COMIDA
18/07/2018 11:55 -03 | Atualizado 18/07/2018 15:45 -03

Alimentos sem glúten são mais caros e (bem) menos saudáveis do que convencionais, diz revista

Publicação alerta que estes produtos sofrem alterações e podem ter excesso de gordura, açúcar e outros aditivos.

Maioria destes alimentos industrializados contém alta quantidade de gordura, açúcar e outros aditivos químicos.
Jason Kempin via Getty Images
Maioria destes alimentos industrializados contém alta quantidade de gordura, açúcar e outros aditivos químicos.

Alimentos sem glúten ganham cada vez mais espaço nas prateleiras dos supermercados e na dispensa dos brasileiros. Mesmo que apenas 1% da população seja celíaco - intolerante à proteína que é encontrada no trigo, centeio, cevada e aveia -, as dietas "gluten free" são seguidas à risca por muitas pessoas que buscam uma alimentação mais saudável.

Porém, a revista francesa "60 millions de consommateurs" alertou que diversos produtos livres de glúten podem não representar a saúde que muitas pessoas (não intolerantes à proteína) acreditam consumir.

Ao contrário do que se imagina, a maioria destes alimentos industrializados contém alta quantidade de gordura, açúcar e outros aditivos químicos. De quebra, ainda tende a ser mais calórico do que o convencional.

A revista afirma que o "lucrativo negócio" do segmento vem gerando um interesse por parte das indústrias de comercializar pães, bolos, biscoitos sem a famosa proteína, responsável por dar "liga" e maciez ao produto. O resultado é que eles se multiplicaram, são mais caros e, em muitos casos, bem menos saudáveis que os "originais".

"Em um supermercado francês, um pacote de 400 gramas de espaguete Barilla sem glúten custa cerca de 2 euros, enquanto o espaguete 'tradicional' custa 80 centavos de euros por 500 gramas", exemplificou a revista.

Além de pesar mais no bolso, a revista constatou que alguns produtos sem glúten são extremamente transformados pela indústria, na tentativa de assemelhar o aspecto e o gosto aos convencionais. "No lugar da farinha de trigo, os fabricantes utilizam farinha de arroz, associada à fécula e amidos. Mas, para substituir o glúten, que dá elasticidade à massa e textura, eles acrescentam aditivos -- que poderiam ser evitados."

Um biscoito de cacau sem glúten, vendido na França, tem cerca de oito aditivos a mais do que um biscoito tradicional e são mais calóricos. Já um pão sem glúten tem três aditivos que, se consumidos em dose alta, podem causar inchaço e diarréia. "Este pão tem 40% mais calorias do que o tradicional", acrescentou a pesquisa.

A revista também alertou sobre o perigo de cortar o glúten da dieta de quem não é celíaco. Primeiro que banir esta proteína impede o diagnóstico da própria condição e, segundo, esta dieta pode causar deficiências. Também não custa lembrar que alimento livre de glúten não é sinônimo de alimento saudável.

O veredicto da revista é claro: se o glúten não te faz mal, você não precisa bani-lo da dieta. Viva ao pãozinho francês (com glúten)!