ENTRETENIMENTO
15/07/2018 17:20 -03 | Atualizado 22/07/2018 15:48 -03

Silva e o disco 'Brasileiro': Uma conversa sobre identidade, amadurecimento e descobertas sonoras

Músico capixaba fala sobre amizade e aprendizado com Marisa Monte, as pazes que fez com a cidade natal e a assimilação de ritmos do Candomblé em seu 4º disco autoral.

Divulgação/Wilmore Oliveira
"A minha relação com Vitória foi amadurecendo. Tive um caso de amor e ódio com a cidade. Aliás, ódio e amor - nessa ordem."

Silva está mais leve, mais confortável com a própria identidade e cantando melhor em Brasileiro, seu quarto disco autoral lançado no último mês de maio. É ele mesmo quem pontua os avanços na carreira e na vida pessoal em entrevista por telefone dias antes de começar a turnê do álbum que traz parcerias com nomes de peso da cena nacional, como Ronaldo Bastos, um dos principais letristas do Clube da Esquina, e Arnaldo Antunes, além de uma participação especial de Anitta, a quem ele chama de "maior brasileira do momento".

De sua casa em Vitória, no Espírito Santo, Silva atende pelo nome de batismo: Lúcio. Com voz serena, no mesmo tom que se ouve em 11 das 13 faixas de Brasileiro (as outras duas são instrumentais), o músico revela que a amizade com Marisa Monte – outro nome singular da música brasileira, cuja obra ele reinterpretou em seu disco anterior, Silva Canta Marisa - foi o que deu início à gestação do novo trabalho. "Baita pesquisadora", a artista carioca do signo de Câncer foi quem abrasileirou o universo musical do também canceriano de 30 anos recém-completados.

Durante a conversa, o detalhe astrológico é o único ponto abordado com insegurança por Silva. Percebe-se que o processo que resultou no novo álbum passou não só por descobertas, mas também por tomadas de decisões que fizeram com que ele amadurecesse como artista. Nascido em berço evangélico, Silva passou a abraçar ritmos tradicionais de matriz africana, deixou o piano e os sintetizadores um pouco de lado para dedicar-se ao violão e também fez as pazes com Vitória, cidade natal na qual "as pessoas não te dão moral muito fácil".

Brasileiro é um disco solar, que fala de amor e de liberdade – sentimentos em constante ameaça em um Brasil que vive sob crise aguda nos mais diversos cenários. Isso não significa que o músico esteja alienado. Silva tem plena consciência do estado das coisas, mas optou pela leveza por não querer sua arte maculada por tensões políticas que, acredita, vão passar. "Eu não quero que a pessoa pegue meu disco daqui 20 anos e fique assim: 'Pô, olha isso. Quem é esse Temer?'", exemplifica.

Por isso, não espere que o capixaba Lúcio use Brasileiro em alguma manifestação de cunho estritamente político. Se depender dele, o público ficará bem distante das tensões descritas pelo noticiário diariamente. "Quero fazer um show que seja uma coisa meio hipnotizante. Essa é a minha ambição no momento", conta.

Leia a entrevista na íntegra:

Você esteve muito próximo da Marisa Monte nos últimos anos. Esse novo disco é influenciado por ela de alguma forma?

Você tocou no ponto certo. Muita gente já me perguntou: "Como é que foi seu contato com a obra da Marisa?" . Sempre colocavam em discussão "a obra da Marisa". Só que meu contato não foi com a obra, foi com a própria Marisa. Essa foi a diferença. Tive um grande encontro com a obra dela também, lógico. Mas a gente se deu bem desde o primeiro encontro. Rolou um lance de gostar de coisas parecidas mesmo. Não acredito muito em astrologia, mas ela é canceriana também [risos]. A nossa relação ficou menos profissional, mais pessoal. Hoje em dia ela sempre fala: "Você tem que vir para o Rio pra gente sair junto, assistir a um concerto". Ela me mostrou muita coisa de música brasileira que eu não conhecia. A Marisa é uma baita pesquisadora. E no show Silva Canta Marisa eu me desafiei em vários aspectos. Eu achava que não tinha suingue para cantar Novos Baianos, por exemplo. Eu sempre amei, mas não me via cantando. Acabei arriscando e cantei Novos Baianos, Tim Maia e outros artistas que ela já cantou, cuja experiência era completamente nova pra mim.

