POLÍTICA
24/07/2018 11:14 -03 | Atualizado 24/07/2018 12:28 -03

A única união possível da esquerda até agora é contra Geraldo Alckmin

"Alckmin quer ser a segunda temporada desta série de terror que é o governo de Michel Temer", afirma Manuela D'Ávila, pré-candidata do PCdoB.

“Quem escolheu o presidente Temer para vice foi o PT e seus aliados”, afirma Geraldo Alckmin (PSDB).
Paulo Whitaker / Reuters
“Quem escolheu o presidente Temer para vice foi o PT e seus aliados”, afirma Geraldo Alckmin (PSDB).

Diante da aproximação do centrão com Geraldo Alckmin (PSDB), que irá garantir 40% do tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão ao tucano, partidos de esquerda se uniram contra o ex-governador de São Paulo. Apesar do discurso, PCdo, PSol, PDT e PT mantêm candidaturas próprias na corrida presidencial.

Com dificuldades em chegar a um único presidenciável, lideranças do campo progressistas engrossaram as críticas a Alckmin, que não alcança dois dígitos nas pesquisas de intenção de voto. A principal estratégia é reforçar a proximidade do tucano com o governo de Michel Temer (MDB), hoje com 79% de rejeição, de acordo com pesquisa CNI/Ibope divulgada em junho.

O bloco formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade deve anunciar o apoio formal ao tucano nesta quinta-feira (26). As legendas comandam 4 ministérios, além de ocuparem outros cargos no governo federal. Paritdos como PP e PR, contudo, também fizeram parte de governos petistas.

Pré-candidata do PCdoB, Manuela D'Ávila ironizou a semelhança entre PSDB e MDB e a fragilidade do governo emedebista.

Em sabatina do Correio Braziliense em junho, a presidenciável já havia ressaltado a dificuldade do governo atual. "Todo mundo defende o 'Fora, Temer'. O governo Temer está morto. Esse fantasma procura reencarnar. Ninguém quer o encosto", afirmou.

A pré-candidata questionou quem votaria para eleger ideias defendidas pelo MDB. "O povo escolherá esse projeto deles? Por que então tiveram que consagram o impeachment sem o crime de responsabilidade?"

No domingo, o PCdoB fez um apelo pela união da esquerda, mas uma candidatura única não deve se concretizar. O apoio do partido é cobiçado tanto pelo PT quanto pelo PDT de Ciro Gomes.

Nesta segunda-feira (23), contudo, Manuela reafirmou que continua na disputa. "Ao que tudo indica, nosso apelo pela unidade não está tendo êxito. Então, o que posso eu fazer se não receber com muita honra o desafio que me foi lançado pelo meu partido e que creio tem sido exitoso?", indagou Manuela, ao falar com jornalistas em evento em Aracaju (SE).

Juliano Medeiros, presidente do PSol, que confirmou Guilherme Boulos como candidato ao Planalto neste sábado, também afirmou que um eventual governo Alckmin seria uma continuidade da atual gestão.

A mesma crítica foi reforçada pelo deputado Ivan Valente (PSol-SP).

O PT, que insiste em lançar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato, também tem explorado a aproximação entre PSDB e centrão, grupo que faz parte do governo Temer. Presidente da legenda, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) lembrou do apoio dos tucanos à reforma trabalhista e ao teto de gastos.

Em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, exibida nesta segunda-feira (23), Alckmin defendeu propostas do governo Temer e afirmou que aposta na legitimidade do voto para mostrar que terá capacidade para governar e aprovar medidas que não saíram do papel, como a reforma da Previdência.

Na avaliação do tucano, o presidente emedebista não conseguiu avançar nas alterações nas regras de aposentadoria por falta da legitimidade do voto. Ele também afirmou que o MDB chegou ao poder devido à aliança com o PT.

Quem escolheu o presidente Temer para vice foi o PT e seus aliados.Geraldo Alckmin

Quanto às propostas, Alckimin disse que não pensa em alterar a reforma trabalhista e que está descartada a possibilidade de retornar com o imposto sindical. Prometeu ainda uma reforma tributária capaz de simplificar os impostos. A intenção é tirar tudo do papel nos primeiros seis meses de governo, caso eleito.