POLÍTICA
04/08/2018 14:23 -03 | Atualizado 04/08/2018 14:23 -03

O sumiço de Aécio Neves na convenção do PSDB é a prova de que o mundo dá voltas

Há 4 anos, o tucano era confirmado candidato do partido à Presidência.

Em 2014, Aécio ficou em segundo lugar na disputa presidencial, teve mais de 51 milhões de votos diante 54,5 milhões de Dilma Rousseff (PT).
ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
Em 2014, Aécio ficou em segundo lugar na disputa presidencial, teve mais de 51 milhões de votos diante 54,5 milhões de Dilma Rousseff (PT).

Alvejado por uma série de denúncias de envolvimento de escândalos de corrupção, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) sumiu. Se há 4 anos ele era a grande estrela do partido na convenção que o oficializou candidato à Presidência pelo PSDB, neste ano o silêncio sobre o tucano imperou.

Pré-candidato ao governo de Minas Gerais, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que já foi vice de Aécio, foi um dos que mantiveram discrição em relação ao correligionário. Se restringiu a dizer que respeita a decisão do tucano de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.

Aécio ficou em segundo lugar na disputa presidencial de 2014 e teve mais de 51 milhões de votos diante 54,5 milhões de Dilma Rousseff (PT). Na convenção, em junho de 2014, Aécio previu uma mudança:

"Eu percebo que há, não apenas mais uma brisa, mas uma ventania por mudanças, um tsunami que vai varrer do governo federal aqueles que lá não têm se mostrado dignos e capazes de atender às demandas da população brasileira", afirmou.

Indiretamente, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) alfinetou o colega. Disse que chegou a perder a esperança no próprio partido, mas que hoje está otimista.

"Confesso que fiquei muito desiludido com o futuro do nosso País e também do nosso partido. (...) Mas hoje estou muito otimista, conseguimos uma chapa que com certeza orgulha nosso partido e nosso País", disse Jereissati em discurso antes da oficialização da chapa tucana formada por Geraldo Alckmin e Ana Amélia (PP).

No ano passado, Tasso e Aécio protagonizaram um racha no partido quando o senador mineiro deixou provisoriamente a presidência do partido para se defender das acusações contidas na delação da JBS.

"São conhecidas de todos vocês, são diferenças profundas, desde comportamento político, comportamento ético, visão de governo, fisiologismo, a questão de fisiologismo desse governo", disse Tasso à época.

Aécio foi acusado de ter recebido R$ 2 milhões em espécie do empresário Joesley Batista. O senador é alvo de 9 inquéritos no STF e réu por corrupção e obstrução de Justiça. Ele nega as acusações e se diz vítima de armadilha.