Quando eu comecei a compor esse disco, as músicas estavam vindo naturalmente bem brasileiras. Não foi uma coisa: "Ah, quero fazer um disco assim". Talvez esse disco tenha sido o processo mais intuitivo da minha carreira até agora. Eu não planejei muito. Teve também a questão de eu me aproximar do violão novamente. Porque eu sempre fui o cara do piano, sempre gostei de tocar piano. Acredito que essa proximidade com o violão me deixou mais brasileiro também. Eu voltei a estudar o instrumento, comecei a ouvir João Gilberto, Luiz Bonfá, Caetano, todos os artistas que eu amo e que tem uma relação de intimidade com o violão. Foi aí que resolvi arriscar. Quando eu vi, já tinha uns cinco rascunhos com uma cara bem brasileira. Daí pensei: "Quer saber? Vou chamar o disco de Brasileiro". E eu achava que já devia existir milhões com esse nome, mas fui olhar e, pelo menos no serviços de streaming, não havia álbum com o nome Brasileiro. Tinha um disco do Tom [Jobim] chamado Antônio Brasileiro. Haviam coisas parecidas, mas não apenas Brasileiro. Então resolvi que seria esse mesmo. Depois disso, o disco foi nascendo de verdade.

Divulgação/Wilmore Oliveira
"Marisa Monte me mostrou muita coisa de música brasileira que eu não conhecia. Ela é uma baita pesquisadora."

O que você descobriu de novo nessa trajetória, seja pela Marisa Monte, seja por suas pesquisas particulares?

Eu comecei a ouvir muita coisa do Candomblé, algo que não fazia parte da minha vivência. Sempre admirei a música e a cultura - tenho vários amigos que são mais devotos, inclusive. Eu não sou mais um cara religioso, mas respeito muito. Eu comecei a me interessar pela música e pela batida. Lembro de ter ouvido uma canção do Trio Ternura chamada A Gira. A batida dessa música é maravilhosa e ela, inclusive, me inspirou a fazer uma do disco chamada Let Me Say.

Nesse disco eu trabalhei com o Edu Szajnbrum, um percussionista que já tocou com [Gilberto] Gil e com Marisa [Monte]. Ele está morando aqui no Espírito Santo agora e sabe tudo sobre ritmos brasileiros. Eu mostrei para ele uns artistas que fazem música eletrônica, como o [músico britânico] Four Tet, dos quais eu gostava do timbre. E ele me falou: "Lúcio, você está achando que isso é eletrônico, mas é tudo batida orgânica gravada em estúdio. Só que ele manipula o som e o resultado fica com cara de modernão". Eu comecei a trabalhar com o Edu e foi saindo muita coisa. Por exemplo, a última música do disco, Brasil, Brasil, Brasil por exemplo, é inspirada no opanijé, outro ritmo do Candomblé.

Esse processo fez com que várias coisas novas entrassem no disco, algo que foi muito inovador pra mim. Deixei aquele 4 por 4 de lado e o ritmo começou a ficar mais quebrado. E eu adorei cantar em cima disso tudo porque é algo que traz uma leveza para o negócio. É quase um mantra, uma coisa que te deixa mais tranquilo. E eu estava querendo isso pra mim e para a minha vida. Quero fazer um show que seja uma coisa meio hipnotizante. Essa é a minha ambição no momento.

