POLÍTICA
06/08/2018 18:25 -03 | Atualizado 06/08/2018 19:21 -03

Lula vai à Justiça para participar de debate da Band

PT pede urgência na análise de recurso contra decisão que proibiu o ex-presidente de fazer campanha.

Lula discursa em São Bernardo do Campo momentos antes de sua prisão, em 7 de abril.
Dario Oliveira/Anadolu Agency via Getty Images
Lula discursa em São Bernardo do Campo momentos antes de sua prisão, em 7 de abril.

O PT entrou com uma ação no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4 Região) nesta segunda-feira (6) pedindo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa participar do debate da Band na próxima quinta (9), o primeiro com os candidatos à Presidência nas eleições 2018.

Lula, que está preso desde abril em Curitiba, teve sua candidatura confirmada pelo PT no último sábado (4). Em julho, a juíza responsável pela execução da pena de Lula, Carolina Lebbos, negou pedidos de jornais e TVs para que o ex-presidente fosse entrevistado na prisão.

Na mesma ação, a magistrada proibiu o petista de participar de atos de campanha e pré-campanha como debates, inclusive por meio de videoconferência, rejeitando pedidos apresentados pelo PT.

A defesa já havia recorrido da decisão de Lebbos no TRF-4, mas apresentou nova petição nesta segunda pedindo urgência na análise do recurso.

O argumento é que Lula tem o direito de "realizar atos típicos de pré-campanha, de modo a se manter em pé de igualdade com outros partidos políticos". Para a defesa, a ausência do candidato no debate pode causar dano irreparável.

Lula foi condenado na segunda instância e provavelmente será barrado pela Lei da Ficha Limpa. O prazo para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral vai até 15 de agosto, e a chapa petista deve ser registrada no fim do prazo.

Como a inelegibilidade não pode ser declarada antes do registro, conforme já decidiu o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o PT confia que é possível uma decisão favorável a Lula na participação dos debates que ocorram antes disso.

Em seu programa na Rádio BandNews na manhã desta segunda, o apresentador Ricardo Boechat disse que, se Lula não for autorizado a sair da prisão, a coligação não poderá enviar um representado em seu nome.

"Não vindo o Lula, não pode vir alguém no seu lugar porque o debate é restrito a candidatos à Presidência da República declarados como tal", disse Boechat.

Haddad e Manuela

Outras emissoras podem permitir representantes, e uma opção seria enviar o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), anunciado neste domingo como vice na chapa petista.

Rodolfo Buhrer/Reuters
Haddad conversa com jornalistas em frente à sede da PF em Curitiba, após visita a Lula.

Em entrevista transmitida pelas redes sociais nesta segunda, após visitar Lula na prisão, Haddad disse que o PT insiste na presença de Lula no debate.

"Queremos Lula. Esse debate da Band ocorre antes do registro, mas a candidatura dele já está definida pelo PT", afirmou.

O ex-prefeito também comentou as alianças formalizadas no domingo e disse que o ex-presidente "ficou muito feliz" com o apoio do PCdoB e do PROS.

"Essa aliança vai nos dar mais de 2 minutos de tempo de TV, que é um tempo suficiente para que levemos nosso plano de governo ao conhecimento da população", afirmou.

Com a decisão, Manuela D'Ávila (PCdoB) retirou sua candidatura à Presidência e será uma espécie de "reserva" da vaga de vice, caso a candidatura de Lula seja barrada e Haddad assuma a cabeça da chapa.

"Já marcamos um encontro amanhã e nosso objetivo é preservar o capital político que a Manuela conquistou, que é um capital político que dialoga com o campo progressista", disse Haddad.