POLÍTICA
20/07/2018 14:14 -03 | Atualizado 20/07/2018 15:38 -03

Ciro critica desigualdade após ser formalizado como candidato pelo PDT à Presidência

“Quem não tem uma pedra no lugar do peito, sabe que o Brasil precisa mudar”, afirmou o presidenciável na convenção nacional do partido, em aceno ao povo.

"O nosso povo não tem mais nada para dar", afirmou Ciro Gomes.
Sergio Moraes / Reuters
"O nosso povo não tem mais nada para dar", afirmou Ciro Gomes.

No primeiro discurso após ser formalizado como candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes voltou a atenção à desigualdade social no Brasil e ressaltou a necessidade de combate ao desemprego e mudança. "Quem não tem uma pedra no lugar do peito, sabe que o Brasil precisa mudar", afirmou na convenção nacional do partido nesta sexta-feira (20).

Apesar de criticar a situação fiscal do governo federal e valorizar o setor industrial, o presidenciável adotou um tom mais à esquerda sobre o pagamento de juros. "Para a agiotagem oficial protegida pelo governo, se gastaram nos últimos 12 meses R$ 380 milhões. Entregues a meia dúzia do mercado financeiro dessa pátria sangrada", afirmou.

Com no máximo 10% das intenções de voto, o presidenciável caminha sozinho na corrida eleitoral por enquanto. O centrão com DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade decidiu apoiar Geraldo Alckmin (PSDB). O pedetista tenta ainda uma aliança com PSB e PcdoB, mas ambos os partidos também avaliam uma coligação com o PT. As alianças são determinantes no tempo de propaganda de rádio e televisão e no dinheiro para campanha.

Na convenção, Ciro foi salvado aos gritos de "guerreiro do povo brasileiro" durante o discurso e ao chegar ao evento. A mesma saudação foi feita após o presidenciável mencionar Leonel Brizola, fundador do PDT.

O candidato destacou os 13 milhões de desempregados, elevação da informalidade, da pobreza e da fome e disse que o povo brasileiro não tem de pagar a conta. Também fez defesa do legado dos governos petistas na área social. "Depois de tudo que houve com o presidente Lula nossa responsabilidade aumentou", afirmou.

Ciro defendeu o combate a corrupção e a missão de restaurar o "poder político democrático encerrado no momento de absoluto caos institucional".

O nosso povo não tem mais nada para dar. O nosso povo já sofre demais com o desemprego, a informalidade, o trabalho precário, sem saber se vão voltar para casa ou se vão ser vítimas dessa selvageria que assistimos.Ciro Gomes

Por cerca de 30 minutos, o ex-governador do Ceará prometeu uma melhora dos serviços públicos no Brasil e combate a privilégios. Afirmou que a melhora do sistema educacional será prioridade. "Só um investimento massivo em educação poderá fazer um Brasil mais justo desenvolvido".

Ciro citou a experiência no Executivo regional. De acordo com ele, o Ceará tem 77 das 100 melhores escolas básicas do País. "Se em um ambiente de pobreza e dificuldade como nossa humilde gente cearense vive, foi possível conseguir essa proeza, por que essas boas práticas não podem se generalizar pelo País?" questionou.

O pedetista prometeu creches em tempo integral e aperfeiçoamento da política de cotas, em um aceno à promoção da diversidade. "É o mínimo de indenização que devemos aos negros, quilombolas, indígenas, mulheres, todos discriminados pela injusta sociedade brasileira", afirmou. Ele também saudou Abdias Nascimento, ícone da luta pela promoção da igualdade racial.

O presidenciável fez um apelo para acabar com a cultura do ódio e prometeu melhoria na inteligência para combater o crime organizado e facções. Na saúde, defendeu a redução do tempo de espera para atendimento ambulatorial, exames e consultas especializadas.

Antes do discurso, o pedetista reconheceu os erros mais uma vez. "Não posso concordar com a degradação que aconteceu com a vida brasileira. Isso evidentemente me leva a cometer erros. Não sou superior nem vacinado nem imune a erros (...) posso errar aqui e ali, nunca tive a pretensão de ser anjo", afirmou em um palco na área externa.