POLÍTICA
02/08/2018 12:36 -03 | Atualizado 02/08/2018 13:10 -03

'Leal' a Lula, Ciro critica PT: 'Não sei o que fiz para merecer essa hostilidade'

Acordo entre PT e PSB para isolar candidatura de Ciro à Presidência dever ser anunciado oficialmente nos próximos dias.

Reprodução/GloboNews
Ciro Gomes, candidato do PDT à Presidência, em entrevista à GloboNews.

Isolado na disputa pela Presidência da República por um acordo entre PT e PSB, o candidato Ciro Gomes (PDT) disparou críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT), a quem diz ter sido "extremamente leal".

"Não sei o que eu fiz para merecer esse tipo de conduta, de desapreço e de hostilidade", disse Ciro na quarta-feira (1) em entrevista ao Central das Eleições, programa da GloboNews. "Eu fui extremamente leal ao Lula", completou.

Segundo relatos na imprensa, o acordo foi costurado pelo ex-presidente Lula, que está preso.

Pelas tratativas, o PT se compromete a apoiar o PSB na disputa pelos governos de Amazonas, Amapá, Paraíba e Pernambuco, mesmo que para isso tenha que retirar candidaturas próprias nos estados. Em troca, o PSB ficaria neutro no 1º turno, enterrando de vez a negociação de uma aliança com Ciro.

Oficialmente, o acordo entre petistas e socialistas só deve ser confirmado na convenção nacional do PSB, no próximo domingo (5). Ciro, enquanto isso, diz que ainda não desistiu de uma coligação com o PSB.

"Estou aguardando que se confirme isso. E, se isso se confirmar, é um revés, mas não me abate nem me surpreende. Quando entrei nessa luta, sabia bastante bem que eu era o cabra marcado para morrer", afirmou.

A "lealdade" a Lula já rendeu problemas a Ciro nestas eleições.

Em entrevista concedida em julho à TV Difusora, do Maranhão, o ex-governador do Ceará disse que Lula só terá chance de sair da cadeia se "a gente assumir o poder e organizar a casa". "Botar juiz para voltar para a caixinha dele, botar o Ministério Público para voltar para a caixinha dele e restaurar a autoridade do poder político", afirmou na ocasião.

A declaração foi recebida com indignação no Judiciário, e Ciro teve que se explicar. Na entrevista ao canal da Globo, o candidato tentou se justificar e disse que o Brasil vive uma "anarquia institucional".

Como exemplo, ele citou o episódio em que o desembargador plantonista Rogério Favreto, do TRF-4, concedeu habeas corpus determinando a soltura de Lula, provocando uma batalha judicial no dia 8 de julho. "É um estado de baderna", disse Ciro.

Com o desenrolar das estratégias do PT para isolá-lo, Ciro disse que Lula não deve conseguir ser candidato – condenado na segunda instância, o ex-presidente deve ser barrado pela Lei da Ficha Limpa – e que as atitudes do PT colocam o Brasil "à beira do abismo".