COMPORTAMENTO
27/07/2018 11:35 -03 | Atualizado 27/07/2018 11:47 -03

Jefferson Schroeder faz sucesso no Instagram ao dublar mais de 30 vozes

"Eu não sou profissional. No começo, eu tinha medo de ser mal interpretado, de parecer que eu estava debochando da dublagem ou algo do tipo."

O ator Jefferson Schroeder.
Reprodução/Instagram
O ator Jefferson Schroeder.

O ator catarinense Jefferson Schroeder tem uma fonte de inspiração um tanto quanto divertida: as personagens típicas de filmes americanos da Sessão da Tarde.

Foi ao analisar a forma como os protagonistas eram dublados para as versões brasileiras dos programas que Jeff, como é conhecido, desenvolveu mais de 30 vozes de personagens.

"Eu não sou profissional. No começo, eu tinha medo de ser mal interpretado, de parecer que eu estava debochando da dublagem ou algo do tipo. Mas as minhas referências sempre foram as personagens. Sempre tem uma protagonista chama Kate nos filmes americanos que fala de uma forma sexy e eu tento imitar isso", contou, em entrevista ao HuffPost Brasil.

Com o bordão #ohmeudeux, que virou hashtag popular no Instagram, o jovem acumula mais de 300 mil seguidores em seu perfil.

Na rede, ele costuma publicar vídeos curtos de dublagens antigas e outras mais recentes. Entre as personagens, estão as vozes de Kate Brian, a americana; Joshua, o adolescente; e Roberta, a musa fitness.

Em 2017, outra personagem de Jeff lhe rendeu bons fruntos. O monólogo A produtora e a gaivota , em que ele interpreta Meire Sabatine, venceu o Prêmio do Humor 2017/2018 nas categorias melhor texto e melhor performance. No espetáculo, Meire narra sozinha a história de A Gaivota, uma clássica obra do teatro de Tchekhov, já que o resto do elenco ficou preso em um engarrafamento.

A popularidade de Jefferson, contudo, aumentou exponencialmente após o making off de sua participação em um dos vídeos do programa Porta dos Fundos viralizar.

Na cena, Jeff está se preparando para filmar com Fábio Porchat e imita algumas de suas vozes. Até então desconhecido para o público, o dublador amador caiu nas graças da internet e viu o seu trabalho ser enaltecido pelos fãs das vozes cheias de personalidade.

Depois disso, Jeff estrelou uma campanha para o aplicativo iFood em que apresenta alguns de seus personagens em 4 vídeos que somam mais de 10 milhões de viausalizações.

Nascido em Canoinhas, em Santa Catarina, o jovem ator se formou em teatro na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), no Rio de Janeiro. Entre produções de roteiros e participações, Jefferson acredita que o seu canal ajudou a popularizar o trabalho dos dubladores no Brasil.

"Fico feliz por ter uma troca com esses dubladores mais experientes agora. E é incrível ver o público se surpreender com o rosto por trás de cada uma das vozes", compartilha.

Leia a entrevista completa.

Como você começou a parceria com o Porta dos Fundos?

Eu conheço o Fabio Porchat há 10 anos. Quando eu estudava teatro no Rio de Janeiro, eu trabalhei com uma diretora que se tornou a minha referência para tudo. Ela me deu o contato do Porchat. Um dia, eu resolvi ligar para ele, perguntei se ele tinha um tempinho e encenei as 30 vozes diferentes que eu sabia fazer. Depois disso, ele me ajudou a escrever um texto para stand up comedy. Eu apresentei essa cena no Programa do Faustão, mas foi uma tragédia. Eu não tinha experiência e a televisão é um mundo completamente diferente do teatro. A relação com o Porchat continuou e eles me convidaram para testar alguns vídeos com eles. Já fiz mais de 8 vídeos.

Dica • Momento Canal Viva #ohmeudeux vídeo de 2015

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Foi ai que você viralizou, né? Com o vídeo da "Fofoca de Mãe"...

Isso. Durante o making off do Fofoca de Mãe, eu imitei algumas vozes de dublagem. Nas redes sociais, alguém editou esse trecho e aí viralizou. O próprio Fábio Porchat postou o vídeo no Instagram dele e as pessoas começaram a perguntar quem eu era. Com isso, apareceu 200 mil pessoas novas me seguindo no Instagram da noite para o dia. Eu comecei a precisar lidar do nada com essas pessoas. Você perde o controle do que você produz, porque você não tem noção de quantas pessoas estão te vendo. Como eu faço vídeos de humor, já recebi muitas mensagens dizendo que eu tava melhorava a vida dessas pessoas. Fico feliz que meu trabalho esteja impactando dessa forma.

E como começou toda essa história de dublagem?

Eu sou de Canoinhas, em Santa Catarina. Mas eu estudei teatro no Rio de Janeiro, na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL). Eu não sou dublador profissional. Essas vozes são imitações que eu faço. E esses vídeos curtinhos de dublagem tem anos que eu faço. Quando eu publicava o material no Instagram, eu sempre colocava a tag #ohmeudeux e guardava meus vídeos nela. Então, eu sempre posto uns vídeos antigos, coisa de 5 anos atrás, que eu fazia dublagens na rua, com cenas do cotidiano, mas que agora está repercutindo entre os meus seguidores.

Pessoas sobrenaturais #ohmeudeux Fiz este vídeo em 2014

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Quem tem inspira a criar essas vozes?

No começo, eu tinha medo de ser mal interpretado, de parecer que eu estava debochando da dublagem ou algo do tipo. E não é isso. Eu adoro dublagem. Eu sempre gostei, mas eu imitava essas vozes sem muitas referências dos profissionais. As minhas referências sempre foram as personagens. Sempre tem uma protagonista chama Kate nos filmes americanos que fala de uma forma sexy. E no Brasil, sempre tem um senhorzinho com um sotaque mais paulista do interior, né? Depois que eu comecei a divulgar mais no meu Instagram, alguns dubladores vieram falar comigo. E eu quero me profissionalizar nisso. Dublar um desenho da Disney, já pensou? Criar novas vozes. Mas antes eu preciso estudar. Fico feliz por ter uma troca com esses dubladores mais experientes agora. E é incrível ver o público se surpreender com o rosto por trás de cada uma das vozes.