POLÍTICA
01/08/2018 17:51 -03 | Atualizado 01/08/2018 18:21 -03

Eduardo Jorge, cotado para vice de Marina, discorda dela sobre aborto e drogas

Presidenciável pelo PV em 2014 afirmou que descriminalização do aborto é “acabar com uma lei medieval em pleno século 21”.

Legalização da maconha seria um "um avanço tremendo para o Brasil", porque enfraqueceria o crime organizado, disse Eduardo Jorge.
Montagem/Agência Brasil/Getty Images
Legalização da maconha seria um "um avanço tremendo para o Brasil", porque enfraqueceria o crime organizado, disse Eduardo Jorge.

Cotado para vice da pré-candidata da Rede à Presidência da República, Marina Silva, Eduardo Jorge (PV) defende a descriminalização da maconha e do aborto. A ex-senadora, por sua vez, defende a legislação atual e afirma que uma mudança só deveria vir por meio de um plebiscito.

Candidato ao Palácio do Planalto em 2014, Jorge defendeu a legalização da interrupção da gravidez. "Deixar de considerar criminosas entre 700 e 800 mil mulheres que fazem aborto por ano é acabar com uma lei medieval em pleno século 21. É uma coisa inacreditável que o Brasil tenha uma lei machista e cruel como essa para punir mulheres que, por algum motivo, se submetem ao risco de procedimentos clandestinos. Revogar essa lei é uma questão urgente de saúde pública", afirmou em entrevista ao jornal O Globo.

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2017, foram feitos 190 mil procedimentos pós-abortamento. A estimativa médica é de que 2/3 desse total sejam consequência de abortos clandestinos. Já a Pesquisa Nacional de Aborto 2016 estima que tenham ocorrido 500 mil interrupções de gravidez em 2015.

Jorge lembrou que apresentou propostas sobre o tema quando foi deputado federal, mas foi derrotado. Ele defendeu o atendimento de qualidade para mulheres nos serviços de saúde, melhora das políticas de planejamento familiar educação sexual nas escolas de Ensino Médio.

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Em 2010, Eduardo Jorge apoiou candidatura de Marina Silva pelo PV.

Marina, por sua vez, é contra o aborto, mas defende um plebiscito sobre o tema. "Ainda que o Congresso tenha legitimidade para fazê-lo, em temas tão abrangentes, que envolvem questões de natureza de saúde pública, natureza ética, natureza filosófica e religiosa, é bom que se tenha o debate, não o embate. Eu sou contra, mas defendo o plebiscito", afirmou em entrevista à RedeTV em junho.

Ao responder sobre o tema em sabatina na GloboNews nesta terça-feira (31), a presidenciável defendeu a legislação atual e afirmou que a descriminalização não deve ser decidida pelo STF (Supremo Tribunal Federal). "Não acho que um tema dessa complexidade, que envolve uma série de questões, de ordem ética, moral, de saúde pública, de ordem religiosa, deva ser decidido pelo Supremo".

O STF inicia nesta sexta-feira (3) audiências públicas da ação que pede a legalização do aborto até a 12a semana de gestação, independente do motivo. Hoje o procedimento só é permitido em caso de estupro, risco de vida da mulher ou feto anencefálico.

Descriminalização da maconha

Na campanha de 2014, o então candidato do PV ganhou destaque por defender a legalização da maconha. De acordo com ele, a mudança seria um "um avanço tremendo para o Brasil", porque enfraqueceria o crime organizado.

Jorge também sustentou que a descriminalização permitiria uma mudança no tratamento de saúde. "O que eu diria sobre a maconha, se fosse legalizada, é o que digo sobre o álcool e o tabaco. É melhor não usar, por isso, isso e isso. Mas se for usar, use o menos possível. Se você tiver sintomas de dependência, eu quero te ajudar o mais rápido possível", disse.

Sobre outras drogas, o então presidenciável defendeu uma legalização progressiva e analisada caso a caso.

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Eduardo Jorge defende descriminalização da maconha e análise caso a caso para outras drogas.

Já a candidata da Rede também defendeu um plebiscito quando questionada sobre a descriminazliação de drogas. "Não se resolve o problema das drogas e do aborto rotulando alguém de conservador ou fundamentalista", afirmou em entrevista à revista Veja em junho.

Em pré-campanha, Marina tem buscado o voto de evangélicos e participado de cultos. A presidenciável, contudo, mantém o discurso de defesa do Estado laico e nega que sua religião irá impactar nas políticas públicas, se eleita. "Depois que me converti à fé cristã evangélica, esse preconceito às vezes é mais visível. Há uma tendência a generalizações", afirmou ao site Metrópoles em julho.

Marina busca vice para sair do isolamento

Isolada na corrida eleitoral, Marina usa os últimos dias antes da convenção da Rede, no sábado, para tentar conquistar alianças. Nesta terça, ela afirmou que aguarda posição do PV, que também cogita o apoio a Geraldo Alckmin (PSDB). Marineiros também conversaram com integrantes do PHS e PMN, mas uma coligação não foi adiante.

Jorge se mostrou disposto a compor a chapa com a Rede. "Eu fui candidato a presidente em 2014 em uma missão para ajudar o PV. Nós precisávamos ter um candidato, e gente mais preparada que eu não quis. Então, eu fui, em missão. Fiz o meu papel. Desde os 16, 17 anos eu venho enfrentando missões porque eu gosto do Brasil, não é por mim não. Se eu for vice de Marina será um nova missão", afirmou ao jornal O Globo.

O ex-deputado apoiou a candidatura presidencial da ex-senadora pelo PV em 2010. Sobre a saída da ex-senadora do partido, o possível você afirmou em 2014 que era um erro dividir o movimento ambientalista.

O PV conta com 4 deputados federais, enquanto a Rede tem 2 integrantes. Sem alianças, Marina terá 4 segundos de propaganda eleitoral em rádio e televisão. Na última pesquisa Datafolha, divulgada em junho, ela registrou 15% das intenções de voto no cenário com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fora da disputa, atrás apenas de Jair Bolsonaro (PSL), com 17%.