POLÍTICA
26/07/2018 08:37 -03 | Atualizado 26/07/2018 08:37 -03

Sem consenso para plano B, centrão e PSDB apostam em Josué como vice até o fim

“É para ele sentir que tem de participar desse projeto maior do País”, afirmou o líder do PR, José Rocha.

"Agradeço ao jovem líder empresarial Josué Gomes pelas palavras de apoio", escreveu Alckmin sobre artigo de Josué Alencar.
Ueslei Marcelino / Reuters
"Agradeço ao jovem líder empresarial Josué Gomes pelas palavras de apoio", escreveu Alckmin sobre artigo de Josué Alencar.

Sem consenso para um plano B, PSDB e centrão insistem até o último instante para que o empresário Josué Alencar aceite ser vice do tucano Geraldo Alckmin na disputa presidencial. Filiado ao PR, o mineiro é filho de José Alencar, vice-presidente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O bloco formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade anuncia nesta quinta-feira (26) formalmente o apoio ao ex-governador de São Paulo, sem bater o martelo sobre o vice.

Com a aliança, a candidatura do tucano ganha musculatura e ele terá 40% do tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão. O presidenciável também conta com o apoio do PSD, PTB, PV e PPS.

Nesta quarta-feira (25), a sede do PSDB em Brasília foi cenário de reuniões diversas, principalmente focada em negociações locais e à espera de um "sim" de Josué. Ele alegou questões familiares para não aceitar o posto, mas manteve o canal aberto.

À noite, o assunto foi discutido em jantar na na casa do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos alvos da Operação Lava Jato. Em abril, a Polícia Federal fez buscas no gabinete do parlamentar em investigação por obstrução de Justiça. À tarde, ele encontrou Alckmin na sede do PSDB em Brasília. Após pouco mais de 10 minutos de reunião, saiu defendendo o nome de Josué.

Apesar da esperança, o empresário não se mostrou disposto a assumir a função até o fim da noite. "Ajustamos um encontro depois do anúncio [de apoio], oportunidade em que esperamos ter uma confirmação de eventual concordância ou negativa por parte de Josué Alencar e, caso haja negativa, vamos nos debruçar sobre a identificação de um nome", afirmou o presidente do DEM, ACM Neto, a jornalistas, após jantar na casa de Ciro Nogueira.

Alckmin minimizou a demora na decisão e disse ter até 4 de agosto, data da convenção do PSDB, para definir a composição de sua chapa "O vice não está definido. Não temos pressa também para definir. Esse é um bom problema, porque nós vamos ter boas opções", afirmou a jornalistas após o jantar com o centrão.

Reprodução/Facebook
Embora resista ao cargo de vice, Josué tem demonstrado apoio a Alckmin. Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, ele elogiou as medidas de austeridade adotadas pelo governo do tucano.

Presidente informal do PR, Valdemar Costa Neto, além de outras lideranças, ligaram para Josué nos últimos dias. "É para ele sentir que tem de participar desse projeto maior do País", afirmou ao HuffPost Brasil o líder do PR, deputado José Rocha (PR-BA). O nome reforça a ideia de oposição a extremos. "Ele é de centro, o pai era de centro", completou o parlamentar.

Integrantes do PSDB e do centrão têm se esforçado em uma unificação do campo à direita para evitar a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) ou de um candidato da esquerda, como Ciro Gomes (PDT) ou quem tiver o apoio de Lula.

Apesar da ligação do pai com Lula, Josué tem demonstrado apoio a Alckmin. Nesta quarta, o empresário publicou artigo na Folha de S. Paulo em que elogia medidas de austeridade adotadas pelo governo do tucano, além de elogiar sua capacidade de diálogo e chamá-lo de "um cidadão de bem, ser humano apegado e dedicado à família".

Considerado o "vice do sonhos", Josué aposta no governo de São Paulo como capaz para promover o equilíbrio fiscal no Brasil. "O perfil de Geraldo Alckmin não deixa dúvidas. Aplaudo os partidos que tomaram a acertada decisão de apoiar sua candidatura. Definitivamente, não é hora de apostar em aventuras e 'salvadores da pátria'", escreveu.

O texto provocou esperança no PSDB. À tarde, o tucano retribuiu o gesto e fez um aceno a Josué.

Além do mercado financeiro, o apoio ao nome de Josué na cúpula do centrão ganhou força diante da falta de consenso para um plano B. Foram cotados para vice o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), ex-ministro da Educação de Michel Temer; o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (Solidariedade), ex-ministro nos governos Lula e de Dilma Rousseff e a senadora Ana Amélia (PP-RS), que prefere tentar a reeleição. Também entrou na lista o empresário Benjamin Steinbruch, filiado ao PP e antes cotado como vice de Ciro Gomes.

No DEM, a prioridade é continuar no comando da Câmara, hoje com Rodrigo Maia (DEM-RJ). A avaliação é de que não seria possível essa conquista e emplacar o número 2 na chapa. Presidente do DEM, ACM Neto não chegou a se reunir com Alckmin em Brasília antes do jantar desta quarta com todo o grupo. Mendonça Filho é candidato ao Senado neste ano.

O nome de Aldo Rebelo, por sua vez, foi rechaçado por parte do grupo que considera sua imagem atrelada aos governos petistas. Ele foi ministro da Defesa, Ciência e Tecnologia e Esportes no governo Dilma e da Coordenação Política de Lula. Por outro lado, o bom trânsito no Congresso conta a favor.

Ex-integrante do PCdoB, Aldo é filiado ao Solidariedade, que chegou a lançá-lo como presidenciável. O partido comandado pelo deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) realiza sua convenção no próximo sábado (28). Ao chegar ao jantar na casa de Ciro Nogueira, Paulinho criticou a demora na escolha. "Acho que o Josué não foi muito correto fazendo a gente esperar esse tempo", afirmou a jornalistas.