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11/08/2018 12:45 -03 | Atualizado 13/08/2018 10:45 -03

Por que o futebol brasileiro está contratando tantos jogadores paraguaios

Santos, Palmeiras, Corinthians e Flamengo foram buscar no país vizinho reforços para 2018.

Romero é o principal artilheiro da Arena Corinthians e um dos bons representantes do futebol paraguaio no Brasil.
Alexandre Schneider via Getty Images
Romero é o principal artilheiro da Arena Corinthians e um dos bons representantes do futebol paraguaio no Brasil.

O futebol brasileiro é o único pentacampeão mundial, "produz", a cada ano, jovens jogadores que enchem os olhos dos europeus – e os cofres dos times que os revelam, como ocorreu recentemente com Vinícius Júnior (Flamengo) e Rodrygo (Santos), ambos negociados com o espanhol Real Madrid.

O Paraguai é pouco tradicional no futebol, não tem nenhum título de Copa e sequer participou do Mundial da Rússia, disputado em 2018 e vencido pela seleção francesa.

Por que, então, os principais clubes do futebol brasileiro escolheram justamente o vizinho sul-americano como grande fornecedor de reforços para a temporada 2018?

A mídia especializada mostra posicionamentos distintos em relação a mais recente "invasão" paraguaia em território brasileiro.

A resposta a essa questão e à indignação do internauta aí de cima, segundo Fernando Prado, colunista do site No Ângulo, está no sucesso recente de dois nomes em especial.

"Acredito que isso passe pelo bom desempenho do Romero e do Balbuena no Corinthians", comentou, referindo-se ao artilheiro já citado e ao zagueiro recentemente negociado com o futebol inglês. "Mas é bom ter cuidado, pois o Paraguai sequer foi à última Copa", emendou.

Renan Prates, ex-setorista do portal UOL e hoje editor do Torcedores.com, tem outra linha de pensamento. "Acho que isso acontece por influência dos scouts. Aparentemente são jogadores sem estatísticas tão destacadas dos demais, mas que são bem úteis para determinadas funções em campo", ponderou.

Ainda na visão de Prates, o fato de a maioria dos reforços atuais vir do Paraguai pode ser encarado como uma "coincidência". "Foram contratados porque servem a um propósito, não por serem paraguaios. Acho que isso é uma coincidência", concluiu.

Divulgação
Mão de obra mais em conta está sendo decisiva para nova "invasão" paraguaia, segundo Quesada.

'Tombo menor'

Já para a ala mais experiente da imprensa, o custo-benefício faz certa diferença, mas o nível dos atletas paraguaios não pode ser menosprezado. "Hoje, na América do Sul, com alguma qualidade e mais baratos, talvez apenas os venezuelanos e os bolivianos, com todo o meu respeito, é claro", pontuou Silvio Lancellotti, blogueiro do Portal R7.

"Penso que custo-benefício explica essa investida sobre os boleiros paraguaios. Ouvi de um dirigente que, por ser um investimento pequeno, vale arriscar. Se der errado, o tombo é menor. Se der certo, o repasse para o futebol europeu gera uma boa grana. Além disso, os paraguaios têm qualidade. Dos antigos como Arce e Gamarra, por exemplo, e Balbuena, recentemente.", emendou Leandro Quesada, voz referência da Rádio Bandeirantes na última década, e hoje comentarista dos canais Fox Sports.

Na visão de Fábio Seródio, experiente repórter com passagens pela Rádio Jovem Pan e pela assessoria de imprensa do Corinthians, o futebol paraguaio não tem condições de se tornar um "celeiro de craques", mas há talentos a serem garimpados.

"Na minha opinião, não temos tantos talentos no Paraguai para virar garimpo de craques. O problema mesmo é financeiro. Jogador paraguaio sai mais barato que muitos brasileiros. Hoje, os argentinos estão caros e valorizados no mercado. Peruanos, colombianos, chilenos e etc estão com custo mais alto. Vai paraguaio mesmo, pois, economicamente, acabam sendo uma solução", pontuou.

"Vez ou outra aparece um nome que justifique o investimento, tipo Romero ou Balbuena. Na maioria das vezes, as descobertas do Paraguai são compatíveis com as nossas promessas "mais ou menos", mas dá que acertam um Romerito?", concluiu.

Relação antiga

O futebol brasileiro teve excelentes representantes do futebol paraguaio no passado, como o lateral-direito Arce, os zagueiros Rivarola e Gamarra ou o meia-atacante Romerito, um dos primeiros representantes do País em território verde-amarelo.

Jorge Adorno / Reuters
Zagueiro Gamarra brilhou no Brasil com as camisas de Palmeiras e, principalmente, Corinthians.

Hoje, antes da recente "invasão", brilhavam por aqui o goleiro Gatito Fernández, do Botafogo e, claro, o atacante Romero, xodó da torcida do Corinthians e principal artilheiro do estádio alvinegro, construído para a Copa do Mundo de 2014.

Novas caras

Recentemente chegaram ao País jogadores pouco conhecidos do grande público, como Derlis González (Santos), Sérgio Diaz (Corinthians), Robert Piris (Flamengo) e Gustavo Gómez (Palmeiras), este, talvez, o mais 'famoso' do quarteto, pois estava defendendo as cores do Milan, da Itália.

Divulgação/Corinthians
Reforço corintiano ainda é pouco conhecido do grande público brasileiro.

O Santos ainda foi atrás de Rodrigo Bogarín, meia do Guarany paraguaio, mas não conseguiu fechar a contratação do jogador por causa dos altos valores pedidos pelo clube.

Os times considerados menores também foram às compras no Paraguai e trouxeram na "sacola" nomes que o torcedor não está muito acostumado a ver pelos gramados.

O Náutico foi atrás de José Ortigoza, enquanto o arquirrival Santa Cruz abriu as portas do Arruda para Arnaldo Saucedo, Juan José Martinez e Elías Meza (todos para a equipe de aspirantes). No Paraná, o Coritiba também acertou, para um período de testes, com Jorge Cólman e com Iván Cañete, enquanto o Paraná Clube tem, em seu elenco, Marcelo Baez e Jorge "Torito" González.

Será que os novos contratados terão o mesmo sucesso de Gamarra, Arce e, mais recentemente, Gatito Fernández e Romero ou passarão despercebidos pelo nosso futebol? A resposta virá ao fim do Brasileirão 2018. É esperar para ver.