POLÍTICA
17/07/2018 11:30 -03 | Atualizado 17/07/2018 11:30 -03

Alvaro Dias descarta aliança com Alckmin e procura PRB, PROS e PEN para vice

“Sem alternativa de baixa rejeição e alto potencial de crescimento no centro, podem ganhar os extremos”, diz Renata Abreu, presidente do Podemos.

Adriano Machado / Reuters

Na semana em que começam as convenções partidárias, em que as alianças eleitorais são anunciadas, o pré-candidato do Podemos à Presidência da República, senador Alvaro Dias, descarta abrir mão da candidatura própria para se unir a Geraldo Alckmin (PSDB) e procura um vice para sua chapa eleitoral. A convenção do partido deve ser marcada para 4 de agosto, perto do prazo final.

"Ele foi sondado, mas não há a menor hipótese de ser vice do Geraldo", afirmou ao HuffPost Brasil a presidente do Podemos, Renata Abreu. O senador negou o convite ao tucano pessoalmente devido à impopularidade do ex-governador de São Paulo. "O PSDB tem uma rejeição gigante, maior que a do PT, o que inviabiliza a eleição do Geraldo", completa Abreu.

De acordo com pesquisa do Barômetro Político Estadão-Ipsos divulgada em março, 66% dos entrevistados desaprovam Alckmin. O índice é de 57% para o ex-presidente e pré-candidato do PT ao Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva.

Já 27% dos entrevistados da pesquisa Datafolha publicada em junho declaram que não votariam de jeito nenhum no tucano. O índice de rejeição é menor do que os de Fernando Collor (PTC), com 39%; Lula, com 36% e Jair Bolsonaro (PSL), com 32%. Dias tem 12%.

De acordo com Abreu, o ideal seria uma chapa com Alckmin vice de Dias, mas a possibilidade nem chegou a ser discutida com o PSDB. "Isso não é possível. Essa candidatura não pertence mais ao Geraldo. É do partido. Não cometeria essa deselegância", afirmou. Além de presidenciável, o ex-governador é presidente da legenda. A campanha tucana sofre hoje com a estagnação nas intenções de voto, que não passam de 7%.

Bloomberg via Getty Images
Alvaro Dias (Podemos) descarta ser vice de Geraldo Alckmin (PSDB) devido à alta rejeição do tucano.

Para ampliar o número de eleitores, o tucano aposta na consolidação de alianças que podem aumentar sem tempo de propaganda no rádio e televisão. Na última semana, o PSD confirmou a coligação. O PSDB também espera o apoio do PTB, PV e PPS. Juntos, os 5 partidos elegeram 134 deputados.

Alckmin também aguarda decisão do bloco do centrão, formado pelo DEM, PP, PRB e Solidariedade. O grupo que estuda apoio a Ciro Gomes (PDT) deve se reunir na próxima quinta-feira (19) para discutir o assunto. Na última sexta-feira (13), o pré-candidato do PRB, Flavio Rocha, desistiu da disputa. Ele nega, contudo, que será vice em qualquer chapa.

Outro apoio concorrido é o do PR. Apesar de a aproximação com Bolsonaro, se o senador Magno Malta (PR-ES) não concordar em ser vice, há pouca chance de a aliança se consolidar. Se isso acontecer, o partido de Valdemar Costa Neto se divide entre uma união com o PT ou com o PSDB. O partido deve discutir o assunto em reunião nesta terça-feira (17).

Alvaro Dias sem vice-presidente

Sem pretensões de ser vice de Alckmin, Alvaro Dias procura um nome para ser número 2 na própria chapa. Aliados do senador conversaram com PR, PRB, PROS, PEN e partido menores, mas ainda não há definição.

Com 4% das intenções de voto, de acordo com a última pesquisa Datafolha, e melhor desempenho no Sul do País, o presidenciável procura um vice que possa ampliar o tempo de propaganda eleitoral e os eleitores em outras regiões.

Diante da fragmentação de candidaturas e da dificuldade dos partidos de centro em achar um nome em comum, Abreu ainda não vê uma solução. "Se não tiver uma alternativa de baixa rejeição, com alto potencial de crescimento no centro, podem ganhar os extremos", afirmou.

O mesmo discurso é encampado pelo movimento Polo Democrático, que tem como um dos mentores o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Apesar das conversas com presidenciáveis e lideranças partidárias, o grupo também não teve sucesso em encontrar um nome para unir a centro-direita.