POLÍTICA
25/07/2018 13:11 -03 | Atualizado 27/07/2018 12:50 -03

Facebook retira do ar rede de contas falsas ligadas ao MBL

Páginas tinham meio milhão de seguidores, diz MBL. Facebook afirma que rede atuava com 'propósito de espalhar desinformação'.

Kim Kataguiri (centro), um dos líderes do MBL, em ato pelo impeachment de Dilma Rousseff, em 2015.
Evaristo Sa/AFP/Getty Images
Kim Kataguiri (centro), um dos líderes do MBL, em ato pelo impeachment de Dilma Rousseff, em 2015.

O Facebook retirou do ar nesta quarta-feira (25) uma rede de 196 páginas e 87 perfis, muitos deles ligados ao MBL (Movimento Brasil Livre), como parte da política de combate à disseminação de notícias falsas, intensificada com a proximidade das eleições de outubro.

"Essas páginas e perfis faziam parte de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação", informou o Facebook, em nota.

A rede social diz, ainda, que a decisão de remover as páginas foi tomada após "rigorosa investigação".

O comunicado não identifica as páginas removidas. O MBL, contudo, informou a seus seguidores que teve contas derrubadas.

Juntas, as páginas tinham "meio milhão de seguidores", diz o MBL. O grupo ganhou destaque ao liderar protestos pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), a partir de 2014.

Em nota, o MBL afirma que as páginas removidas atuavam para "informar e divulgar ideias liberais e conservadoras" e acusa o Facebook de "censura".

O Monitor do Debate Político no Meio Digital, grupo que reúne acadêmicos como Pablo Ortellado, professor do curso de gestão de políticas públicas da USP, afirma que não havia detectado "mais do que 20 páginas" do MBL em atividade, o que "sugere que o Facebook identificou a criação de uma rede de páginas novas que provavelmente seriam usadas no período eleitoral".

O Monitor esclarece, ainda, que "o Facebook não retira páginas que divulgam notícias falsas, mas apenas páginas administradas por perfis falsos".

Foram removidas, por exemplo, as páginas do Jornalivre e do Diário Nacional. Também foi excluída a página do movimento "Brasil 200", do empresário Flávio Rocha, dono da Riachuelo. Ligado ao MBL, Rocha seria candidato à Presidência pelo PRB, mas desistiu da candidatura.

Após a repercussão da medida, o Ministério Público Federal (MPF) em Goiás cobrou explicações do Facebook sobre a remoção das páginas, em caráter de urgência. O procurador da República Ailton Benedito deu prazo de 48 horas para que o Facebook envie a lista de todas as páginas e perfis removidos, com justificativas para a exclusão.

Leia a nota do MBL sobre a ação do Facebook: