POLÍTICA
02/08/2018 19:10 -03 | Atualizado 02/08/2018 19:21 -03

Senadora Ana Amélia (PP-RS) é escolhida vice de Alckmin após acordo com o centrão

DEM descartou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, cuja prioridade é garantir a reeleição como deputado federal.

A decisão de Ana Amélia (PP) como vice de Geraldo Alckmin (PSDB) visa a agregar o eleitorado feminino e o apoio do agronegócio.
Montagem/Agência Senado/Getty Images
A decisão de Ana Amélia (PP) como vice de Geraldo Alckmin (PSDB) visa a agregar o eleitorado feminino e o apoio do agronegócio.

A senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) deverá ser vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB). Após semanas de negociações, o centrão chegou a um acordo e emplacou nome do PP. A decisão tomada nesta quinta-feira (2) visa agregar o eleitorado feminino e o apoio do agronegócio.

"Estou abrindo mão do projeto ao Senado, mas em nome de um processo maior", disse a parlamentar em entrevista coletiva agora à tarde. A princípio, a senadora iria se candidatar à reeleição. O PP deve bater o martelo sobre a indicação dela nesta sexta-feira (3).

Uma das defensoras do impeachment de Dilma Rousseff e crítica ferrenha de Lula, Ana Amélia avisou nesta quinta que só aceitaria integrar a chapa se preservasse sua independência em um eventual governo Alckmin. E deixou claro que não vai querer uma posição de "vice decorativa", como o então vice Michel Temer se queixou em relação à Dilma.

"É uma honra muito grande para uma senadora de primeiro mandato chegar a essa condição. Nos últimos 40 anos, o cargo de vice até então em alguns momentos da História brasileira era um cargo decorativo e passou a ter relevância, o caso do ex-presidente Sarney, Itamar e agora com Michel Temer", afirmou Ana Amélia.

Pela manhã, aliados do tucano estavam entre 3 nomes. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) chegou a dizer que o bloco havia chegado a um consenso, mas o presidente do DEM, ACM Neto, disse que as negociações não haviam se encerrado.

À frente das tratativas, ACM Neto negou que Maia pudesse compor a chapa. "As conversas continuam. O nome do presidente Rodrigo Maia não é uma hipótese cogitada dentre aquelas que estão sendo avaliadas", afirmou a jornalistas na convenção nacional do DEM.

Uma das prioridades do partido é garantir a reeleição de Maia e que ele continue no comando da Câmara. A eleição de deputados federais também foi destacada pelo democrata. "Não basta elegermos o presidente do Brasil. Precisamos eleger bancadas fortes na Câmara e no Senado", afirmou Maia na convenção.

O presidente do DEM garantiu que o nome seria do "centro democrático". O bloco formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade formalizou o apoio ao tucano na última quinta-feira (26). Alckmin fechou ainda alianças com PSD, PPS e PTB, o que lhe garante 40% do tempo de propaganda de rádio e televisão.

Alckmin, por sua vez, afirmou que a escolha seria seria feita até sábado (4), data da convenção do PSDB. Ele já havia decidido que o vice não seria de São Paulo, para aumentar a nacionalidade da chapa. O tucano atualmente tem entre 6% e 7% das intenções de voto, de acordo com a última pesquisa Datafolha.

ACM também descartou o nome do senador Alvaro Dias, pré-candidato do Podemos, como vice. O democrata e ministro da Educação no governo Michel Temer, Mendonça Filho, também ficou de fora para se dedicar à campanha ao Senado.

Na semana passada, o empresário Josué Alencar, filiado ao PP, também havia negado o convite. O mineiro é filho de José Alencar, vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT ao Palácio do Planalto. O PP oficializou o apoio ao PSDB nesta quinta.