POLÍTICA
27/07/2018 14:30 -03 | Atualizado 27/07/2018 15:20 -03

Caso MBL: Facebook não remove fake news, e sim contas falsas

Exclusão das páginas foi feita por violação de normas e padrões da comunidade, após "investigação rigorosa".

Kim Kataguiri, um dos líderes do MBL. Grupo está acampado em frente ao Facebook.
Rodrigo Capote/Bloomberg/Getty Images
Kim Kataguiri, um dos líderes do MBL. Grupo está acampado em frente ao Facebook.

Integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre) estão acampados em frente ao prédio que abriga a sede do Facebook em São Paulo e cobram que a direção da rede social no Brasil apresente "provas" para a exclusão de 196 páginas e 87 perfis da plataforma.

O grupo alega que o Facebook não deu justificativas e sugere, por exemplo, que seja apresentada "uma página com notícia falsa" que tenha publicado.

O Facebook, no entanto, não remove notícias falsas da plataforma. A rede atua para reduzir a distribuição de fake news e uma das formas de fazer isso é excluindo contas falsas.

Precisamos ter certeza de que estamos protegendo as eleições, e por isso estamos removendo contas falsas e reduzindo notícias falsas.Katie Harbath, diretora do Facebook.

"Reduzir a disseminação de notícias falsas no Facebook é uma responsabilidade que levamos a sério. (...) Existe uma linha tênue entre notícias falsas e sátiras ou opiniões. Por esse motivo, não removemos notícias falsas do Facebook, mas, em vez disso, reduzimos significativamente sua distribuição", informa a rede social em "Padrões da Comunidade".

Quanto às contas falsas, o Facebook afirma que "a autenticidade é o pilar" da comunidade. "Acreditamos que as pessoas se responsabilizam mais pelo que dizem e fazem quando usam identidades genuínas. É por isso que exigimos que as pessoas se conectem ao Facebook com o nome real."

Neste ponto, a rede social afirma ainda que os usuários não devem se envolver em "comportamento não autêntico", que inclui criar ou gerenciar "contas falsas; contas com nomes falsos; contas que participam de comportamentos não autênticos coordenados, ou seja, em que múltiplas contas trabalham em conjunto" com a finalidade de "enganar as pessoas".

E foi justamente esta a justificativa que o Facebook deu ao remover as contas, após "rigorosa investigação".

"Essas páginas e perfis faziam parte de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação", afirmou a rede social em comunicado na quarta-feira (25).

Se entre os perfis removidos há contas que não eram falsas, como alega o MBL, o Facebook pode ter detectado o uso dessas contas como parte dessa "rede coordenada" que atuava para manipular o debate na plataforma. Para o MBL, trata-se de "censura".

Escândalo nos EUA e eleições no Brasil

O esforço por um controle maior das informações que circulam no Facebook ocorre na esteira do escândalo do vazamento de dados de milhares de americanos, que teriam sido usados pela campanha de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos em 2016, influenciando o resultado das eleições.

Nicholas Kamm/AFP/Getty Images
Campanha de Donald Trump à Presidência dos EUA teria se beneficiado de dados vazados.

Em março de 2018, os jornais New York Times e Guardian revelaram que os dados de mais de 50 milhões de usuários foram usados sem o consentimento deles pela consultoria política Cambridge Analytica. Depois, o próprio Facebook estimou em 87 milhões o número de usuários atingidos.

Em visita nesta semana ao Brasil para falar sobre as ações da rede social para "proteger as eleições" de outubro, a diretora global de engajamento com políticos e governos do Facebook, Katie Harbath, disse que a plataforma está "fazendo o melhor para garantir que isso [vazamento e uso indevido de dados] não ocorra novamente".

"Há coisas que ocorreram na plataforma em 2016 que certamente não deveriam ter acontecido", disse Harbath em encontro com jornalistas. "Precisamos ter certeza de que estamos protegendo as eleições, e por isso estamos removendo contas falsas e reduzindo notícias falsas. Isso se tornou uma prioridade para nós."

Checagem de notícias no Facebook

Em maio, o Facebook anunciou no Brasil uma parceria com as agências de fact checking Lupa e Aos Fatos.

As duas agências de checagem terão acesso às notícias denunciadas como falsas pelos usuários para, então, analisar sua veracidade. De acordo com o Facebook, os conteúdos classificados como falsos terão sua distribuição orgânica reduzida.