ENTRETENIMENTO
25/07/2018 13:49 -03 | Atualizado 25/07/2018 13:59 -03

Flip 2018: 'Hilda Hilst Pede Contato' e a busca de diálogo com os mortos

Misto de documentário e ficção, longa terá pré-estreia na Flip 2018; lançamento nos cinemas está marcado para 2 de agosto.

Hilda Hilst deixou mais de 100 horas de gravações na Casa do Sol, chácara onde morou em Campinas.
Divulgação
Hilda Hilst deixou mais de 100 horas de gravações na Casa do Sol, chácara onde morou em Campinas.

O Cinema da Praça de Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, recebe nesta quinta-feira (26) a pré-estreia de Hilda Hilst Pede Contato, misto de documentário e ficção sobre a autora homenageada na Flip 2018.

Dirigido por Gabriela Greeb, o filme mergulha na trajetória e personalidade de Hilst a partir de mais de gravações em fitas cassetes feitas deixadas pela própria escritora, que na década de 1970 viveu um período de intensa busca por contato com espíritos na Casa do Sol, famosa chácara em Campinas onde morou até 2004 - data de sua morte.

"As fitas foram gravadas entre 1974 e 1979. Foi uma época em que ela estava solitária. É uma solidão forte e ela ficou obsessiva por isso [contato com mortos], chamava físicos, amigos para ouvir. E ela teve muitas intervenções [respostas], não é viagem, você ouve as vozes nas fitas. Claro que tem mil explicações, saiu até no Fantástico", explica a diretora, que trabalhou durante 7 anos no filme.

"Na época algumas pessoas achavam que ela estava delirando. Esse foi um período de enclausuramento - a própria Casa do Sol tem uma coisa de enclausuramento muito forte. Ela estava esquecida, afastada. E se sentia muito mal por não ser lida, apesar dos prêmios e de ter sua obra reconhecida", conta.

A narrativa de Hilda Hilst Pede Contato é construída em torno de uma jantar póstumo. Nele estão presentes a escritora – interpretada pela atriz Luciana Domschke - seus amigos e amantes.

Aos registros sonoros de Hilst - resultado de experimentos eletromagnéticos difundidos pelo sueco Friedrich Jurgenson no livro Telefone Para o Além (1964) -, a diretora acrescentou imagens poéticas e também sombrias, acentuando assim a ideia de interação entre vivos e mortos, material e imaterial.

Vasco Pimentel e Nicolas Becker são responsáveis pelo particular desenho sonoro do filme. A direção de fotografia é do português Rui Poças. A estreia do filme em circuito nacional ocorre em 2 de agosto.

Assista ao trailer:

O livro do filme

Gabriela Greeb também é uma das autoras convidadas da Flip 2018.

Além de ter seu filme exibido na festa literária, participar da mesa Performance Sonora com Vasco Pimental, ela também lançará um livro pela editora do Sesi-SP que leva o nome do filme. A diretora define a obra como "uma partitura do filme, de tudo o que existe como palavra no longa".

O título traz tanto a transcrição das entrevistas quanto de todas as fitas encontradas, assim como os registros da pesquisa sobre Hilda Hilst e do processo de feitura do filme, o storyboard.

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"Eu fiz um trabalho de pesquisa monumental, só as fitas têm 100 horas de gravação. Limpei tudo, digitalizei, transcrevi, escanei. É um trabalho de pesquisa muito bonito, o livro vêm para dar conta de todo esse documento que a gente produziu durante o processo do filme", conta Greeb.

Leia um trecho do livro Hilda Hilst Pede Contato aqui.

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