Brasileiro é um disco solar e positivo. Ao mesmo tempo, o País vive um momento de crise em diferentes áreas. Você já sentiu algum tipo de pressão para se posicionar politicamente?

Sim. Eu tenho várias brigas com uma das minhas melhores amigas do meio musical. Já tivemos discussões homéricas sobre isso [risos], mas com todo o respeito do mundo porque somos apenas duas pessoas com opiniões diferentes. O que me incomoda no momento é a histeria. Eu não escondo que eu sou um cara de esquerda, sempre fui. Ainda mais depois de começar a ler Darcy Ribeiro [antropólogo brasileiro autor de O Povo Brasileiro, obra de referência para compreensão da formação étnica e cultural do País], que foi uma coisa que me deixou pirado da cabeça. Só que eu estava começando a ficar muito mal com isso tudo. Teve uma época no final da turnê Silva Canta Marisa em que eu estava prestando tanta atenção na política, que ia cantar sobre amor, sobre qualquer coisa mais inspiradora, e me percebia duro. Eu estava ficando um cara pessimista. Daí eu vi que precisava dar um passo em outra direção. Existe um negócio que Torquato Neto falava: "Alegria é a prova dos 9 e a tristeza é meu porto seguro". Ficar nesse lugar de tristeza, sem se esforçar, é muito cômodo.

Temer vai passar, essa galera vai passar. E eu não quero ficar falando disso na minha música. Eu não quero que a pessoa pegue meu disco daqui 20 anos e fique assim: 'Pô, olha isso. Quem é esse Temer?'.

Acredito que nós como brasileiros estamos vivendo um momento de autoestima baixa. Como o povo mesmo. Então vamos pensar no lance musical. Eu vejo muita gente copiando gringo. Eu mesmo já fui muito gringo nos meus sons. Na época do [disco] Júpiter, eu estava ouvindo muita coisa gringa, R&B e tudo o que estava rolando na época. Eu adoro o gênero, adoro D'Angelo, Lauryn Hill e Erykah Badu, por exemplo. Só que parei para olhar o meu trabalho e pensei: "Qual é o meu diferencial aqui? É só a questão de cantar em português?". "Vou continuar sendo o primo pobre do Frank Ocean?". Ele é um músico foda, que eu adoro, mas a gente precisa ter uma identidade nossa, sabe? Porque a época em que o Brasil foi mais legal foi quando nós não tivemos medo de sermos nós mesmo. Eu quero levar isso para o lado do empoderamento. Todo mundo fala de empoderamento, eu também vou falar. Só que do meu jeito.

Eu acho legal ser brasileiro, acho maneiro, acho interessante. Em alguns momentos é até chique ser brasileiro. Acredito que a gente tem que levar numa boa essas coisas. Porque essas coisas vão passar também. Temer vai passar, essa galera vai passar. E eu não quero ficar falando disso na minha música. Eu não quero que a pessoa pegue meu disco daqui 20 anos e fique assim: "Pô, olha isso. Quem é esse Temer?".

Divulgação/Wilmore Oliveira
"Talvez esse disco tenha sido o processo mais intuitivo da minha carreira até agora. Eu não planejei muito."

O clipe de A Cor é Rosa foi gravado em Vitória, sua cidade natal. E no seu canal no YouTube há um vídeo para cada música do disco com a capital do Espírito Santo como cenário. Qual é a sua relação com Vitória e como ela influenciou você nesse novo trabalho?

A minha relação com Vitória foi amadurecendo. Tive um caso de amor e ódio com a cidade. Aliás, ódio e amor - nessa ordem [risos]. Porque tem esse lance da cidade-natal, em que as pessoas não te dão moral muito fácil. Elas ficam: "Hmmm, deixa eu ver qual é a desse menino". E eu já estou ouvindo "deixa eu ver qual é a desse menino" desde que comecei. Os críticos musicais sempre foram assim comigo. No começo, quando eu apareci, a crítica amou. Todo mundo falava bem. Só que em Vitória sempre havia algo do tipo: "Quero ver qual é a desse Silva". "Quero ver onde ele vai chegar". "Quero ver para que esse menino veio". No início eu me importava com isso. Só que agora, que completo 30 anos, não estou me importando mais. Pode falar [risos]. Realmente eu não me importo.

