POLÍTICA
29/07/2018 12:59 -03 | Atualizado 29/07/2018 13:01 -03

Capobianco: 'Marina acredita na ciência. Ela diz é que as pessoas têm o direito de ter fé'

João Paulo Capobianco, representante de Marina Silva, pré-candidata da Rede à Presidência, foi sabatinado por pesquisadores e divulgadores científicos neste domingo (29).

Montagem/Reuters/Reprodução/YouTube
Capobianco negou que Marina desacredite na ciência, ao falar sobre a declaração que teria dado em 2010 defendendo a teoria criacionista.

"A Marina Silva acredita na ciência. É só olhar a sua trajetória política. O que ela diz é que as pessoas que têm fé têm o direito de ter fé. O Brasil é um estado laico e não há a menor chance dessa mistura."

Foi com essa afirmação que João Paulo Capobianco, coordenador de programa de Marina Silva, explicou a pesquisadores e divulgadores científicos o posicionamento da pré-candidata da Rede sobre religião. De acordo com Capobianco, Marina Silva foi vítima de uma onda de fake news em relação a defesa sobre criacionismo. Ele destacou que ela tem uma posição em relação à religião bastante clara e cristalina.

Com tal declaração, descartou qualquer possibilidade de as escolas públicas adotarem o tema Religião como matéria obrigatória no currículo.

"Na escola pública não há espaço para ensinar religião. O Estado é laico (neutro no campo religioso). Essa é uma questão clara e cristalina. Se alguém quer colocar o filho em uma escola religiosa, tem que ir para uma particular. Isso é uma escolha da família."

O coordenador do programa de Marina foi sabatinado no Conhecer Eleições 2018 neste domingo (29) pelos especialistas Carlos Menck, Fernanda Merini, Natália Friol e David Ayrolla. Capobianco também foi pressionado para falar não apenas sobre os baixos valores reservados à Ciência no orçamento.

Investimentos

Além da quente discussão sobre o possível conflito entre as crenças religiosas da candidata Marina Silva e a Ciência, Capobianco foi sabatinado sobre o principal temor dos envolvidos nesse campo: O baixo investimento e até desinteresse do governo sobre a Ciência.

"O problema da Ciência não é só o financiamento, mas um conjunto de burocracias que impedem o seu avanço. Exemplos: taxação sob a importação de máquinas e a distância entre a Ciência e inovação", pontou. "O grande problema do Brasil é o estelionato eleitoral, onde as propostas e objetivos só valem para a campanha eleitoral. Assim que eleito, a primeira medida dos candidatos costuma ser mudar todas as propostas", emendou, garantindo que não será essa a tônica de um possível governo de Marina Silva.

Para resolver os problemas de investimento, Capobianco assegurou o compromisso de cumprir com o destino de 2% do PIB brasileiro à área da Ciência.

Mulheres cientistas

Manter condições de igualdade para cientistas do sexo feminino, especificamente as que são mães, foi outro ponto do debate.

"Isso é uma prioridade. Ontem mesmo estávamos debatendo essa questão das condições da mulher. E também da licença-paternidade. Do aumento dela e como compor com a maternidade para dar maior assistência à mulher trabalhadora, pois não é só o caso das pesquisadoras. Está espalhado em toda a economia brasileira essa desigualdade e essa exclusão."