POLÍTICA
09/08/2018 12:25 -03 | Atualizado 09/08/2018 12:30 -03

Com reajuste do STF, juízes que reclamaram da ‘dureza da inflação’ terão aumento

Saiba quais ministros votaram contra e a favor de aumentar o próprio salário.

“Como é que os magistrados vão sobreviver?”, disse o ministro Ricardo Lewandowski, em defesa do reajuste.
Adriano Machado / Reuters
“Como é que os magistrados vão sobreviver?”, disse o ministro Ricardo Lewandowski, em defesa do reajuste.

Por 7 votos a 4, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiram aumentar os próprios salários em 16,38%. Com isso, o teto do funcionalismo público passa de R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil. A proposta será encaminhada para o Legislativo e em seguida para aval do presidente da República.

Se for aprovada para o orçamento do orçamento ano, categorias como a de juízes, parlamentares e integrantes do Ministério Público receberão o ajuste imediatamente.

De acordo com o Painel, da Folha de S.Paulo, 9 associações de juízes e procuradores pressionaram os ministros pelo aumento com a justificativa de que não ter o reajuste significa "condenar os magistrados a serem os únicos a sofrerem, sem recomposição, a dureza da inflação".

Em defesa do reajuste, o ministro Ricardo Lewandowski questionou: "Como é que os magistrados vão sobreviver?". A mesma peça orçamentária que contará com esse reajuste traz o salário mínimo em R$ 988, o valor dos reduzido da previsão inicial de R$ 1.002.

Além de Lewandowski, Marco Aurélio, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Alexandre de Moraes foram favoráveis ao aumento.

Votaram contra a presidente do STF, Cármen Lúcia, e os ministros Celso de Mello, Edson Fachin e Rosa Weber.

Celso de Mello lembrou do batalhão de 13,2 milhões de desempregados, segundo dados do IBGE de junho, e disparou: "A mim parece que deve ser considerada a crise fiscal que afeta o Estado e a crise social que se projeta sobre milhões de desempregados".

Os magistrados não têm os salários reajustados desde 2015. Com a reparação salarial, a expectativa é que o debate sobre o fim do auxílio-moradia avance.