POLÍTICA
01/08/2018 18:50 -03 | Atualizado 01/08/2018 21:27 -03

PT e PSB devem fechar acordo e isolar Ciro na disputa à Presidência

PSB pode ficar neutro no 1º turno. Em troca, PT vai apoiar socialistas aos governos de Amazonas, Amapá, Paraíba e Pernambuco.

Ciro Gomes (PDT) buscou o apoio do PSB para a corrida ao Planalto.
Mauro Pimentel/AFP/Getty Images
Ciro Gomes (PDT) buscou o apoio do PSB para a corrida ao Planalto.

O PT e o PSB devem fechar um acordo para a disputa presidencial das eleições 2018.

O PSB pode se comprometer a ficar neutro no 1º turno e não apoiar nenhum candidato à Presidência. O PT temia uma aliança dos socialistas com o presidenciável Ciro Gomes (PDT), que pode ser o maior adversário dos petistas entre o eleitorado de esquerda.

Em troca, o PT se comprometeu a retirar a candidatura da vereadora do Recife Marília Arraes ao governo de Pernambuco, abrindo caminho para o governador Paulo Câmara (PSB), que tenta a reeleição. Arraes, porém, diz que não vai desistir.

Não tenho o direito de recuar e colocar a esperança do povo de Pernambuco como moeda de troca a preço de banana.Marília Arraes, pré-candidata do PT ao governo de Pernambuco.

Em resolução aprovada nesta quarta e divulgada à imprensa, o PT diz que também vai apoiar os candidatos do PSB aos governos de Amazonas, Amapá e Paraíba.

Além da neutralidade, o PSB deve se comprometer a retirar a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda ao governo de Minas Gerais. A medida visa beneficiar o governador Fernando Pimentel (PT), candidato à reeleição.

A posição oficial do PSB deve ser anunciada na convenção do partido, no próximo domingo (5).

"Prioridade absoluta" a Lula

A resolução, assinada pela Comissão Executiva Nacional do PT, reitera a posição do partido em "conferir prioridade absoluta" à candidatura ao Planalto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Com o objetivo de fortalecer a unidade do campo popular em torno da candidatura Lula, e na perspectiva de construir as condições políticas para que uma aliança progressista governe o País a partir de janeiro de 2019, a direção do PT desenvolveu intenso diálogo com outros partidos, prioritariamente PSB e PCdoB, com os quais temos vínculos históricos", diz o texto.

Impasse em Pernambuco

Em entrevista concedida na noite desta quarta-feira (1), Marília Arraes reafirmou que não desiste de concorrer ao governo do estado. Segundo ela, um recurso foi enviado ao Diretório Nacional do PT na tentativa de reverter a decisão de retirar sua candidatura.

"Esta é uma candidatura da base do PT, que hoje tem o apoio massivo da sociedade de Pernambuco. Não tenho o direito de recuar e colocar a esperança do povo de Pernambuco como moeda de troca a preço de banana", disse Arraes.

O recurso deve ser apreciado nesta quinta-feira (2), ao mesmo tempo em que delegados do PT local estarão reunidos no Recife para decidir se lançam candidatura própria do partido ou não. "Essa questão vai ser discutida até as últimas instâncias", completou Arraes.

Antes da divulgação da resolução do PT, Marília Arraes divulgou um vídeo no qual classificou de "ataque especulativo" a notícia sobre um acordo com o PSB.


Alguns petistas já criticam o acordo com o PSB.

Para o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), Marília Arraes é "uma liderança promissora". Já o ex-governador gaúcho Tarso Genro (PT) diz que Arraes é "o grande quadro renovador da esquerda no Nordeste".