POLÍTICA
05/08/2018 12:38 -03 | Atualizado 05/08/2018 17:33 -03

General Mourão é anunciado como vice de Bolsonaro

Mourão costuma defender intervenção militar como solução para a crise política. Decisão foi confirmada em convenção do PRTB.

O general da reserva Hamilton Mourão (PRTB) foi oficializado como vice de Bolsonaro.
Divulgação/Exército
O general da reserva Hamilton Mourão (PRTB) foi oficializado como vice de Bolsonaro.

Jair Bolsonaro, ex-capitão do Exército e candidato do PSL à Presidência da República, anunciou neste domingo (5) o nome do general da reserva Hamilton Mourão (PRTB) como vice em sua chapa nas eleições 2018.

O anúncio foi feito em convenção estadual do PSL em São Paulo, e o nome de Mourão foi oficializado à tarde, em convenção do PRTB.

Com a decisão, o presidente do PRTB, Levy Fidelix, retirou sua candidatura à Presidência da República.

Nelson Almeida/AFP/Getty Images
Jair Bolsonaro recebe o apoio de militares em evento em São Paulo, em maio.

O convite a Mourão foi formalizado após a desistência da advogada Janaina Paschoal em compor a chapa com Bolsonaro. Paschoal, que é uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, alegou questões familiares ao recusar o convite.

Outra opção era convidar o príncipe Luiz Philippe de Orléans e Bragança para vice, o que foi descartado por Bolsonaro.

Intervenção militar

Mourão ganhou projeção ao defender, em diversas ocasiões, uma intervenção militar no Brasil como solução para a crise política por que passa o País.

Em setembro de 2017, quando ocupava o cargo de secretário de economia e finanças do Exército, Mourão defendeu publicamente uma possível intervenção das Forças Armadas caso as instituições não resolvessem o "problema político".

Em palestra promovida por uma loja maçônica de Brasília, o general afirmou que, se o Judiciário não tomasse providências contra "esses elementos envolvidos em todos os ilícitos", o Exército teria que se "impor".

"Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso", disse Mourão na ocasião.

A declaração foi uma reação do general a uma questão levantada pela organização do evento, que dizia que "a Constituição Federal de 1988 admite uma intervenção constitucional com o emprego das Forças Armadas".

"É óbvio que, quando nós olhamos com temor e tristeza os fatos que estão nos cercando, a gente diz: 'Por que que não vamos derrubar esse troço todo?'" Na ocasião, o comandante do Exército, general Villas Bôas, informou que a instituição reafirmava seu compromisso de atuar na legalidade.

Ao se despedir da carreira, em cerimônia em fevereiro deste ano, Mourão fez elogios ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, a quem chamou de herói. Ustra foi chefe do DOI-Codi, um dos principais aparatos de repressão da ditadura (1964-1985), e também já recebeu elogios públicos de Bolsonaro.