COMPORTAMENTO
13/08/2018 19:10 -03 | Atualizado 13/08/2018 19:11 -03

Gen Z, iGeneration, pós-millennials: O que esperar dos nascidos em meados de 1990

Individualismo, conectividade, saúde mental e ativismo são só algumas das características.

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Geração Z, gen Z, iGeneration, centennials ou pós-millennials.

Podem chamá-los do que quiser, mas o fato é que os nascidos entre 1994 e 2010 representam uma tsunami populacional. São quase 2 bilhões de pessoas que estão ditando comportamentos, liderando mudanças culturais, desafiando o RH de diversas empresas e, muito em breve, se tornarão os maiores consumidores do mundo. Mas quem são os jovens da Geração Z? E como alcança-los?

Nativos digitais, eles questionam qualquer estereótipo e estão aqui para driblar todas as regras. Em um relatório chamado A equação da Geração Z, compartilhado com o HuffPost Brasil, a consultoria WGSN Mindset buscou mapear as principais características do grupo.

Se você esperava por um manual homogêneo, esqueça. O que marca essa geração são as nuances. E isso se destaca na subdivisão compreendida pela consultoria, marca principal dessa geração. O grupo que compõe a gen Z pode ser dividido entre a geração "EU" e a geração "NÓS".

"Essa subdivisão não é aleatória. Toda geração é filha de um tempo, de um contexto singular político, econômico, social cultural e tecnológico. A geração reproduz um pouco do ambiente em que ela cresceu e formou a sua identidade. Isso que faz com que um grupo compartilhe valores. A dualidade da Geração Z é filha do nosso tempo. A gente vive em um mundo que tende a ser polarizado. É natural que a gente tenha que conviver com essa duplicidade", destaca Luiz Arruda, diretor da WGSN Mindset, em entrevista ao HuffPost Brasil.

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O auge do individualismo

Para os jovens dessa geração, a singularidade é um valor inerente. Considerada a mais etnicamente diversa, a Geração Z não se assusta com as diferenças, mas valoriza a sua capacidade de se expressar com autonomia. Eles também não conhecem um mundo sem internet. Com a conectividade ininterrupta, o grupo precisou aprender a lidar a oferta de informações, mas também com a ansiedade e altas taxas de depressão que uma vida "nas redes" produz. E, apesar do amplo acesso à era da informação, esses jovens estão postergando responsabilidades da vida adulta - como beber, fazer sexo ou até deixar a casa dos pais.

Geração Eu

De acordo com a consultoria, esse subgrupo representa a maior faixa dos consumidores da Geração Z.

"Os jovens dessa geração preferem conscientemente viver uma vida falsa ou ilusória e seguir tendências em vez de criá-las. Como parte dessa obsessão pelas mídias sociais, a Geração Eu vive conscientemente uma vida dupla, em que de um lado, aparece a verdadeira identidade como pessoa, e de outro, a personagem criada e cheia filtros, que desfila em todas as plataformas sociais", diz o estudo.

Os jovens dessa geração preferem conscientemente viver uma vida falsa ou ilusória e seguir tendências em vez de criá-las

A equação da Geração Z

No âmbito profissional, o que prevalece é a "marca pessoal".

"Para a Geração Eu, educação significa imitação. Os jovens dessa geração ficam de olho no YouTube ou Instagram para serem orientados pelas pessoas que eles admiram e têm como exemplo. Eles acreditam que não existe nada que eles não possam aprender nas mídias sociais e estão desafiando os caminhos tradicionais da educação", completa o relatório.

Em termos comportamentais, esse grupo é pautado pela cultura do hype, dos memes e das redes sociais.

Geração Nós

No relatório da consultoria, essa vertente é representada por jovens engajados, que lutam por novos padrões: "Para a Geração Nós, a ação de se expressar significa mostrar suas emoções e opiniões. Eles se recusam a fugir da realidade. Eles preferem encarar e resolver os problemas ou mostrar e abraçar as suas vulnerabilidades e imperfeições".

A saúde mental é pauta recorrente entre esses jovens, que reconhecem os malefícios da internet e buscam criar espaços seguros para os adolescentes nas redes. Empoderamento e amor-próprio são palavras-chaves.

Com uma pegada mais sustentável, esses jovens priorizam por transparência nos processos até mesmo de sua alimentação. São pautados pelo ativismo desde a escolha do prato em um restaurante até a roupa que vão vestir. Ainda, prezam pela defesa de uma "vida real", em oposição aos filtros criados nas plataformas digitais.

