POLÍTICA
05/08/2018 12:58 -03 | Atualizado 05/08/2018 12:58 -03

Marcio Lacerda enfrenta o PSB: ‘Minha candidatura é muito legítima’

O ex-prefeito de BH, entretanto, disse aceitar não ser candidato ao governo de Minas se for para preservar os candidatos a deputado federal e estadual.

Yasuyoshi Chiba/AFP/Getty Images

À direção nacional do PSB, na convenção do partido, na manhã deste domingo (5), o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda insistiu em sua candidatura ao governo de Minas Gerais.

Em clima de confronto, ele assegurou que a convenção que o referendou candidato na noite de sábado (4) segue válida, mesmo se o partido mantiver a proposta de fazer outra convenção neste domingo para derrubá-lo.

"Nossa convenção continua válida qualquer que seja a decisão que tenha sido tomada aqui. Essa convenção convocada para hoje a noite não terá validade nenhuma", disse.

Em sua defesa, Lacerda fez um alerta ao partido: "Vamos perder um candidato competitivo e vamos cair na polarização".

Minha candidatura é muito legítima, se eu for para o segundo turno, eu ganho as eleições.

Lacerda aparece em 3º lugar nas pesquisas, atrás do atual governador Fernando Pimentel (PT) e do senador e ex-governador de Minas Antonio Anastasia (PSDB).

Desistência

Apesar de toda insistência em lutar pela candidatura, Lacerda deixou em aberto uma brecha para negociação.

"Temos que achar um caminho que preserve as candidaturas a deputado estadual e federal, se a solução for eventualmente até pensar em não me ter como candidato para resolver os problemas dos deputados, eu aceito discutir."

O temor dele é que, ao realizar duas convenções e todas judicializadas, o partido acabe sem candidato tanto ao governo quanto à Assembleia e à Câmara dos Deputados.

"Já que foi criado esse conflito, nós queremos dialogar, queremos um acordo que permita eleger deputados e manter a nossa posição. Tenho enorme capital político em Minas, especialmente após essa intervenção, se houvesse pesquisa agora vocês veriam o resultado negativo dessa intervenção", disse Lacerda a jornalistas após a convenção do PSB.

Presidente do PSB, Carlos Siqueira, afirmou durante a convenção, após a fala de Lacerda, que em nenhum momento foi chamado para negociar a situação de Minas Gerais. O líder socialista, entretanto, teme que a convenção prevista para a noite deste domingo se transforme em bagunça, como ocorreu no sábado (4).

O posicionamento do PSB Nacional gerou uma forte reação entre parte do público que acompanhou a convenção, em uma das salas de eventos do Hotel Nacional, em Brasília. Enquanto andava pelos corredores, Siqueira era abordado por militantes de Minas que pediam para que ele ouvisse a voz do povo e autorizasse a candidatura de Lacerda.

Acordo com PT

A candidatura de Lacerda foi limada pela direção do partido em um acordo feito com o PT. Com essa aliança informal, o PT abre mão candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco para preservar a candidatura de Paulo Câmara (PSB) e os socialistas abrem mão da candidatura em Minas, em sinalização a reeleição de Fernando Pimentel (PT).

O acordo inclui ainda a neutralidade do PSB nas eleições presidenciais. O PSB até então rumava em direção a Ciro Gomes (PDT) e chegou inclusive a indicar Marcio Lacerda como vice do candidato do PDT. Ao se declarar neutro, o PSB e o PT - que pretende lançar o ex-presidente Lula na disputa pela Presidência - juntos isolam Ciro na disputa presidencial.