Eu também comecei a ficar incomodado de viajar pelo Brasil e as pessoas perguntarem: "Você mora em São Paulo, né?". "Você mora no Rio?" E eu: "Não, moro em Vitória". "Mas como você consegue morar em Vitória?" Tem uma coisa meio antiga em cima de Rio e São Paulo como se essas cidades fossem as rainhas da cocada preta. E já deixou deixou de ser. Nós estamos na era da internet. Não faz mais sentido esse tipo de pensamento. Eu não precisei sair da minha cidade para começar a aparecer por aí. E eu gosto de Vitória. Parei para reparar e todos os meus discos foram feitos aqui. Todos. Apenas o Vista Pro Mar que teve uma parte feita em Portugal, mas as composições foram todas feitas aqui. Comecei a perceber que a cidade me inspira pra caramba. Aqui é uma cidade bonita. É pequena, tem praia, é uma ilha. Comecei a ver as coisas boas que a gente têm. E refleti: "Pô, todo mundo fala com o maior carinho dos locais onde nasceram".

Quando eu toquei com a Gal [Costa] em 2015, ela falava da Bahia o tempo inteiro [risos]. A gente teve até uma discussão sobre qual é a melhor moqueca: a baiana ou a capixaba. Ela defendeu a moqueca baiana dizendo que não existe coisa melhor do que o dendê. E eu: "É porque você não experimentou uma moqueca sem dendê. O negócio é outra coisa" [risos]. Então eu comecei a gostar daqui. Hoje eu estou falando com você daqui. Daqui a pouco começa a turnê, mas é bom voltar pra cá. Acho que isso me dá... Não sei, acho que faz parte disso que eu estava te falando sobre identidade. Eu sou formado aqui, minha família mora toda aqui, a maioria dos meus amigos estão aqui.

O que mudou no Silva como artista desde o primeiro até este quarto disco autoral?

Primeira coisa: acho que estou aprendendo a cantar. Eu tenho ciência de que não sabia [risos] e não tenho vergonha de assumir isso. Mas eu sempre fui músico. Pra mim, música sempre foi uma coisa muito importante. Eu me enxergo músico. Só que no começo eu fiquei um pouco perdido com esse lance do "artista". Eu brinco que essa palavra às vezes soa até prepotente. Eu fiquei dividido nessa coisa de: "Tenho que tirar foto, tenho que ter um Instagram, tenho que fazer clipe". E no início, eu não ligava pra nada disso. As pessoas faziam pra mim. Os meus primeiros clipes nasceram de ideias sugeridas por alguém e eu falei: "Ah, legal". Depois eu comecei a ver que o legal eram as coisas saídas de mim mesmo. "Espera aí! O que eu quero falar nesse clipe? O que eu estou vivendo nesse momento? O que eu estou a fim de passar com isso aqui?". Eu fui amadurecendo e criando mais confiança no que sentia: "Eu quero falar isso. Eu quero ser isso". Acredito que acabei ficando mais natural.

No começo, eu também era muito autocrítico e entrava no palco morrendo de medo. Eu falava "boa noite" e "obrigado" e só [risos]. Essa cobrança comigo mesmo me fez ser um cara tímido. Aí foi passando o tempo, eu fui me assumindo. Fiz o clipe de Feliz e Ponto, que tem forte teor sexual, porque eu precisava fazer aquilo pra mim. Precisava passar essa ideia que estava entalada na garganta. Muita gente ficava me perguntando sobre o que eu gostava e o que eu não gostava. Se eu fumava maconha ou não [risos]. Eu era muito questionado sobre comportamento porque não mostrava nada disso. Eu só mostrava a música. Acho que também fui ficando mais seguro comigo mesmo. Acredito que isso está refletindo no jeito que eu canto. Hoje em dia eu fico horas tocando violão e cantando aqui em casa, viajando. Eu não fazia antes. Isso está me deixando mais íntimo com a música que faço. É bem romântico tudo isso que estou falando, mas estou curtindo esse momento.

