POLÍTICA
26/07/2018 14:22 -03 | Atualizado 26/07/2018 14:24 -03

Partidos de esquerda vão ao STF por liberação de showmício nas eleições

PSB, PT e PSol pedem revisão de regra que proíbe shows na campanha eleitoral, em vigor há 12 anos.

Lula com artistas e intelectuais durante ato "em defesa da democracia", em janeiro, no Rio.
Ricardo Moraes/Reuters
Lula com artistas e intelectuais durante ato "em defesa da democracia", em janeiro, no Rio.

PSB, PT e PSol entraram com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo revisão de regra que proíbe showmícios durante a campanha eleitoral, em vigor há 12 anos no Brasil.

Os partidos querem autorização para promover shows gratuitos, sem cobrança de cachê pelos artistas.

Para isso, pedem que seja declarada a inconstitucionalidade parcial de artigo da Lei 9.504/1997, que veta "a realização de showmício e de evento assemelhado para promoção de candidatos, bem como a apresentação, remunerada ou não, de artistas, com a finalidade de animar comício ou reunião eleitoral", a partir da exclusão da expressão "ou não" do texto (artigo 39, parágrafo 7, acrescentado pela Lei 11.300/2006).

Veda-se o showmício com base na premissa de que o eleitor não tem a capacidade de avaliar criticamente as mensagens que recebe para fazer suas escolhas eleitorais. O eleitor é tratado como criança imatura.Petição apresentada por PSB, PT e PSOL.

As legendas afirmam que o veto a showmícios não remunerados configura "clara ofensa à liberdade de expressão, absolutamente incompatível com a Constituição de 88".

"Vale destacar que tanto a atividade artística como as manifestações de natureza política compõem o núcleo essencial da liberdade de expressão. Música não é apenas entretenimento, mas também um legítimo e importante instrumento para manifestações de teor político, como bem revela a riquíssima história da música brasileira", argumentam.

"Restrições às artes no contexto eleitoral não ofendem apenas os direitos dos artistas e dos candidatos que eles apoiem. Elas violam também o direito dos eleitores, que ficam privados do acesso a manifestações artísticas que poderiam ser relevantes para a formação do seu próprio convencimento político", continua a petição.

Os partidos dizem, ainda, que o conceito de liberdade de expressão parte da premissa de que as pessoas adultas têm condições de avaliar as mensagens que recebem para, então, refletir e tomar decisões.

"Veda-se o showmício com base na premissa de que o eleitor não tem a capacidade de avaliar criticamente todas as mensagens que recebe para fazer as suas escolhas eleitorais. O eleitor é tratado como criança imatura e não como cidadão de um Estado Democrático de Direito", concluem.

O relator do processo no STF é o ministro Luiz Fux, que determinou que o caso será analisado direto pelo plenário, em caráter definitivo, o que pode ocorrer ainda em agosto.

Fux afirma que "a matéria versada se reveste de grande relevância" e já determinou que Presidência da República, Câmara dos Deputados, Senado, Advocacia-Geral da União e Procuradoria-Geral da República se manifestem sobre a questão.

Senado é contra mudança

O Senado foi o primeiro a se manifestar. Em parecer enviado ao STF nesta quarta-feira (25), a Advocacia do Senado defendeu a proibição de showmícios na campanha eleitoral.

"Há cerca de 12 anos existe a proibição de showmícios ou eventos assemelhados, remunerados ou gratuitos e, neste período, não houve qualquer impugnação quanto à regra. Tal fato demonstra que a norma tem aceitabilidade e é tida como constitucional", argumentaram os advogados do Senado.

O documento diz, ainda, que "a interferência do Poder Judiciário nas funções típicas do Poder Legislativo só pode ser concebida para casos excepcionalíssimos e constitucionalmente permitidos, o que não ocorre na ação em tela".