POLÍTICA
04/08/2018 12:17 -03 | Atualizado 04/08/2018 13:08 -03

Em convenção da Rede, apoiadores de Marina defendem Estado laico e políticas para mulheres

“Há esperança para aqueles que não aceitam retrocesso nem em nome de Deus”, diz pastor Levi Araújo.

Convenção da Rede Sustentabilidade oficializa candidatura de Marina Silva e coligação com PV.
SERGIO LIMA via Getty Images
Convenção da Rede Sustentabilidade oficializa candidatura de Marina Silva e coligação com PV.

Em resposta indireta a críticas, a convenção nacional da Rede Sustentabilidade, que formaliza a candidatura presidencial de Marina Silva neste sábado (4), apoiou o Estado laico e fez um aceno às mulheres. O ato político em Brasília também concretiza a aliança com o PV, que indicou Eduardo Jorge como vice.

Primeiro a discursar, o pastor Levi Araújo defendeu o Estado laico. "Há esperança para quem não mistura Bíblia e Constituição", afirmou no evento na capital federal. "Há esperança para aqueles que não aceitam retrocesso nem em nome de Deus", completou.

Evangélica, Marina é frequentemente questionada sobre como seria sua postura em temas como aborto e casamento homoafetivo, caso seja eleita. Em 2014, quando concorreu pelo PSB, chegou a recuar sobre direitos LGBT no programa de governo, e o recuo foi atribuído à pressão de líderes evangélicos. Integrantes da Rede negam.

Jorge, por sua vez, já se declarou favorável à legalização do aborto e à promoção de direitos LGBT.

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Marina e Eduardo Jorge formam chapa presidencial Rede-PV.

Também na convenção, Célia Sacramento, vice de Eduardo Jorge na chapa presidencial do PV em 2014, defendeu o combate ao racismo e ao machismo. "Nós mulheres, especialmente mulheres negras, somos excluídas da maioria dos direitos no Brasil", afirmou.

Ela criticou o fato de mulheres ganharem 30% a menos que homens no Brasil e defendeu a política de cotas em universidade pública. "Venho da extrema pobreza", contou.

Sacramento também destacou a necessidade de combater a violência contra as mulheres. "Precisamos ampliar as políticas públicas para esse debate", defendeu. Recentemente, pré-candidatas deixaram a Rede alegando que a estrutura do partido era machista e não fortalecia candidaturas femininas.