POLÍTICA
13/07/2018 17:07 -03 | Atualizado 13/07/2018 17:15 -03

Partidos que estudam apoiar Ciro ocupam 4 ministérios no governo Temer

“Eu, sinceramente, espero que os partidos que apoiarem Ciro Gomes deixem o governo”, afirmou o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo).

Ciro é crítico da política de teto de gastos públicos e já afirmou que o presidente Michel Temer deveria ser preso.
Montagem/Getty Images
Ciro é crítico da política de teto de gastos públicos e já afirmou que o presidente Michel Temer deveria ser preso.

Partidos que analisam apoiar a campanha de Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República, PP e PRB ocupam 4 ministérios no governo de Michel Temer (MDB), que tem Henrique Meirelles como pré-candidato. De olho na articulação, o Planalto ameaça tirar cargos da Esplanada dos Ministérios de quem apoiar o pedetista.

O PP está à frente da Agricultura, comandada pelo senador licenciado Blairo Maggi, das Cidades, com o deputado licenciado Alexandre Baldy e da Saúde, onde o ministro é Gilberto Occhi, ex-presidente da Caixa Econômica. O PRB, por sua vez, comanda o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), com Marcos Jorge de Lima.

Nesta sexta-feira (13), o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo), criticou a movimentação. "Eu, sinceramente, espero que os partidos que apoiarem Ciro Gomes deixem o governo", afirmou em café da manhã com jornalistas.

O ministro não exige apoio a Meirelles, mas chamou de "hipocrisia" e "oportunismo" a aproximação do pedetista com partidos de centro-direita. O bloco formado por PP, PRB, Solidariedade e liderado pelo DEM decide nos próximos dias se apoia Ciro. Outro opção é se unir a Geraldo Alckmin (PSDB). Apesar de não terem titulares de ministérios, o Solidariedade e o DEM ocupam cargos comissionados.

Juntas, as 4 legendas somam 27 minutos e 51 segundos. O MDB, sozinho na corrida eleitoral por enquanto, tem 10 minutos e 52 segundos.

Marun destaca as críticas do ex-governador do Ceará a medidas do governo Temer. "Ciro ofende. Pelo menos não queremos candidatos que surjam no palanque para dizer que reforma trabalhista foi um crime e todos fiquem com cara de paisagem. Ou então vai ser a 'Escolinha do Professor Ciro' e ele vai dizer 'vocês fizeram isso errado'", afirmou.

O pré-candidato do PDT propõe uma revisão das alterações na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) após 6 meses de mandato, se for eleito. Ele também critica o teto de gastos públicos e já afirmou que Temer deveria ser preso. "Peguei um tempo em que estava em pleno comando da Câmara o Michel Temer e o Eduardo Cunha, batendo bola um com o outro para roubar a nação. Fui processado por ambos. Um já está na cadeia e o outro vai", afirmou em sabatina promovida pelo jornal Correio Braziliense, em 6 de junho.

De acordo com O Estado de São Paulo, Temer tem enviado recados ao PP de que não irá tolerar apoio a Ciro. Nesta sexta, Marun admitiu que conversou com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), sobre o assunto, mas negou qualquer enquadramento. Terceira bancada na Câmara, o PP conta com 49 deputados. Os orçamentos das 3 pastas que comanda somam R$ 153,5 bilhões.

Nesta quarta, Ciro classificou a pressão do Planalto como crime eleitoral. "Isso é problema do Tribunal Superior Eleitoral, porque na medida que o presidente da República fala em cargo versus voto e apoio eleitoral e partidário, parece que é um crime eleitoral praticado à luz do dia. O que sendo o Temer não me surpreende em nada", afirmou em coletiva de imprensa em evento do PDT em Fortaleza (CE).

Outros ministros do governo Temer são filiados a partidos que não apoiarão Meirelles. É o caso do de Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), presidente do PDT, ao lado de Alckmin. O tucano Aloysio Nunes também segue à frente do Itamaraty, apesar de o partido ter rompido com o governo Temer. O PR estuda apoiar Jair Bolsonaro (PSL), mas mantém o controle do Ministério dos Transportes. Já Ronaldo Fonseca (Secretaria-Geral) é filiado ao Podemos, que tem como pré-candidato Alvaro Dias.

Lideranças do DEM, PRB e Solidariedade minimizaram a fala de Marun. O presidente do DEM, ACM Neto, disse que não aceitará enquadramentos. "Nós não vamos nos submeter à pressão de ninguém. A decisão do partido será tomada com independência e observando os interesses partidários", afirmou ao Estadão.

Presidente do PRB, Marcos Pereira reconheceu dificuldades da legenda apoiar Ciro, mas minimizou a declaração de Marun. "É a opinião do ministro Marum. Cada um tem as suas opiniões e deve responder por elas. É de conhecimento de todos que o PRB tem grande dificuldades de caminhar com Ciro. E isso não é por causa da declaração do ministro", afirmou ao Globo.

O presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, por sua vez, admitiu que o partido pode entregar os cargos se decidir apoiar Ciro.