POLÍTICA
26/07/2018 15:02 -03 | Atualizado 26/07/2018 16:49 -03

Cercado por 11 homens do centrão, Alckmin diz que terá mulheres em eventual governo

Em 2015, apenas 2 dos 25 secretários nomeados pelo tucano para o governo de São Paulo eram mulheres.

"Vamos ter muitas mulheres. Muitas mulheres extremamente preparadas. Serão todas mais do que convidadas, convocadas para trabalhar”, afirmou Alckmin sobre eventual governo.
Ueslei Marcelino / Reuters
"Vamos ter muitas mulheres. Muitas mulheres extremamente preparadas. Serão todas mais do que convidadas, convocadas para trabalhar”, afirmou Alckmin sobre eventual governo.

Ao lado de homens brancos tradicionais na política, o pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin, afirmou que terá "muitas mulheres" em seu governo, caso seja eleito. A resposta foi dita em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (26), após o centrão anunciar formalmente o apoio ao tucano. Na mesa, estavam sentados 11 homens que lideram partidos do bloco.

Questionado sobre uma eventual composição ministerial, o ex-governador de São Paulo minimizou a homogeneidade de seus aliados. "O Marcos Pereira está fazendo uma correção dizendo que é negro", afirmou, provocando sorrisos na mesa. Em seguida, o presidenciável fez uma defesa da diversidade racial no Brasil.

"Tínhamos essa concepção de que a miscigenação racial não era uma coisa boa. É o contrário. É essa miscigenação brasileira com baiano, paulista, piauiense, essa miscigenação de raça, cores e credos que faz uma distinção extraordinária do Brasil frente a todas as nações. O nosso governo será um retrato da composição do povo brasileiro", afirmou Alckmin.

Durante a fala, o tucano apontou para o baiano ACM Neto e o piauiense Ciro Nogueira, presidentes do DEM e do PP, respectivamente. Presidente do DEM, o baiano Antônio Carlos Magalhães Neto é neto do falecido Antônio Carlos Magalhães (ACM) e herdeiro de uma das mais tradicionais famílias políticas do país. Foi eleito prefeito de Salvador em 2012 e reeleito em 2016.

Ciro Nogueira, por sua vez, também tem tradição familiar na vida pública. Seu avô paterno, Manuel Nogueira Lima, foi prefeito de Pedro II nomeado logo após a Revolução de 1930 e seu pai foi eleito deputado federal por duas legislaturas.

DEM e PP, junto com o PRB de Marcos Pereira, PR e Solidariedade fazem parte do bloco de apoio ao presidenciável. O tucano também conta com PTB, PSD, PPS e espera um anúncio oficial de aliança do PV. Ao total, a união garante 40% do tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão.

Ueslei Marcelino / Reuters
União com centrão garante a Alckmin 40% do tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão.

Alckmin e mulheres na política

Lideranças de algumas das legendas que apoiam Alckmin questionaram a cota de 30% do Fundo Eleitoralpara campanhas de candidaturas mulheres, decididas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em maio. A medida visa ampliar a representatividade feminina na política. Hoje, o Brasil está na 161ª posição de um ranking de 186 países sobre a representatividade feminina no poder Executivo, de acordo com ranking que reúne dados do TSE, da Organização das Nações Unidas e do Banco Mundial.

No Legislativo, o cenário não é diferente. Em 2014, 10% das cadeiras na Câmara dos Deputados foram para deputadas. No Senado, o percentual foi de 18%. As deputadas estaduais, por sua vez, somaram 11%. No Executivo, havia apenas uma mulher eleita entre os governadores. Já nas eleições municipais de 2016, as cadeiras femininas representaram 13,5% das vereadoras e 12% das prefeitas.

Presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, presente no evento desta quinta, foi uma das lideranças que falou abertamente contra a cota para mulheres. Toda bancada da sigla na Câmara é formada por homens. O PP de Ciro Nogueira, por sua vez, definiu que serão candidatos homens que decidirão quais candidaturas femininas receberão o percentual inicialmente previsto para suas campanhas. A legenda tem apenas duas dos 49 deputados são mulheres.

Ao responder sobre a composição de um eventual governo, Alckmin não falou especificamente sobre mulheres. Após insistência na coletiva de imprensa, ele respondeu que nomearia ministras. "O máximo possível. Vamos ter muitas mulheres. Muitas mulheres extremamente preparadas. Serão todas mais do que convidadas, convocadas para trabalhar", afirmou.

No início de 2015, ao assumir o governo de São Paulo após reeleito, dos 25 secretários nomeados pelo tucano, apenas 2 eram mulheres. Em 2011, também duas entre 26 homens.