POLÍTICA
09/08/2018 15:42 -03 | Atualizado 09/08/2018 16:09 -03

Contra Bolsonaro, Haddad admite aliança com Alckmin em 2º turno

“O PT não tem esse preconceito”, afirmou em evento do banco BTG Pactual.

Fernando Haddad (PT) foi prefeito de São Paulo durante o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) no estado.
Brazil Photo Press via Getty Images
Fernando Haddad (PT) foi prefeito de São Paulo durante o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) no estado.

No caso de Jair Bolsonaro, candidato do PSL chegar ao 2º turno na disputa presidencial com Geraldo Alckmin (PSDB), o PT poderia apoiar o tucano. A eventual aliança foi admitida pelo vice na chapa petista, Fernando Haddad, nesta quinta-feira (9). O ex-prefeito de São Paulo, contudo, afirmou que a possibilidade é remota.

"O PT não tem esse preconceito", afirmou Haddad em resposta ao jornalista Reinaldo Azevedo em evento do banco BTG Pactual, em São Paulo. O candidato a vice, contudo, afirmou que esse cenário seria um "pesadelo". Ele também considerou esse cenário improvável. "O Alckmin acho que só cresce às custas do Bolsonaro", disse Haddad.

Com 7% das intenções de voto no último Datafolha, divulgado em 11 de junho, o tucano tem tentado atrair os votos de eleitores do deputado federal. Nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT),Bolsonaro lidera as intenções de voto, com 17%.

Na convenção do PSDB no último sábado (4), o ex-governador de São Paulo afirmou que o País precisa de "ordem democrática", que essa é uma "exigência civilizatória". Disse que é candidato para unir e insinuou que há candidatos que querem levar o Brasil para o radicalismo. "Gente assim quer ditadura, que logo degenera em anarquia", atacou, em outra referência ao candidato pelo PSL.

A expectativa é de um enfrentamento também no debate da Band nesta quinta-feira. Como o PT não irá participar, o partido decidiu fazer um debate paralelo, com transmissão nas redes sociais.

Ao admitir uma aproximação com o PSDB, Haddad defendeu o ex-governador. "Nunca vi um empresário sugerir uma conduta inadequada do Alckmin", afirmou. Ele foi prefeito de São Paulo quando o tucano comandava o estado.

O petista lembrou ainda de alianças anteriores entre os partidos tradicionalmente opostos. Em 1998, a então petista Marta Suplicy, ficou de fora do 2º turno na disputa do governo estadual e o PT apoiou Mário Covas (PSDB) na disputa contra Paulo Maluf (PPB, atual PP). O tucano venceu. Dois anos depois, Marta foi para o 2º turno e Covas retribuiu, uma vez que o adversário era Maluf também, e ela foi eleita.

Na entrevista, o ex-prefeito deixou claro que Lula ainda é o candidato do PT. "Nós não vamos abdicar do Lula", afirmou. Condenado por corrupção e lavagem de dinheiro em 2ª instância, o ex-presidente está preso desde 7 de abril. O PT deve registrá-lo como candidato até 15 de agosto, mas a tendência é que a Justiça Eleitoral rejeite o pedido, com base na Lei da Ficha Limpa.