COMPORTAMENTO
13/07/2018 15:03 -03 | Atualizado 13/07/2018 15:05 -03

Como começar (e sustentar) um papo casual com outra pessoa

Dica: Não é preciso sofrer.

Anchiy via Getty Images

Puxar papo com desconhecidos é difícil até para as pessoas mais extrovertidas. Hoje em dia passamos tanto tempo grudados no celular que perdemos a prática de conversar na vida real.

"Nossa dependência da tecnologia nos insula e isola", diz o consultor de recursos humanos S. Chris Edmonds. "Não conversamos com seres humanos com tanta frequência como há dez anos. Acho que estamos enferrujados! Não sabemos por onde começar e não queremos soar idiotas."

Mas não é preciso sofrer. Você é perfeitamente capaz de bater um papo casual, mas interessante, com pessoas que acabou de conhecer – até mesmo com aquelas que são seu completo oposto. Abaixo, Edmonds e outros especialistas em bate-papo dão conselhos para melhorar suas habilidades conversacionais e para mostrar aos outros seu lado mais inteligente e interessante.

Lembre-se de que a conversa vai acabar muito antes do que você imagina.

Quer saber uma coisa boa do papo casual? Sua própria natureza determina que ele dura pouco tempo. Em vez de considerar a conversa como uma sentença de prisão, relaxe e tente curtir a experiência de encontrar algo em comum com outro humano.

"Estamos falando de um tempo curto. Você não vai ficar preso com aquela pessoa o evento ou o jantar inteiro", diz Edmonds. "Você vai papear por cinco minutos – dez se der tudo muito certo. Não se preocupe."

Se a outra pessoa for mais falante que você, aproveite.

Quando pensamos em pessoas diametralmente opostas em situações sociais, imaginamos introvertidos e extrovertidos. Sim, elas são diferentes, mas não há motivos para que dois tipos de personalidade não possam bater um bom papo, diz Melissa Wadsworth, autora de How to Make Small Talk: Conversation Starters, Exercises, and Scenarios (Como puxar papo: ideias, exercícios e cenários, em tradução livre).

"Extrovertidos têm o dom de falar, e os introvertidos, de ouvir", diz Wadsworth ao HuffPost. "Esses completos opostos na realidade são muito complementares. Você com certeza não vai ver um interrompendo o outro."

Faça perguntas. Muitas perguntas.

Um estudo recente sugere que uma das chaves do papo casual é fazer muitas perguntas, então seja inquisitivo. Você não só vai fazer a outra pessoa se sentir interessante; também é um bom truque para tirar o foco de você.

"Pergunte quem os inspira, o que eles gostam de fazer, quando eles sabiam que eram bons em alguma atividade, por que gostam de certas coisas e como lidam com certos desafios", diz Wadsworth.

"Mas você não precisa ser um repórter", diz Wadsworth. "Responda com suas opiniões para que aconteça uma conexão genuína."

Aposente o "como vão as coisas?"

É claro que você pode recorrer às perguntas que os seres humanos fazem uns aos outros desde o começo dos tempos: "Como vai?" ou "Você vem sempre aqui?" Melhor começar com algo que leve a um papo interessante. Essas conversas casuais podem fazer muita diferença, diz Debra Fine , autora de The Fine Art of Small Talk (A bela arte do bate papo).

"Em vez de 'Como vai?', pergunte 'O que aconteceu de novo na sua vida desde que nos encontramos?'", sugere Fine. "Em vez de perguntar 'Como está sua família?', diga 'Me conte as novidades da sua família'."

Pare de se achar entediante.

Se você ficar ensimesmado, vai acabar com a conversa antes mesmo que ela tenha chance de começar para valer. Você pode achar que não é a pessoa mais cativante do mundo ou que tem um emprego dos mais interessantes, mas você com certeza tem uma perspectiva única – e talvez até mesmo opiniões matadoras sobre algo que está sobre as notícias recentes ou a cultura pop.

"Algumas histórias e perspectivas são só suas", diz Wadsworth. "Papos casuais têm má fama porque são superficiais. Algumas das melhores conversas acontecem quando uma pessoa tem a coragem de dizer algo importante ou realmente interessante. Os melhores papos casuais exigem coragem e ajudam a ganhar confiança, uma intenção sincera e uma palavra genuína de cada vez."

Em resumo, permita-se ter suas próprias perspectivas e ocupe os espaços. Assim, seu interlocutor também vai se inspirar a ir um pouco mais fundo.

Use as mãos para manter a conversa fluindo.

Você não precisa gesticular como louco, mas um pouco de animação ajuda bastante. A expressão facial e a linguagem corporal deveriam demonstrar que você está realmente ouvindo o que o outro diz.

Essas deixas não-verbais também ajudam a evitar aquelas pausas constrangedoras. Um estudo recente realizado na Holanda mostrou que quem gesticula recebe respostas cerca de 200 milissegundos mais rápido que quem não o faz (um milissegundo é um milésimo de segundo).

OK, a diferença não é tão grande assim. Mas pense da seguinte maneira: se você bota a mão na cara e balança a cabeça quando seu colega conta do último desastre no Tinder, está dando permissão para que eles riam e continuem a conversa.

Evite a todo custo as respostas de uma única palavra.

Não seja aquela pessoa que responde tudo com "sim" ou "não". Se te perguntarem algo, faça um esforço.

"A chave é participar ativamente", diz Fine. "Se perguntarem 'Como foram suas férias', responda algo que renda conversa. Por exemplo: 'Foram ótimas, fiquei empolgado andando de bicicleta e quero continuar'."

O importante é dizer algo que mantenha a conversa viva. Mas não precisa dar muitos detalhes entediantes sobre sua rotina de passeios de bike.

"Não exagere, porque talvez a outra pessoa não esteja interessada no assunto."

Seja otimista: pode ser o começo de uma nova amizade, de uma relação de trabalho ou até mesmo de um romance.

Com sorte, provamos que o papo casual não é a pior coisa do mundo. Ele pode até te colocar em contato com uma pessoa que renda papos nada casuais no futuro.

"A ideia é abrir possibilidades", diz Wadsworth. "Encare a conversa pensando em novas amizades, boas risadas, histórias interessantes, oportunidades de emprego, encontros românticos e assim por diante. É o primeiro passo para relações significativas no futuro."

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.