POLÍTICA
22/07/2018 09:15 -03 | Atualizado 22/07/2018 09:19 -03

Bolsonaro será lançado à Presidência pelo PSL em meio à incerteza sobre vice

"Bolsonaro tem mais de 20 anos de Câmara, sabe que não se governa sem o Congresso", diz o deputado Alberto Fraga (DEM-DF), aliado do presidenciável.

Sem alianças, o tempo de propaganda de rádio e televisão de Bolsonaro deve ser de apenas 8 segundos.
MIGUEL SCHINCARIOL via Getty Images
Sem alianças, o tempo de propaganda de rádio e televisão de Bolsonaro deve ser de apenas 8 segundos.

Deputado federal há 27 anos, Jair Bolsonaro oficializa neste domingo (22) a intenção de dar um voo mais alto na carreira. Será candidato à Presidência da República pelo PSL, partido ao qual se filiou no ano passado.

O lançamento da candidatura, no entanto, mostra que, embora líder nas pesquisas de intenção de voto em cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsonaro está com dificuldade em fechar alianças. Essa fragilidade tem sido exposta nos últimos dias com as negociações para escolha de vice.

Mesmo restrito à 'chapa puro sangue', na qual o candidato à Presidência e o vice são de um mesmo partido, Bolsonaro tem feito trapalhada.

A véspera do lançamento da candidatura foi dia de dois possíveis vices desmentirem a informação. Filiada ao partido de Bolsonaro, a advogada Janaina Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, desmentiu que havia sido confirmada vice.

Ao jornal O Globo, Bolsonaro havia afirmado que o anúncio da chapa poderia ocorrer no domingo. "Vai ser a dupla Já-Já", disse.

Outro desmentido de Bolsonaro foi o anúncio antecipado de que gostaria de ter como vice o general Augusto Heleno (PRP). Neste caso, o acordo foi firmado sem aval do presidente do partido, Levy Fidélix, que é pré-candidato à Presidência da República.

Ao Painel, da Folha de S.Paulo, Fidélix foi enfático em repreender a atitude do presidenciável: "Primeiro você conversa com a direção partidária e depois com eventuais candidatos. É um erro político fazer o contrário. Isso é feio, péssimo. O que ocorreu com o PRP foi isso".

Aliado de Bolsonaro, o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) acredita que o momento de dificuldade na escolha de vice não deve se repetir na formação de uma aliança de governabilidade, caso o presidenciável seja eleito.

Bolsonaro tem mais de 20 anos de Câmara, sabe que não se governa sem o Congresso.Deputado Alberto Fraga (DEM-DF)

Ao HuffPost Brasil, ele explicou que a dificuldade atual são as negociações por cargos. "Há uma resistência a ele por achar que não vai ter 'toma lá, dá cá', que não vai ter cargos. Não é que não vai ter, mas ele (Bolsonaro) diz que não vai aceitar qualquer indicação e indicação apenas política. Ele quer um técnico, uma coisa diferenciada, sem acordos espúrios."

Se o povo quer (Bolsonaro presidente), a decisão é do povo; depois de eleito, vem outro momento e serão feitas as composições.Deputado Alberto Fraga (DEM-DF)

A preocupação do aliado é com o tempo de televisão que Bolsonaro perde sem fechar alianças na campanha. "Mas ele mesmo sempre demonstrou que não se preocupa com isso", emenda.

A longa busca por um vice

O debate em torno do vice foi intensificado nos últimos dias depois de a possível aliança com o PR ser completamente descartada. O principal motivo, segundo apurou o HuffPost Brasil, também foi a escolha do vice. A partir do momento em que o senador Magno Malta (PS-ES) negou interesse em compor a chapa, os acordos regionais que estavam difíceis de serem conciliados ganhou um peso maior.

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Preferido de Bolsonaro para compor a chapa à Presidência, Magno Malta negou o convite para ser vice e chegou a indicar sua esposa, Lauriete Rodrigues.

Magno Malto indicou a esposa, Lauriete Rodrigues, para compor a chapa. Mas a escolha foi rechaçada. Embora outros nomes do PR tenham sido colocado à disposição, nenhum agradou. Além disso, composições locais como aliança com o PR no Rio, onde Flávio Bolsonaro lidera as pesquisas para o cenário, desagradavam a família Bolsonaro.

Apoio parlamentar

Sem alianças com outros partidos, o tempo de propaganda no horário eleitoral deve ser de apenas 8 segundos. Além de mecanismos que facilitam a campanha, a dificuldade do presidenciável em fechar alianças indica que o 'jogo mudou'.

No ano passado, em entrevista ao HuffPost Brasil, Bolsonaro enaltecia a quantidade de partidos que o sondaram para que ele se filiasse. Ele citou inclusive o PR. Na época, no entanto, ele destaca que não tinha apoio entre os colegas. Negou interesse em concorrer eleições indiretas, caso a chapa Dilma-Temer fosse cassada, por falta de voto dos parlamentares. "Não vou concorrer para pagar mico", disse.

O simpatia dos colegas ao parlamentar, entretanto, tem mudado. Ao migrar para o PSL, Bolsonaro conseguiu carregar 4 deputados.

Há quem apoie o presidenciável na maioria dos partidos do centrão, que promete fechar como pré-candidato do PSDB, o ex-governador Geraldo Alckmin. Nos cálculos do deputado Ônyz Lorenzoni (DEM-RS), a base de deputados simpáticos a Bolsonaro supera a marca de 100.