POLÍTICA
10/07/2018 19:15 -03 | Atualizado 10/07/2018 19:25 -03

PSC mantém candidatura de Paulo Rabello de Castro à Presidência e cogita Afif como vice

"Vice está em aberto e estamos à disposição”, afirma Pastor Everaldo sobre encontro de Rabello com Afif, do PSD, nesta terça-feira (10).

Pré-candidato do PSC à Presidência, Paulo Rabello de Castro não alcança 1% das intenções de voto, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada em 11 de junho. Guilherme Afif (PSD) está no mesmo patamar.
Montagem/Reprodução/Youtube/Getty Images
Pré-candidato do PSC à Presidência, Paulo Rabello de Castro não alcança 1% das intenções de voto, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada em 11 de junho. Guilherme Afif (PSD) está no mesmo patamar.

À margem das articulações do centrão, o PSC decidiu manter a candidatura de Paulo Rabello de Castro à Presidência da República e procura um vice para anunciar até 5 de agosto, data do fim das convenções partidárias. O partido cogita o nome de Guilherme Afif, ex-presidente do Sebrae, filiado ao PSD. Ele e Rabello almoçaram nesta terça-feira (10), em São Paulo.

Antes do encontro, o presidente do PSC, Pastor Everaldo, orientou o pré-candidato a conversar sobre a uma possível união. "O cargo de vice está em aberto e estamos à disposição", afirmou ao HuffPost Brasil. Questionado sobre a viabilidade da aliança, Everaldo respondeu "tudo é possível".

O presidente da sigla negou que haja negociações avançadas com outros partidos e afirmou que ainda não há um perfil para compor a chapa, apenas que seja Ficha Limpa. Ele defendeu ainda o diálogo para encontrar um nome. "Conversa e caldo de galinha não faz mal a ninguém", afirmou.

De acordo com Everaldo, não há a menor possibilidade de apoiar o PSDB ou candidato de qualquer outro partido no 1º turno. "O candidato do PSC é o Paulo Rabello de Castro. É o mais bem preparado", afirmou. Ele será oficializado na convenção da legenda, em 20 de julho.

YASUYOSHI CHIBA via Getty Images
Presidenciável do PSC em 2014, Pastor Everaldo, presidente do partido, defende candidatura dePaulo Rabello de Castro para estas eleições.

Ex-presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Rabello não alcança 1% das intenções de voto, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada em 11 de junho. Afif está no mesmo patamar.

Apoiadores da campanha apostam em um crescimento após a candidatura ser oficializada, o que pode levar Rabello a ter maior visibilidade. "Aí vão ter de tratar todo mundo igual", afirmou Everaldo. Rabello não foi chamado para a sabatina promovida pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) na última quarta-feira (4), mas participou de entrevista de presidenciáveis ao Correio Braziliense, em 6 de junho.

Pró-mercado e conservador

Pró-mercado, Rabello já prometeu apresentar uma medida desburocratizante por dia e defendeu prisão perpétua para homicídio doloso premeditado. Em encontro do PSC na Bahia no fim de semana, apresentou um plano de 20 metas para um possível mandato de presidente. O documento propõe, entre outras medidas, recuperar 10 milhões de empregos, revisar a Constituição Federal de 1988, unificar impostos federais, reformar a Previdência e o sistema político.

Quanto a temas ligados à moral, o pré-candidato do PSC é conservador. Em entrevista à Istoé, defendeu manter a atual legislação sobre drogas e sobre aborto, que permite a interrupção da gravidez apenas em caso de estupro, risco de vida da mãe a anencefalia do feto. "O que a gente defende, como partido, é a família tradicional. Porque é o caminho do centro. Na questão das drogas, só quem ainda não teve um problema de um drogado em sua família é que quer flexibilizar esse tema", afirmou.

O posicionamento é parecido com o de Afif. Em entrevista à Folha de S. Paulo, ele defendeu manter a legislação sobre aborto e criticou o casamento homoafetivo. "O mundo gay hoje consegue se manifestar com total liberdade e eu sou totalmente favorável. Mas quando se fala em casamento, o termo está errado. É um contrato, porque casamento é macho e fêmea, não tem jeito", afirmou. Ele também defendeu reduzir, de 16 para 14 anos, a idade para trabalhar.

Centrão fragmentado

Além de Rabello e Afif, a reunião nesta terça contou ainda com o pré-candidato do PRB ao Palácio do Planalto, Flavio Rocha. A intenção do ex-presidente do Sebrae era defender as candidaturas próprias dos 3, em vez de coligações. Afif tenta se viabilizar como candidato do PSD, mas a expectativa é que o partido apoie Geraldo Alckmin (PSDB).

EVARISTO SA via Getty Images
Flavio Rocha, pré-candidato do PRB ao Palácio do Planalto, participou de reunião com o concorrente do PSC, Paulo Rabello de Castro, e com Guilherme Afif (PSD).

A movimentação do PSC e do PRB é parte das divergências eleitorais no centrão. Enquanto PP, Solidariedade e DEM tendem a apoiar Ciro Gomes (PDT), o PRB resiste às propostas progressistas do pedetista.

Na reunião do PSC no fim de semana, Rabello fez críticas diretas ao centrão. "O blocão é o blocão do medo. As pessoas se reúnem para trocar medo. Medo do [Jair] Bolsonaro [PSL] ganhar a eleição, medo do [ex-presidente] Lula [PT] voltar e ganhar, medo do eleitor indeciso não ir votar nas eleições", afirmou. Outros partidos de centro-direita, como PSDB, PV e PPS também têm atuado em busca de uma unificação a fim de evitar a vitória de extremos nas urnas.