POLÍTICA
10/07/2018 08:50 -03 | Atualizado 10/07/2018 08:50 -03

Ciro Gomes aposta em apoio do PSB para conquistar aliança com DEM e centrão

"Quem quiser estar ao nosso lado já vai estar sabendo quais são os nossos pontos de vista”, afirma o líder do PDT na Câmara, André Figueiredo.

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Se por um lado a campanha de Ciro Gomes se esforça pelo apoio do PSB e acredita na possibilidade de o PCdoB abrir mão da candidatura da Manuela D’Ávila, por outro lado o presidenciável que se considera progressista também batalha pelo apoio de partidos de centro-direita.

A poucos dias do início das convenções partidárias, quando os partidos anunciam os candidatos e alianças eleitorais, o presidenciável do PDT, Ciro Gomes, acredita que uma declaração de apoio do PSB pode facilitar o caminho para atrair novos aliados. A aposta é que o DEM e o bloco formado pelo PP, PRB, PSC e Solidariedade se unam à campanha do pedetista.

"Conversamos com o PSB. Temos expectativa de que eles possam compor conosco. Temos conversado com os partidos de centro e a ideia é de que logo após o anúncio do PSB eles pudessem também anunciar esse apoio. Mas é algo que ainda não é conclusivo", afirmou ao HuffPost o líder do PDT na Câmara, deputado André Figueiredo (CE).

Apesar das conversas intensificadas, ainda não há prazo para a decisão do PSB, que pode ocorrer antes da convenção do PDT, em 20 de julho, ou até 5 de agosto, data da convenção dos socialistas. O DEM também deve deixar a decisão para a reta final. O partido deve conversar nesta quarta-feira (11) a respeito.

Desde que o ex-ministro Joaquim Barbosa abriu mão da candidatura ao Palácio do Planalto, o PSB está dividido entre o apoio a Ciro, ao PT ou à opção pela neutralidade. Nos últimos dias, o apoio ao ex-ministro vem ganhando terreno.

Um dos estados determinantes no xadrez eleitoral é Pernambuco, onde o governador socialista Paulo Câmara disputa o comando do Executivo com Marília Arraes, pré-candidata do PT. Se ela saísse da disputa, aumentariam as chances de um apoio nacional do PSB aos petistas. No último dia 29, o PSB de Pernambuco divulgou nota defendendo que a sigla apoie a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, têm conversado com PSB, mas há poucas chances de aliança com os petistas.

O PT insiste que Lula será registrado como candidato, apesar da possibilidade de ele ser considerado inelegível pela Lei da Ficha Limpa. Condenado em 2ª instância por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula está preso desde 7 de abril.

Há poucas chances, contudo, de uma aliança do PT com o PSB vingar, apesar dos esforços petistas. A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, ainda irá fazer um esforço final para conversar com Câmara nos próximos dias. Ela já se encontrou com o governador, que também recebeu o ex-prefeito Fernando Haddad, considerado nos bastidores como plano B do PT.

Na quinta-feira (5), Lula mandou um recado de apoio à pré-candidata petista ao Palácio do Campo das Princesas."Ele disse que se estivesse no PT de Pernambuco, estaria em campanha pela Marilia Arraes", afirmou o ex-presidente do partido, Rui Falcão, após visita ao ex-presidente em Curitiba (PR).

Ciro, por outro lado, também tem demonstrado distanciamento do PT. Após decisões contrárias sobre a soltura de Lula no domingo, o pedetista criticou a atuação dos magistrados, mas não afirmou se era contra ou a favor da liberdade do petista.

Alianças da esquerda à direita

Se por um lado a campanha de Ciro se esforça pelo apoio do PSB e acredita na possibilidade de o PCdoB abrir mão da candidatura da Manuela D'Ávila, por outro lado o presidenciável que se considera progressista também batalha pelo apoio de partidos de centro-direita.

No caso do DEM, a legenda foi uma das mais atuantes pelo impeachment de Dilma Rousseff e em favor das reformas do governo de Michel Temer, ambas pautas opostas às do PDT. Solidariedade, PRB e PP também se alinharam à gestão emedebista.

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Ciro Gomes pode ganhar apoio do DEM, um das legendas mais atuantes pelo impeachment de Dilma Rousseff e em favor das reformas do governo de Michel Temer, ambas pautas opostas às do PDT.

Ciro não poupa críticas a Temer, defendeu o fim do teto de gastos e uma revisão das alterações na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), após 6 meses de mandato, caso eleito. "Precisamos substituir essa selvageria por uma verdadeira reforma trabalhista", afirmou na sabatina da CNI na última quarta-feira (4), quando foi vaiado pelo empresariado. Apesar de defender mudanças, o presidenciável não detalhou a proposta.

O discurso entre pedetistas é de que os aliados da esquerda são uma união programática, enquanto o apoio da centro-direita seria um movimento de olho na governabilidade. Isso porque Ciro precisaria de apoio do outro campo para aprovar propostas no Congresso Nacional, caso seja eleito. A visão pragmática é defendida pelo presidente do PDT, Carlos Lupi, articulador junto ao Palácio do Planalto na época dos governos petistas.

Figueiredo minimiza as críticas e diz que não haverá alteração no programa de Ciro para contemplar posições da centro-direita. "Quem quiser estar ao nosso lado vai estar já sabendo quais são os nossos pontos de vista", afirmou. Ele citou ainda que o presidente recém-eleito do México, López Obrador, é do campo progressista, mas teve apoio de partidos de centro.

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"Precisamos substituir essa selvageria por uma verdadeira reforma trabalhista", afirmou Ciro Gomes na sabatina da CNI na última quarta-feira (4), quando foi vaiado pelo empresariado.

Tempo de televisão

A construção de alianças tem 3 impactos principais: o aumento do tempo de propaganda de rádio e televisão, ganhos dos recursos do Fundo Eleitoral e apoios regionais com a capilaridade dos partidos. Os 121 minutos e 22 segundos diários para os partidos serão divididos entre inserções ao longo do dia e blocos de 25 minutos.

A divisão do tempo depende do tamanho da bancada eleita para a Câmara dos Deputados em 2014. Atualmente o PDT garante 4 minutos e 33 segundos a Ciro. O PSB daria outros 5 minutos e 49 segundos. Já o apoio do DEM acrescentaria mais 9 minutos e 36 segundos. O PRB, hoje com Flavio Rocha como pré-candidato tem outros 4 minutos e 33 segundos e o Solidariedade que lançou Aldo Rebelo como presidenciável garante 2 minutos e 40 segundos.

Entre os democratas, partido líder do bloco, a bancada da Câmara tende à aproximação com Geraldo Alckmin (PSDB), pela proximidade histórica entre as duas legendas. Nomes fortes do DEM, como o presidente da sigla, ACM Neto, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por sua vez, têm inclinação por se juntar a Ciro, diante do mau desempenho do tucano nas pesquisas de intenção de voto. Há ainda divergências regionais que defendem apoio a Jair Bolsonaro (PSL) e Álvaro Dias (Podemos).

De acordo com a última pesquisa Datafolha, publicada em 11 de junho, Ciro empata com Alckmin nos cenários em que há petistas na disputa, embora leve vantagem numérica sobre o tucano quando os adversários petistas são Fernando Haddad e Jaques Wagner. Enquanto as intenções de voto do ex-governador do Ceará variam entre 6% e 10%, as do ex-governador de São Paulo oscilam entre 6% e 7%.