POLÍTICA
13/08/2018 08:47 -03 | Atualizado 13/08/2018 08:47 -03

Alckmin vai focar em propostas e não em ataques no programa de TV

Debate separou “quem estava para fazer jogo de cena” de candidatos preparados, diz ACM Neto.

“Não trabalhamos com um cenário que não seja Geraldo no 2º turno”, afirmou ACM Neto.
Paulo Whitaker / Reuters
“Não trabalhamos com um cenário que não seja Geraldo no 2º turno”, afirmou ACM Neto.

Com 40% do tempo de propaganda de rádio e televisão, o candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, pretende usar seu tempo para detalhar propostas de governo. Com baixa popularidade, aliados do tucano apostam em uma guinada nas intenções de voto nas próximas semanas. O horário eleitoral começa em 31 de agosto.

Na avaliação do presidente do DEM, ACM Neto, integrante da coordenação da campanha do ex-governador de São Paulo, a exposição será definitiva na corrida eleitoral. "Quando a campanha começar para valer, aí sim o jogo muda e com o tempo de televisão que vai ter para expor ideias e apresentar projetos para o Brasil, ele [Alckmin] vai não só buscar conquistar eleitores indecisos, como também mudar o voto de eleitores hoje com outros candidatos", afirmou ao HuffPost Brasil.

O democrata negou que o foco de Alckmin seja em conquistar eleitores de Jair Bolsonaro (PSL). Alguns tucanos defendem a busca por votos do deputado federal no 1º turno. O entendimento é que o PSDB poderia recuperar o apoio de brasileiros com perfil de direita que rejeitam o establishment, atuais eleitores de Bolsonaro.

Também contribui para essa tendência o entendimento de que o candidato do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve ser considerado inelegível. Parte do PSDB aposta que nomes mais à esquerda, como Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) podem perder votos para o substituto de Lula, Fernando Haddad.

Sivanildo Fernandes/ObritoNews
ACM Neto integra campanha de Geraldo Alckmin à Presidência.

Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, de junho, Bolsonaro lidera a corrida ao Planalto em cenários sem Lula, com 19% das intenções de voto. Em seguida, Marina tem 15%. Alckmin oscila entre 6% e 7%.

Para aliados do tucano, Bolsonaro e Marina estão à frente porque começaram a busca por votos antes de o centrão oficializar o apoio ao PSDB. A aliança foi anunciada em 26 de julho, pelo bloco que se autointitula "centro democrático", formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade.

Debate mostrou 'jogo de cena'

Na avaliação de ACM Neto, o debate da Band na última quinta-feira (9) deixou claro quem são os candidatos preparados. "Percebe-se com muita clareza quem estava para fazer jogo de cena. É uma oportunidade para distinguir o nível", afirmou.

Ele também elogiou a performance de Alckmin. "O debate é muito importante para ter a oportunidade de enfrentamento direto dos candidatos porque fica muito evidente que Geraldo é o mais preparado, que tem mais conteúdo, que conhece mais a realidade do Brasil e tem condições de aprofundar temas que são absolutamente necessários para aproximar governos", completou o presidente do DEM.

O ex-governador de São Paulo foi alvo da maioria das perguntas dos concorrentes, ganhando destaque e tirando o protagonismo de Bolsonaro. O tucano, por sua vez, direcionou a maior parte dos questionamentos a Marina. A falta de enfrentamento a Bolsonaro faz parte da cautela para atrair votos. Ataques diretos ao candidato poderiam ofender o eleitorado cobiçado pelo PSDB.

Bloomberg via Getty Images
No debate da Band, Alckmin, foi o principal alvo de perguntas de concorrentes e focou os questionamentos em Marina.

A nomeação da senadora Ana Amélia (PP-RS) como vice na chapa, por sua vez, é vista como um aceno aos votos de direita. Uma das vozes do antipetismo no Congresso Nacional e defensora da liberação de armas na zona rural, a parlamentar se reuniu com Alckmin na manhã da última sexta-feira (10) para tratar do plano de governo.

Se uma das intenções é desidratar a campanha de Bolsonaro, uma união com a esquerda para derrubar o deputado na reta final é descartada por enquanto. "Não trabalhamos com um cenário que não seja Geraldo no 2º turno", afirmou ACM Neto.

Na quinta, Haddad admitiu uma aproximação com os tucanos para evitar que o deputado chegasse ao Planalto. "O PT não tem esse preconceito", afirmou em evento do banco BTG Pactual. O candidato a vice, contudo, afirmou que esse cenário seria um "pesadelo" e o considerou improvável. "O Alckmin acho que só cresce às custas do Bolsonaro", completou.

Pesquisa da XP Investimentos divulgada nesta sexta mostra o petista em 2º lugar na corrida eleitoral quando apontado como candidato apoiado por Lula. Haddad teria 13% das intenções de voto, atrás apenas de Bolsonaro, com 21%.