POLÍTICA
02/08/2018 13:27 -03 | Atualizado 02/08/2018 13:39 -03

Meirelles, o candidato de Temer, faz apelo à fé para convencer eleitores

“Essa convenção mais parece um enterro”, esbravejou Renan Calheiros (MDB-AL), furioso.

Meirelles aparece com 1% da intenção de votos na última pesquisa Datafolha, divulgada em junho.
Adriano Machado / Reuters
Meirelles aparece com 1% da intenção de votos na última pesquisa Datafolha, divulgada em junho.

Nem mesmo as pessoas próximas aos filiados do MDB estavam certas de que Henrique Meirelles seria o candidato do partido à Presidência. Nas mais de duas horas em que os filiados discursaram, era comum que as falas iniciassem com tom de dúvida.

"Sempre me perguntavam: 'O MDB vai mesmo ter candidato à Presidência?' E quando eu respondia que sim, me diziam que o Meirelles é o melhor candidato", contou, animado, o líder do partido na Câmara, Baleia Rossi (SP).

Foi contra os prognósticos de dúvidas que Meirelles foi confirmado candidato ao Palácio do Planalto com 85% dos votos. Na convenção que deu aval a chapa Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), em 2014, o percentual foi de 59%. Para o presidente do partido, Romero Jucá (RR), o resultado mostra "maturidade" e "unidade" da sigla.

Unidade não foi exatamente o que foi visto em discursos ferrenhos como os dos senadores Renan Calheiros (AL) e Roberto Requião (PR). Furioso, Renan ressaltou que a bancada do MDB na Câmara está diminuindo de tamanho e enfatizou que a rejeição do Temer é de "100%, não tem uma pessoa que goste dele".

"Essa convenção mais parece um enterro", esbravejou Renan Calheiros (MDB-AL), furioso. O mesmo clima de enterro foi retratado por Requião:

Ato de fé

Desacreditado pelo baixo desempenho nas pesquisas eleitorais (1% de intenção de votos na última Datafolha, de junho), Meirelles fez um apelo à fé dos correligionários e simpatizantes para alavancar sua campanha.

De nada adianta lutar pelos nossos sonhos se a gente não confia que um dia eles se transformarão em realidade.

O ex-ministro da Fazenda dos governos Temer e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contou que estudou em escola pública e que só chegou a ser presidente de uma instituição global porque tirou a palavra impossível do seu vocabulário.

Com esse tom otimista, ele mirou contra os adversários. Reclamou de extremistas, disse que o País não precisa de Messias e nem de eternos candidatos. "Essas ofertas só aumentam as desconfianças."

Michel Temer endossou a candidatura do aliado e arrancou risos da plateia. "Não somos pigmeus, o MDB é feito de gigantes e o gigante que vai nos conduzir é o Meirelles."