POLÍTICA
04/08/2018 00:52 -03 | Atualizado 04/08/2018 09:30 -03

Escolha dos vices e tempo de TV: O que ainda falta ser decidido sobre as eleições

Fim de semana será destinado a convenções de partidos como PT, PSDB, Rede, Novo, Podemos e PSB.

Eleições presidenciais de outubro têm fim de semana decisivo com convenções de 9 siglas.
NurPhoto via Getty Images
Eleições presidenciais de outubro têm fim de semana decisivo com convenções de 9 siglas.

Os últimos dias foram tomados por revelações sobre o que o eleitor encontrará nas urnas neste ano, mas ainda há uma sequência de vazios que precisam ser decididos pelos partidos entre este sábado (4) e o domingo (5) para dar o pontapé oficial para as eleições.

São 14 os partidos (PT, PSDB, Rede, Podemos, Novo, PPS, PR, PSB, Patriotas, Pros, PRTB, PPL, PTC e PMB) que deixaram as escolhas para os últimos dias. As legendas têm até domingo para definir, em convenção, as coligações, escolher os candidatos, inclusive vices e suplentes. O registro dos candidatos em convenção podem ser feitos até às 19h do dia 15.

Há partidos, como o PT, que estão apostando no prazo até o dia 15 para escolher vice ou alterar a formação da chapa. Ao HuffPost Brasil, a Justiça Eleitoral afirmou que os ajustes dos resultados das convenções feitos após o dia 5 serão analisados caso a caso. É por isso que alguns partidos, como o próprio PT, também estão sendo aconselhados a decidir logo quem será o vice — ou a vice.

A escolha do vice

Seguindo essa recomendação, o PT previa anunciar neste sábado (4) a candidata à Presidência pelo PCdoB, Manuela D'Ávila como vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora tenha sido escolhida em convenção do partido, Manuela afirmou que trabalharia por uma união das esquerdas até o último momento. O arranjo, entretanto, foi vetado pelo ex-presidente.

AFP/Getty Images
Manuela D'Ávila, candidata do PCdoB à Presidência, seria anunciada neste sábado (4) como vice do ex-presidente Lula na chapa encabeçada pelo PT. O petista, entretanto, vetou a formalização do acordo para esta data.

Quem também está sem vice é o presidenciável do PDT, Ciro Gomes. Isolado por articulação do ex-presidente Lula, Ciro tentou acordo com o centrão para conquistar o empresário Josué Gomes (PR) como vice, também tentou Marcio Lacerda, do PSB, mas nenhum dos nomes foi para frente. No início deste ano, ele chegou a falar em Fernando Haddad (PT) e Marina Silva (Rede). No momento, entre os cotados está o deputado Silvio Costa (Avante-PE).

Há quem ainda aposte em uma possível aliança com dissidência do PT. De acordo com a revista Época, o ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT) negocia a vice com Ciro, caso a candidatura de Lula seja impedida. O entrave é que a principal aposta do PT é segurar a corda ao máximo, o que levaria uma desistência do nome do Lula apenas em 17 de setembro, prazo final para a candidatura do petista ser impugnada.

Preso desde 7 de abril, o ex-presidente é considerado inelegível pela Lei da Ficha Limpa, mas tem o direito de registrar a candidatura.

Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, também está sem vice. O candidato já ouviu negativas do senador Magno Malta (PR-ES), de generais do Exército e da advogada Janaina Paschoal, do seu próprio partido. Janaina não é carta completamente fora do baralho, mas Bolsonaro ainda cogita o príncipe Luiz Philippe de Orléans e Bragança ou Luciano Bivar, ambos do próprio PSL, e o general Hamilton Mourão (PRTB).

Outro que está sem vice é Henrique Meirelles, do MDB. O partido chegou a sondar a senadora Marta Suplicy (MDB-SP), mas levou uma negativa. Além de negar, a senadora anunciou que vai deixar o partido e não vai sair candidata. Vai fazer política por meio de participação popular.

Tempo de televisão

Só depois de definidas as coligações é que poderá ser feita a divisão do tempo de televisão para propaganda eleitoral. Até o momento, o que é possível ter é uma previsão, já que o tempo de cada partido é dividido de acordo com o tamanho da bancada de deputados.

A projeção é que o PT sozinho, por exemplo, tenha 88 segundos. O MDB, de Henrique Meirelles, tem em torno de 86 segundos. Com as alianças, o tempo de TV dos partidos aumenta. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, chega a 4 minutos e 46 segundos quando tem seu tempo somado ao dos partidos que formam o centrão.

Adriano Machado / Reuters
Aliança com o centrão abriu maior espaço para Alckmin no horário eleitoral. O tempo oficial só será divulgado após o registro das candidaturas.

Todos esses números, entretanto, dependem de que rumo os partidos decidirem tomar neste fim de semana. O tempo de TV do PSB, por exemplo, projetado em 46 segundos pode ajudar a engrossar alguma candidatura caso o partido mude o caminho que deve tomar, que é o da neutralidade.