. Na convenção que confirmou Marina como presidenciável, Sacramento já fez um aceno às mulheres, maior parte dos eleitores indecisos."Nós mulheres, especialmente mulheres negras, somos excluídas da maioria dos direitos no Brasil", afirmou.

No Maranhão, Roseana Sarney (MDB) declarou R$ 11.427.380,30. Filha do ex-presidente da república José Sarney, ela comandou o estado de 1995 a 2003 e de 2009 a 2014. Em novembro de 2017, o Tribunal de Justiça do Maranhão trancou ação penal em que a emedebista era acusada de envolvimento em esquema que teria provocado rombo superior a R$ 410 milhões nos cofres públicos. Uma ano antes, o STF arquivou inquérito em que ela era investigada no âmbito da Operação Lava Jato.

Geraldo Magela\Agência Senado
Em 2014, 10% das cadeiras na Câmara dos Deputados foram para deputadas. No Senado, o percentual de mulheres foi de 18%.

O Brasil está na 161ª posição de um ranking de 186 países sobre a representatividade feminina no poder Executivo. A classificação é do Projeto Mulheres Inspiradoras, com dados do TSE, da Organização das Nações Unidas e do Banco Mundial.

Em 2014, 10% das cadeiras na Câmara dos Deputados foram para deputadas. No Senado, o percentual foi de 18%. As deputadas estaduais, por sua vez, somaram 11%. No Executivo, havia apenas uma mulher eleita entre os governadores. Já nas eleições municipais de 2016, as cadeiras femininas representaram 13,5% das vereadoras e 12% das prefeitas.

mulheres negras ou pardas são apenas 28,3% das prefeitas eleitas em 2016. Em relação ao total de prefeitos (homens e mulheres), o percentual cai para 3,29%, segundo o "Mapa Étnico Racial das Mulheres na Política Local Brasileira", elaborado pela CNM (Confederação Nacional de Municípios).

Maioria dos candidatos são brancos

Quanto à etnia, 111 se declararam brancos (61,7%), 43 pardos (23,9%) e 20 negros (11,1%). Outros 4 se disseram indígenas e 2 amarelos. O padrão também difere da maioria dos brasileiros. De acordo com a Pnad de 2013, 46,1% dos brasileiros se declararam brancos, 45% pardos, 8,1% negros e 0,8% indígenas ou orientais.

Do total de candidatos, 51.88% se declararam brancos, 36% pardos e 10,95% pretos. Outros 0,67% se consideraram amarelos e 0,5% indígenas, segundo o TSE.

A escolarização também destoa. Enquanto 16% dos brasileiros têm ensino superior completo, de acordo com dados de 2014 da PNAD, 89,4% dos candidatos a governador possui essa escolaridade. São 161. Entre os políticos, outros 7 (3,8%) têm ensino superior incompleto, 8 (4,4%) ensino médio completo e 2 (1,1%) ensino fundamental completo.

Já na disputa para todos os cargos eletivos, 49,55% têm ensino superior completo e 9,05% incompleto. Outros 28,87% concluíram o ensino médio e 5,66% o ensino fundamental. No Brasil, 5,3% têm ensino superior incompleto, 31,1% concluíram o ensino médio e 10,8% encerraram a etapa anterior.