Enquanto a Geração Eu se inspira em macro influenciadores, os jovens da Geração Nós se espelham uns nos outros. Esse grupo não preza pela competição e sim pela colaboração. A Geração Nós se inspira pelas ações e atitudes dos seus colegas e o empoderamento entre si impulsiona a mudança almejada por esse grupo.

A equação da Geração Z

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Veja a entrevista completa:

HuffPost Brasil: Como foi feita a pesquisa?

Luiz Arruda: Essa pesquisa busca mapear expressões inovadoras de comportamento no Brasil e no mundo. Queremos entender recorrência de padrões de comportamentos. Temos um olhar geracional e constante. Entrevistamos mais de 40 adolescentes ao redor do mundo, que ilustram mercados distintos e fazem parte de culturas distintas. Por isso acreditamos que os traços aqui apresentados são transversais e podem ser compreendidos independente do mercado.

Qual a importância de se estudar a chamada Geração Z?

Luiz Arruda: Essa geração representa uma tsunami populacional, ela será responsável por mudanças na nossa demografia. É uma geração nascida entre 1994 e 2010, estamos falando de quase 2 bilhões de pessoas. Então não tem como negar que ela tem força na sociedade. E não só pela quantidade, mas porque essas pessoas estão na idade em que são responsáveis por ditar culturas e comportamentos, valores inovadores e mindsets. É uma força consumidora e uma força comportamental. Ainda, precisamos fazer uma reflexão, já que o mercado ficou muito tempo concentrado nos estudos sobre os millenialls e não se atentou para quem veio depois. A partir dos millenialls, percebemos que a demanda por informações geracionais fazia sentido e que havia valor em procurar entender uma geração, suas identidades e comportamentos.

Quais as principais características desse grupo?

Luiz Arruda: O estudo fala de características primordiais que definem o grupo como a Geraçã Z: individualismo, conectividade e atraso da vida adulta. Mas para mim o maior destaque é a subdivisão desse grupo, a análise das duas vertentes dentro de uma geração: geracao EU e a geracao NÓS. Perceber isso mudou o nosso olhar sob essa geração. Entender essas nuances fez com que a gente buscasse colocar uma lupa nessas duas vertentes.

Essa subdivisão não é aleatória. Toda geração é filha de um tempo, de um contexto singular político, econômico, social cultural e tecnológico. A geração reproduz um pouco do ambiente em que ela cresceu e formou a sua identidade. Isso que faz com que um grupo compartilhe valores. A dualidade da Geração Z é filha do nosso tempo. A gente vive em um mundo que tende a ser polarizado. É natural que a gente tenha que conviver com essa duplicidade. Essa dualidade já é um sinal de mudança, também. A gente percebe que não dá para sermos apenas focados no individual, ter um olhar de sustentabilidade e a longo prazo é questão de sobrevivência.

Mostrar essa dualidade não significa que um grupo seja melhor que o outro. Essas duas vertentes tem suas vantagens, seus pontos positivos. Mas, de fato, é uma geração que reflete essa ideia binária, que diz para a gente que entre o preto e o branco tem o cinza e suas nuances. É uma geração que se atenta para a diversidade, a representatividade, as questões de gênero e que quebra muitos padrões.

No caso do Brasil, também é possível notar esses comportamentos?

Luiz Arruda: Temos uma máxima aqui na consultoria que é: não subestime o consumidor. Os comportamentos que a gente enxerga no estudo podem ser expressados localmente e globalmente. Não há uma especificidade brasileira nesse sentido. A beleza desse resultado é a sua aplicabilidade em mercados distintos.

Atualmente questiona-se o papel dos influencers na formação dessa geração. Não raro ouvimos dos mais jovens o desejo de se tornarem youtubers como profissão, por exemplo. É um caminho sem volta para o marketing?

Luiz Arruda: Essa geração é formada por nativos digitais. O mais velho da Geração Z já nasceu depois da internet, então a rede sempre foi uma realidade para esse grupo. E isso é fundamental para entender esse caldeirão, porque a tecnologia democratizou o acesso à informação. Isso faz com que o repertório que poderia ser específico de um grupo seja compartilho. Mas óbvio que existem desigualdades de acesso e muitas pessoas ainda são marginalizadas desse processo. Nesse sentido, os influenciadores ganharam espaço, local e globalmente. Você me pergunta se, com isso, o acesso ao conteúdo se tornou melhor ou pio?. Eu te questiono: melhor ou pior para o quê? Depende do ponto de vista, do consumidor, da estratégia da marca. Não acho que valha essa discussão e me parece ser um caminho sem volta. Não a questão do influenciador digital, mas sim a maneira como a gente se comunica. É isso que precisamos entender. Mudou a forma como consumimos informação: mudou o canal, a velocidade, o tipo de conteúdo e a linguagem.