POLÍTICA
29/07/2018 13:31 -03 | Atualizado 29/07/2018 14:35 -03

'Taxação das grandes fortunas pode gerar dinheiro para Ciência', diz Walter Neves

Walter Neves, arqueólogo e antropólogo conhecido como 'Pai de Luzia', representou o PPL no Conhecer Eleições 2018.

Paulo Amaral/AOL
Walter Neves (com o microfone) é sabatinado na Casa de Portugal.

Arqueólogo e antropólogo conhecido como 'Pai de Luzia', Walter Neves, candidato a deputado federal pelo PPL, acredita que a forma mais prática de resolver o baixo investimento do Governo na área da Ciência está bastante clara.

"Temos 4% do PIB perdido em tributos. Se dermos uma atarrachada nessa questão de subsídios, podemos diminuir substancialmente o que não vem aos cofres públicos. A gente subsidia nesse País até filé mignon, e não conheço ninguém das favelas que coma filé mignon", ponderou.

"Outra coisa é a taxação das grandes fortunas e grandes salários. Se aumentar de 6% para 9%, produziremos R$ 180 bilhões, que é o tamanho da dívida pública. Reduzindo os subsídios e aumentando a taxação das grandes fortunas, conseguiremos dinheiro para Ciência e Tecnologia."

Neves representou João Goulart Filho, aposta do partido na corrida presidencial, na sabatina Conhecer Eleições Presidenciais deste domingo (29).

O investimento na área de Ciência servirá, na visão do representante do PPL, até como forma de combater a fome que assola uma larga fatia da população brasileira. "Não consigo dormir sabendo que tem 3 milhões de pessoas no Brasil passando fome. Talvez se investirmos mais em Ciência e Tecnologia, principalmente na questão de alimentos, possamos ajudar. Não podemos permitir que nenhum cidadão passe fome nesse País."

Neves chegou a atacar os próprios companheiros de área ao dizer que um dos principais problemas da Ciência no Brasil é dos cientistas propriamente ditos. "Há uma diferença entre educação científica e divulgação científica. A esmagadora maioria dos pesquisadores não desce do salto alto e não faz divulgação científica para o grande público."

Para resolver parcialmente esse problema e dar início à divulgação para uma parcela maior da população, Walter Neves alegou estar fazendo sua parte. "Criamos um grupo na USP chamado Cientistas Engajados. Chegamos a conclusão de que se não tivermos pessoas nos representando, nossas demandas não vão reverberar no mundo político".

Mulheres e cotas raciais

Assim como fizeram João Paulo Capobianco e Paulo Rabello, primeiros sabatinados do domingo, Walter Neves emitiu sua visão sobre os problemas enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho, e também deu seu parecer a respeito das cotas para negros.

"Sou contra cotas raciais, mas a favor de cotas sociais, até porque os negros não são os únicos pobres no Brasil", ponderou. "A questão de gênero não se restringe às mulheres. Não sabemos a quantidade de gays, lésbicas ou trans que estão desenvolvendo ciência. Comparativamente, as mulheres já estão em um caminho de empoderamento."