POLÍTICA
21/07/2018 09:03 -03 | Atualizado 21/07/2018 09:03 -03

PSOL lança candidatura de Boulos com foco no 'combate aos privilégios'

Líder do MTST será oficializado neste sábado como candidato à Presidência, em chapa com Sônia Guajajara.

Guilherme Boulos é líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).
Patricia Monteiro/Bloomberg/Getty Images
Guilherme Boulos é líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).

O PSOL oficializa neste sábado (21) o nome de Guilherme Boulos como candidato à Presidência da República, com Sônia Guajajara na chapa. Boulos é líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), e Sônia é liderança indígena e ativista ambiental.

O partido entra nas eleições 2018 com o discurso de combate aos privilégios e enfrentamento da desigualdade. Também promete levar temas como legalização do aborto e da maconha para o palanque.

"Nós vamos tocar nos temas que parte da esquerda se acostumou a tratar como tabu nas eleições", afirma o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, ao HuffPost Brasil. "Temos um programa muito ousado no que diz respeito às liberdades individuais. Vamos enfrentar o debate do aborto de frente, vamos enfrentar o debate da legalização da maconha de frente."

Queremos dar fim aos privilégios que aprofundam a desigualdade. Nosso programa vai ser bastante radical nesse sentido.Juliano Medeiros, presidente do PSOL.

Os partidos de esquerda têm priorizado candidaturas próprias nessas eleições. O PT mantém o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como pré-candidato, e o PDT oficializou na sexta-feira (20) o nome de Ciro Gomes. Manuela D'Ávila é a presidenciável do PCdoB, embora não esteja descartada uma eventual aliança com Ciro ou até mesmo com Lula.

O PSOL defende o direito de Lula de ser candidato. O ex-presidente está preso desde o dia 7 de abril por condenação no processo do tríplex de Guarujá (SP). O petista nega que seja dono do imóvel e afirma que sua prisão é uma tentativa de deixá-lo de fora das eleições. Com a condenação em segunda instância, Lula tem sua candidatura ameaçada pela Lei da Ficha Limpa.

Fabio Vieira/FotoRua/NurPhoto/Getty Images
"Boulos é um companheiro da mais alta qualidade", disse Lula antes de ser preso.

Boulos é próximo de Lula e esteve ao lado do ex-presidente nos dias que antecederam a prisão, quando o petista se reuniu com militância e aliados no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. No discurso que fez antes de se entregar à Polícia Federal, Lula disse que Boulos "é um companheiro da mais alta qualidade" e pediu aos ouvintes que levassem em conta "a seriedade do menino".

No PT, não falta quem demonstre simpatia por Boulos. Alguns defendem que, na hipótese de Lula não poder concorrer, o partido deve apoiar o líder do MTST. O petista Tarso Genro, ex-governador gaúcho, chegou a fazer um aceno público ao PSOL.

"Nós vamos defender que o PT lidere uma nova frente política e convide o companheiro Boulos para ser nosso candidato à Presidência", disse Tarso no debate Os Caminhos da Esquerda, realizado na segunda-feira (16) na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Para o petista, Boulos representa "um espírito que a esquerda vinha perdendo".

Tarso disse ainda que há "vários quadros do PT" dispostos a apoiar Boulos caso Lula não seja candidato. Para um nome que oscila entre 0% e 1% das intenções de voto, de acordo com a última pesquisa Datafolha, tal apoio seria bem-vindo.

Evaristo Sa/AFP/Getty Images
Boulos representa "um espírito que a esquerda vinha perdendo", afirma o petista Tarso Genro.

"Nós evidentemente defendemos o direito do ex-presidente Lula de ser candidato, mas, se não for, acho que vai ser natural que alguns quadros do PT acabem dialogando com candidaturas de fora. Então a gente espera que o Guilherme possa ser visto por parte da militância do PT, dos quadros e dos eleitores como alternativa à ausência do ex-presidente Lula, se for esse o caso", diz Medeiros.

Nós vamos tocar nos temas que parte da esquerda se acostumou a tratar como tabu nas eleições, como aborto e legalização da maconha.Juliano Medeiros, presidente do PSOL.

O PSOL tem por enquanto o apoio do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Se as demais candidaturas passaram as últimas semanas empenhadas em negociar alianças, o PSOL investiu em um programa de governo "construído a muitas mãos".

Com 17 eixos, o programa foi elaborado com a consultoria de intelectuais e especialistas como a economista Laura Carvalho, a urbanista Raquel Rolnik, a cartunista Laerte Coutinho, o filósofo Vladimir Safatle e o escritor Frei Betto.

"É um formato de construção muito inovador. Quanto ao conteúdo, nosso programa é o que vai enfrentar de forma mais veemente os superpoderosos do Brasil. Queremos dar fim aos privilégios que aprofundam a desigualdade. Dos privilégios das castas do serviço público aos privilégios de diferentes setores da economia. Nosso programa vai ser bastante radical nesse sentido", conclui Medeiros.