POLÍTICA
04/08/2018 16:11 -03 | Atualizado 04/08/2018 16:12 -03

Marina Silva defende aliança da Rede com PV contra ‘mecanismo’ da corrupção

Ex-ministra foi oficializada candidata à Presidência da República em Brasília, ao lado de Eduardo Jorge, candidato a vice.

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Marina Silva e Eduardo Jorge reforçam coesão programática da aliança Rede-PV.

Em sua primeira fala após ser aprovada pela Rede como candidata à Presidência da República, Marina Silva defendeu a coesão com o PV, o diálogo em um país com discursos polarizados e o combate à corrupção. "A minha candidatura é a que está em melhores condições de unir o Brasil, porque não temos a pretensão de sermos os donos da verdade", afirmou em discurso de cerca de uma hora na convenção nacional do partido em Brasília.

O ato também formalizou a aliança da Rede com o PV, que indicou Eduardo Jorge como vice de Marina. Em 2014, ele concorreu à Presidência pelo PV e a ex-senadora, pelo PSB.

Diante de discursos de ódio e do velho embate entre PT e PSDB, Marina disse "acolher a indignação" dos brasileiros com a crise no País. "Vamos acabar com essa oposição cega que só vê defeitos", afirmou.

Em referência à campanha de 2014, ela criticou os ataques que sofreu sobretudo da campanha da ex-presidente Dilma Rousseff. "Até a guerra tem ética", afirmou. Também disse que naquele ano muitos concorreram ao "mecanismo criminoso de corrupção" no País.

Disse ainda que Dilma e Michel Temer "não conseguiram governar, mesmo com mais de 300 deputados", em uma resposta a críticas sobre possível falta de apoio no Congresso Nacional, caso eleita. "Não dá mais", disse sobre o atual modelo de presidencialismo de coalizão. A frase também foi exibida atrás da presidenciável, em um telão.

A candidata reforçou as semelhanças entre ela e o vice na luta sócio-ambiental no Brasil. Ela reconheceu que havia grandes nomes na Rede para o cargo, mas que estes disseram "se a gente firmar uma aliança com o PV, podemos transformar o ouro em diamante". "Dizem que somos inviáveis porque não trocamos a população pelo centrão", completou, em referência às alianças de Geraldo Alckmin, candidato do PSDB.

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O slogan da campanha de Marina e Eduardo Jorge é: "Unidos para Transformar o Brasil".

Vice na chapa presidencial, Jorge abriu o discurso com uma homenagem ao jurista Hélio Bicudo, morto nesta semana. Ele foi um dos fundadores do PT e autor do impeachment de Dilma. Jorge defendeu o afastamento da petista e criticou a crise no País criada pelo "naufrágio do Titanic Dilma-Temer". Assim como Marina, o candidato a vice também foi favorável à cassação da chapa Dilma-Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O ex-deputado também propôs uma revolução agro-ecológica, com o fim de agrotóxicos. "Não tem sentido essa luta até a morte entre os ecologistas e os fazendeiros", afirmou. "Existe alguma coisa mais importante do que a agricultura na economia?", questionou. Ao final, Jorge disse que queria que os netos vivam em um país governado por Marina e abraçou a ex-senadora.

Dizem que somos inviáveis porque não trocamos a população pelo centrão.Marina Silva, na convenção nacional da Rede

Lava Jato e Ficha Limpa

Responsável pelo programa de governo da candidata, o economista Eduardo Giannetti criticou a alta carga tributária no Brasil e a precariedade dos serviços públicos. Tanto a reforma tributária quanto mudanças da Previdência e equilíbrio fiscal foram defendidos por Marina.

O economista também afirmou que a Operação Lava Jato permite agora uma renovação na política. "Só Marina, entre todos os candidatos, representa real renovação no compromisso ético inabalável que ela tem", afirmou. "Outros candidatos já mostraram que vão nesse caminho falido", completou em referência ao presidencialismo de coalizão.

O mesmo discurso de combate à corrupção foi reforçado por integrantes da Rede. "Aqui não tem nenhum corrupto. Aqui é tudo cara limpa", afirmou Pedro Ivo, coordenador nacional de organização do partido, função responsável pelas negociações de alianças.

Sobre a união com o PV, Ivo disse que ambas legendas têm a causa ambiental como ponto em comum. "Não contamos com tempo de TV, estrutura e política eleitoreira. Aqui tem uma aliança programática e de valores", afirmou.

O presidente do PV, José Luís Penna, por sua vez, criticou a falta de recursos públicos para partidos pequenos. Ele afirmou que teriam de "passar o chapéu" para superar a "migalha de Fundo Partidário que nos deram". Tanto os recursos do Fundo Partidário quanto do Fundo Eleitoral são distribuídos pela Justiça Eleitoral de acordo com o tamanho das bancadas das siglas na Câmara dos Deputados.

Após a convenção, em entrevista coletiva, Jorge citou sugestões do PV ao programa de governo da Rede. Entre elas, a adoção do parlamentarismo, o voto distrital misto e a instituição de um programa de renda mínima universal. O documento conjunto está avançado e deve ser finalizado em breve, segundo o vice.

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Marina é crítica do presidencialismo de coalizão e do Centrão, que apoia Alckmin.

Aqui não tem nenhum corrupto. Aqui é tudo cara limpa.Pedro Ivo, responsável pelas alianças da Rede

'Vai balançar', diz jingle de Marina

A convenção foi conduzida pelo ator Marcos Palmeira, integrante da Rede Sustentabilidade que se recusou a ser vice na chapa presidencial. "Isso aqui é um encontro de pessoas do bem. A gente quer o bem para o Brasil", afirmou no início do evento. Ele também incentivou doações à campanha.

Durante o ato político, Marina e Eduardo foram saudados pelos apoiadores. "Sem dúvida, a música do Legião Urbana vai mudar. Vai ser Eduardo e Marina", disse o mestre de cerimônia em referência à música Eduardo e Mônica, clássico de Renato Russo.

Também foi exibido um vídeo antes do discurso da candidata em que a história da ex-senadora foi contada. A peça citou a atuação de Marina pela defesa do meio ambiente, incluindo a atuação como ministra, além da origem humilde e de imagens com os 4 filhos.

Com camisetas verde e amarelo, marineiros exibiam a frase "Não é a gente que tem uma causa. A causa que tem a gente". O jingle da campanha também foi cantado. "Vai balançar, vai balançar. Olê, mulher renderia. Olê, vai balançar. É com Marina que eu vou", diz a música cantada em uma roda com Marina e Eduardo.

Chamada de "formiguinha atômica" por Marcos Palmeira, a presidente da Fundação Rede Brasil Sustentável, Heloísa Helena, fez um discurso breve e inflamado, em que disse que o coração de Marina "bate como um tambor". Ela também criticou "ditadoras de direita e de esquerda" que são "burocracias totalitárias". A ex-senadora é candidata à deputada federal em Alagoas pela Rede, que busca superar a cláusula de barreira.

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