POLÍTICA
03/08/2018 15:12 -03 | Atualizado 03/08/2018 15:12 -03

Grupos de apoio a Bolsonaro miram Ana Amélia Lemos, cotada para vice de Alckmin

Militantes insinuam que senadora conservadora é "comunista" e ressuscitam apoio dela a Manuela D'ávila em 2012.

Grupos de apoio ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), candidato à Presidência da República, escolheram um novo alvo: a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS), que nesta semana aceitou ser vice na chapa do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP).

Uma imagem da política gaúcha com um retrato dela com Fidel Castro está rodando os grupos de WhatsApp com os dizeres "Cedo ou tarde as pessoas mostram sua face". Há insinuação de que ela seja comunista, um dos principais rótulos dados pela militância de Bolsonaro a adversários.

Montagem/WhatsApp/Wikimedia Commons
Ana Amélia Lemos está na mira dos apoiadores de Bolsonaro.

Os seguidores de Bolsonaro também espalham vídeo de Ana Amélia defendendo a também candidata à Presidência Manuela D'ávila (PCdoB-RS) e imagens das duas sorrindo juntas. A intenção é mais uma vez colar na provável vice de Alckmin a imagem de comunista, uma vez que a legenda de Manuela é o Partido Comunista do Brasil.

Tanto a postagem de Ana Amélia sobre Fidel quanto as fotos com Manuela foram retiradas de contexto.

Em 2012, Ana Amélia gravou vídeos de apoio à Manuela D'ávila na campanha pela Prefeitura de Porto Alegre. Na época, Manuela concorria com o então prefeito José Fortunati (PDT-RS), que acabou vencendo o pleito.

"Sonho não tem idade. O bem da cidade está acima dos partidos", afirmava Ana Amélia, que estudou gestão pública com a conterrânea na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Ana Amélia com Fidel Castro

A imagem de Ana Amélia Lemos ostentando um retrato de Fidel Castro pode constituir um exemplo defake news, na medida em que há manipulação com fins político-ideológicos.

A foto foi feita pelo site Terra em 2014, quando Ana Amélia concorria ao Governo do Rio Grande do Sul. Na época, seu principal adversário nas pesquisas era o então governador Tarso Genro (PT-RS). Como os petistas tentavam rotulá-la de "direitista", a gaúcha lançou um desafio aos opositores.

Ela mostrou ao repórter o retrato em que aparece com o ditador cubano. "Quero ver se o governador [Tarso Genro] também tem uma", brincou.

O Terra informa que não se tratava de "lembrança de tiete", mas um registro da atividade de Ana Amélia como repórter na década de 80. Fidel Castro foi uma das figuras ilustres — e históricas — entrevistadas por ela em seus 43 anos de atuação como jornalista.

Parte da direita contra Ana Amélia

Além de fake news e vídeos ressuscitados do passado, a senadora gaúcha está sendo alvo de críticas de seus próprios admiradores por conta da aliança com o PSDB de Alckmin.

Como há denúncias de esquemas de corrupção no estado de São Paulo, aumenta o coro dos críticos:

Reprodução/Facebook
Na própria página de Ana Amélia Lemos, seguidores destilam críticas à aliança com Geraldo Alckmin.

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O PP deve formalizar Ana Amélia na vice de Alckmin na convenção nacional do PSDB neste sábado (4).