NOTÍCIAS
24/07/2018 12:38 -03 | Atualizado 24/07/2018 12:38 -03

Polícia do Rio prende suspeito de participar de execução de Marielle Franco

Investigadores querem desestruturar grupo criminoso e elucidar o crime contra a parlamentar.

Reprodução/Facebook
Mulher negra, nascida na Favela da Maré, lésbica e defensora dos direitos humanos, Marielle foi a 5ª vereadora mais votada do Rio em 2016.

Mais de 4 meses após a morte da vereadora Marielle Franco (PSol) e do motorista Anderson Gomes, a Delegacia de Homicídios da Capital (DH) do Rio de Janeiro prendeu um ex-policial militar acusado de ser um dos ocupantes do carro em que estavam os autores do crime. Alan de Morais Nogueira, conhecido como Cachorro Louco, foi detido na manhã desta terça-feira (24).

Também foi preso o ex-bombeiro Luis Cláudio Ferreira Barbosa. As detenções foram motivadas por outra investigação. Os dois são suspeitos de integrar a quadrilha de milicianos chefiada pelo ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando da Curicica.

Com as prisões, investigadores querem desestruturar grupo criminoso e elucidar o crime contra a parlamentar, de acordo com o jornal O Globo. Segundo um delator, Alan teria participado da execução de Marielle.

Marielle e Anderson foram executados em 14 de março. A investigação está sob sigilo. As principais linhas de apuração apontam para a atuação de milícias ou, ainda, crime político. Um dos elementos que torna o caso ainda mais complexo é o fato de que Marielle não havia recebido nenhuma ameaça.

Uma das hipóteses dos investigadores é que os assassinos tenham usado uma submetralhadora HK MP-5, armamento de uso restrito e pouco utilizado, inclusive pelas polícias. As forças de segurança do Rio teriam 71 exemplares no total, mas em maio a imprensa revelou que 5 dessas armas foram desviadas do arsenal da Polícia Civil em 2011.

Neste mês, a comissão da Câmara dos Deputados responsável por acompanhar as investigações pressionou autoridades federais e do estado do Rio de Janeiro para compartilhar informações. A Anistia Internacional também criticou a demora das respostas.

Mulher negra, nascida na Favela da Maré, lésbica e defensora dos direitos humanos, Marielle foi a 5ª vereadora mais votada do Rio em 2016. Ela denunciava abusos da Polícia Militar, atendia vítimas da milícia e dava apoio a policiais vitimados pela violência no Rio e às suas famílias.