Queria voltar à música A Cor é Rosa, que é primeiro single do disco. Se consideramos as menções dela nas redes sociais, trata-se da faixa preferida dos fãs. Poderia falar um pouco mais sobre ela?

A Cor é Rosa foi feita no ano passado depois de uma passagem por Portugal. A gente tocou em um final da tarde lindo em um festival de lá e depois fomos para a Ilha da Madeira. Nós ficamos uns dias hospedados na região porque íamos tocar em um evento chiquérrimo em um hotel. Depois do show no festival, eu fiquei super inspirado. Eu estava tão inspirado que, antes do apresentação no hotel, sugeri para a banda: "Vamos tocar um monte de música que a gente gosta?". E a gente começou a tirar músicas novas. A gente tocou São Salvador, do Dorival Caymmi, Meia Lua Inteira, do Caetano. Tocamos uns axés antigos e estava tudo lindo: o clima, aquela batida. E eu fiquei com saudade desse tipo de música que há tempos eu não ouvia a galera fazer. Então decidi: "Vou fazer uma música assim: leve". Eu estava bem inspirado por aquela coisa que te falei sobre Trio Ternura e ritmos brasileiros. Daí achei a batida de A Cor é Rosa. O meu irmão fez a letra no avião durante uma viagem em que estávamos juntos. A letra é inspirada na lenda dos orixás. É como se Iansã estivesse cantando para Iemanjá. Quem é mais religioso talvez entenda. Mas a gente só não quis deixar tudo explícito para que ela não virasse uma música religiosa.

Anitta faz uma participação na faixa Fica Tudo Bem. Como ela foi parar no disco?

Eu já estava com o disco fechado. Estamos numa época em que as participações são muito importantes. Tinha muita gente me falando: "O disco podia ter uma participação especial, pelo menos uma". Daí eu falei: "Tá bom, quero participações e vou ser bem ousado". Fiz então uma listinha e a Anitta aparecia em primeiro lugar. Coloquei também Gil e Caetano, mas questões de agenda impediram a participação deles. E a Anitta super topou. Então mandei pra ela a música. A gente não se conhecia, não tínhamos nem amigos em comum. Pensei: "Vou mandar. Se ela gostar, vai ser ótimo. Se não gostar, tranquilo. Eu gravo sem ninguém" [risos]. Mandei a música que eu imaginava que ia ficar boa no tom de voz dela. Ela gostou da música e na sequência já me mandou uma mensagem dizendo: "Adorei, quero fazer clipe. Me dá seu telefone", daquele jeito dela parecendo um furacão.

E eu adorei porque a Anitta é a maior brasileira do momento. O disco se chama Brasileiro e ter ela no disco pra mim é muito representativo. É uma honra. Acredito que a presença dela tira do disco essa coisa de "MPB chique". Ou, detesto esse termo, da "boa música". Eu trago a Anitta que a imprensa faz questão de chamar de funkeira Anitta, não como uma forma de louvar o funk, mas sim de depreciar de alguma forma a pessoa. E eu acho uma pena porque o funk é incrível. Eu fui pra Tóquio em 2014 em um evento da RedBull de música e o que os gringos falavam sobre a atual música brasileira era apenas o funk, mais nada. Eu estou muito feliz de ter Anitta no disco comigo. Ela acaba me apresentando para um monte de gente que não faz ideia de que eu existo. Então estou muito feliz.

Ouça o disco Brasileiro no player abaixo: