POLÍTICA
14/07/2018 09:20 -03 | Atualizado 14/07/2018 09:20 -03

PR não deve apoiar Bolsonaro se presidenciável escolher vice de outro partido

Expectativa é que senador Magno Malta (PR-ES), preferido para compor a chapa, decida nos próximos dias se entra na corrida presidencial ou tenta reeleição.

Fora do PR, Bolsonaro tem considerado Janaína Paschoal (PSL), uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, ou o general da reserva Augusto Heleno (PRP) como vice.
Adriano Machado / Reuters
Fora do PR, Bolsonaro tem considerado Janaína Paschoal (PSL), uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, ou o general da reserva Augusto Heleno (PRP) como vice.

Sexta maior bancada da Câmara dos Deputados, com 40 integrantes, o PR não deve apoiar o pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), caso ele escolha por um vice de outro partido. A parceria é considerada crucial no xadrez eleitoral porque ampliaria o tempo de propaganda de rádio e televisão do deputado e a capilaridade nos estados, fatores que podem ser determinantes no resultado das urnas.

Após divergências entre uma aproximação com o centrão formado por DEM, PP, PRB e Solidariedade ou apoio ao PT, o PR tem caminhado por uma aliança com Bolsonaro. "É a tendência mais forte agora", afirmou ao HuffPost Brasil o líder do PR na Câmara, deputado José Rocha (PR-BA). Nos bastidores, parlamentares têm dito que a resistência de Valdemar Costa Neto, forte liderança da sigla, ao deputado tem diminuído.

Nome preferido no partido para ser vice de Bolsonaro, o senador Magno Malta (PR-ES) deve decidir nos próximos dias se irá compor a chapa presidencial ou se tenta reeleição. Em 2010, ele registrou a 2ª maior votação para o Senado pelo Espírito Santo, com 1.285.177 votos.

Nos últimos meses, a consolidação do "casamento" dos dois, como os aliados chamam, teve idas e vindas. Na filiação de Bolsonaro ao PSL, Magno Malta esteve ao lado do deputado, mas negou que seria vice. Nas articulações, o nome continuou como o mais forte. Na última quarta-feira (11), o senador afirmou ao Diário do Nordeste que optaria por tentar a reeleição, mas depois voltou atrás e disse que ainda estava considerando a corrida ao Palácio do Planalto.

"Vai ser uma reunião atrás da outra nos próximos dias", afirmou ao HuffPost Brasil o deputado Capitão Augusto (PR-SP), principal articulador da aliança entre as duas legendas. Ele acredita que Malta aceitará o cargo de vice. De acordo com ele, o prazo final é na próxima semana porque as convenções estaduais do PR começam na próxima sexta-feira, 20 de julho, e a decisão nacional influencia nos acordos regionais. A convenção nacional, contudo, será apenas em 4 de agosto. Já a do PSL está prevista para 22 de julho.

Capitão Augusto afirma que o partido não está especulando nomes caso Magno Malta recuse a oferta, mas afirmou que há quadros possíveis. "Ele ser vice não é condição sine qua non para fechar [a aliança]. Se não for, temos excelentes nomes. Militar, civil, homem, mulher. Temos pessoas Ficha Limpa, honestas e com ideologia de centro-direita", afirmou.

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Defensora da flexibilização do uso de armas, Magda Mofatto (PR-GO) é uma das apoiadoras presentes nas reuniões suprapartidárias de parlamentares apoiadores de Bolsonaro.

Uma vice mulher pra Bolsonaro

Dentro do partido, o nome da deputada Magda Mofatto (PR-GO) é um dos citados como plano B, mas lideranças da sigla negam ter tratado o assunto com ela. Defensora da flexibilização do uso de armas, a parlamentar é uma das apoiadoras presentes nas reuniões suprapartidárias de parlamentares apoiadores de Bolsonaro.

Uma vice mulher seria uma tentativa de melhorar o desempenho com o eleitorado feminino. De acordo com pesquisa Datafolha publicada em 11 de junho, o pré-candidato tem 11% de intenções de voto entre as mulheres, no cenário com Lula na disputa. O índice é de 23% entre homens.

De acordo com Capitão Augusto, indicar o número 2 na chapa é condição para a coligação. "O PR tem que entrar com o vice. É improvável um apoio se não for assim", afirmou. Fora da sigla, Bolsonaro tem considerado Janaína Paschoal (PSL), uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, ou o general da reserva Augusto Heleno (PRP).

O PR tem que entrar com o vice. É improvável um apoio se não for assim.Deputado Capitão Augusto

Se a aliança com o PR se consolidar, Bolsonaro ganha tempo na propaganda de rádio e televisão. Ele somaria os 2 minutos do PSL com 8 minutos e 58 segundos do partido de Valdemar. Já o PRP daria apenas mais 32 segundos. Por outro lado, o PR acredita que a popularidade do presidenciável pode ajudar a ampliar a bancada na Câmara.