POLÍTICA
14/08/2018 12:35 -03 | Atualizado 14/08/2018 15:54 -03

PT mobiliza marcha em apoio a Lula na véspera de registrar candidatura

“Há um golpe de direita em andamento no Brasil, mas a justiça prevalecerá”, afirmou Lula em artigo publicado no New York Times.

AFP/Getty Images
“Se eles querem me derrotar de verdade, façam nas eleições. Deixe o povo brasileiro decidir

Na véspera do registro da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República, manifestantes marcham em Brasília (DF) nesta terça-feira (14) pelo segundo dia seguido, em apoio ao petista. O protesto organizado pelo organizado pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) defende que ele possa ser candidato, apesar de ter sido condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.

De acordo com a Polícia Militar do Distrito Federal, cerca de 5 mil manifestantes se concentraram nas proximidades do estádio Mané Garrincha, região central da cidade, pela manhã. Por volta das 9 horas, eles já ocupavam parte de três avenidas do Eixo Monumental.

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Marcha 'Lula livre' reúne cerca de 5 mil manifestantes em Brasília.

Vindos de diferentes estados, os manifestantes se preparam para um ato final nesta quarta-feira (15), em frente ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), quando o PT fará o registro da candidatura de Lula. O ex-presidente está preso desde 7 de abril, condenado em 2ª instância no caso do tríplex do Guarujá.

Caberá à Justiça Eleitoral julgar ele está inelegível. De acordo com a Lei da Ficha Limpa, devem ser barrados candidatos condenados por órgão colegiado por crimes como corrupção e lavagem, como é o caso do petista. Se for barrado, Lula será substituído por Fernando Haddad (PT) e a vice é Manuela D'Ávila (PCdoB).

A marcha com militantes do Sul e Sudeste se chama Coluna Prestes. A com integrantes das regiões Norte e Centro-Oeste é a Coluna Tereza de Benguela. Já a mobilização do Nordeste foi denominada Coluna Ligas Camponesas.

O protesto também conta com a participação do Nobel da paz, Adolfo Pérez Esquivel.Ele deve se reunir nesta terça com a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármem Lúcia, para entregar um manifesto em defesa da candidatura de Lula.

Desde o último dia 31 de julho, militantes do Levante Popular da Juventude e da Central dos Movimentos Populares (CMP) estão em greve de fome para pressionar o STF em favor do petista.

Lula no New York Times

Em artigo publicado no jornal New York Times nesta terça, Lula afirma que é vítima de um golpe da direita contra a democracia e defende a legitimidade de sua candidatura. "Se eles querem me derrotar de verdade, façam nas eleições. Segundo a Constituição brasileira, o poder vem do povo, que elege seus representantes. Então, deixe o povo brasileiro decidir. Eu tenho fé que a justiça prevalecerá, mas o tempo está correndo contra o democracia", escreveu.

No texto, o ex-presidente afirma que o progresso promovido pelo PT foi interrompido pelo impeachment de Dilma Rousseff e uma mobilização das elites conservadoras para impedir sua eleição.

Meu encarceramento foi a última fase de um golpe em câmera lenta destinado a marginalizar permanentemente as forças progressistas no Brasil.Lula, em artigo no NY Times

De acordo com Lula, o juiz Sérgio Moro, responsável por sua condenação em 1ª instância, é aliado nesse processo político. "Eles criaram um show para a mídia quando me levaram para depor à força, me acusando de ser o 'mentor' de um vasto esquema de corrupção (...) Moro tem sido celebrado pela mídia de direita do Brasil. Ele se tornou intocável", diz o artigo.