10/07/2018 00:00 -03 | Atualizado 12/07/2018 10:04 -03

Elisa de Leon: Quando o amor pelos animais é premissa do próprio trabalho

A profissional transformou a ligação especial com animais em dom para tratá-los: "Desde que me conheço por gente, tenho uma ligação muito forte com os animais."

Caroline Bicocchi/Especial para o HuffPost Brasil
Elisa de Leon é a 125ª entrevistada do projeto "Todo Dia Delas", que celebra 365 Mulheres no HuffPost Brasil.

Logo que aprendeu a andar, Elisa de Leon perseguia cachorros na rua. Se abraçava neles, rolava pelo chão, deixava que a mordessem. Simplesmente não tinha medo. Durante a infância em Pelotas, no interior do Rio Grande do Sul, conviveu com quase todo tipo de bicho - o pai, Moacir, resgatava patos, porco-espinhos e até cobras encontrados fora de seu hábitat e levava para casa antes de devolvê-los à natureza. "Quando vinha me dar boa noite, minha mãe me destapava para tirar as galinhas que eu tinha colocado embaixo das cobertas", conta ela. "Tínhamos conta no consultório veterinário da cidade, porque eu pegava os bichos da rua, levava lá e dizia: minha mãe vem pagar depois".

Desde que me conheço por gente, tenho uma ligação muito forte com os animais. Vejo no olhar o que eles estão sentindo.

Caroline Bicocchi/Especial para o HuffPost Brasil
Elisa é terapeuta integrativa de animais, especialista em tratamentos com florais, reiki e radiestesia.

Adulta, Elisa transformou essa relação especial com os bichos em profissão. É terapeuta integrativa de animais, especialista em tratamentos com florais, reiki e radiestesia. Tudo começou com um curso de banho e tosa. "Eu estava sem trabalho, vi o anúncio no jornal e, quando vi, meu pai já tinha preenchido o cheque".

Em sua primeira loja, há 14 anos, Elisa lavava, tosava, atendia telefone. Logo, a mãe dela, Elaine, também colocou a mão na massa como esteticista. Aos poucos, o negócio cresceu, incorporou outros produtos e serviços e, hoje, a Pet Stop, em Porto Alegre, tem até centro cirúrgico. É lá que Elisa mantém seu consultório, decorado com pirâmides, bandeirinhas budistas, pedras e outros símbolos.

Não sou contra nem a favor da humanização, mas esta é a nossa realidade, e precisamos tratar disso.

Caroline Bicocchi/Especial para o HuffPost Brasil
Os resultados, afirma ela, são excelentes para tratar o estresse de cães que ficam muito tempo sozinhos em casa e passeiam pouco.

A terapia integrativa é indicada para problemas de comportamento, como hiperatividade, estresse, ansiedade. "Os animais estão cada vez mais humanizados, e portanto têm problemas de humanos. Não sou contra nem a favor da humanização, mas os animais estão dentro de casa, esta é a nossa realidade, e precisamos tratar disso", comenta. A terapia, acrescenta ela, também é indicada para casos de lesões, em que o bicho precisa ficar em repouso para se recuperar. Os florais, diz, os ajudam a ficar mais tranquilos, sem a letargia causada por alguns químicos. Mas Elisa ressalta: o tratamento integrativo não substitui o tradicional. Serve como complemento, e deve ser acompanhado por um médico veterinário.

A terapia integrativa não é uma alternativa ao tratamento tradicional; é um complemento.

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A terapia integrativa é indicada para problemas de comportamento, como hiperatividade, estresse, ansiedade dos bichinhos.

Os florais são receitados e manipulados por ela de acordo com o comportamento, assim como para humanos - com a diferença de que não contêm álcool. Em paralelo, a profissional aplica a radiestesia, para medir as energias do organismo ("cada órgão do corpo vibra de maneira diferente"), e o reiki para estabilizar os chacras - os pontos do corpo que estabilizam os órgãos internos.

Os resultados, afirma ela, são excelentes para tratar o estresse de cães que ficam muito tempo sozinhos em casa e passeiam pouco. São animais que normalmente latem muito, são hiperativos e se mutilam - lambem as patas ou se coçam compulsivamente ou mordem o próprio rabo, por exemplo.

Usando pedras e as mãos, ela ativa ou desbloqueia a energia dos chacras e ganha a confiança dos bichinhos. "Na primeira vez, eles sempre chegam muito desconfiados, então deixo que fiquem no colo do familiar. Tem um cachorrinho que faz reiki toda semana. Ele chega e já se deita direto sob as minhas mãos". Familiares, pais, mães: é assim que Elisa se refere aos donos dos bichos de estimação. Proprietário, ensina ela, é uma expressão que não se usa mais.

A separação gera ansiedade nos pais e nos cães. Eles precisam socializar, conviver com outros animais.

Caroline Bicocchi/Especial para o HuffPost Brasil
Usando pedras e as mãos, ela ativa ou desbloqueia a energia dos chacras e ganha a confiança dos bichinhos.

Ansiedade de separação, aquele medo e tristeza enormes cada vez que o dono sai de casa, é um dos problemas mais comuns. "E não é porque eu faço floral e radiestesia que não tenho esses problemas!", conta a dona de quatro cachorros e quatro gatos: Crisinho e Fira, um casal de pugs; Marinete e Pandora, sem raça definida, que foram adotadas, assim como os quatro felinos, Estrela, Vrika, Ifigênia e Tom. A bicharada divide a casa - e a cama, e o sofá - com Elisa, o marido e o filho de 16 anos. E todos fazem suas sessões de reiki e radiestesia.

A dieta dos companheiros de Elisa em casa também é diferenciada. Ela abandonou as rações tradicionais e hoje só compra "comida de verdade": refeições preparadas com carne, legumes, cereais e temperos, que vêm congeladas. Quanto à sua dieta, Elisa deixou de comer carne há cerca de três anos. "Sempre tive dificuldade de comer carne, mas a pessoa que não come carne no interior do Rio Grande do Sul é um ET. Eu era a diferente na família".

Como é que vou fazer carinho, dar comida na boca da vaquinha, e depois comer um bife?

Caroline Bicocchi/Especial para o HuffPost Brasil
Elisa hoje realiza o sonho de cursar medicina veterinária.

Insetos, aranhas e baratas ela também não mata de jeito nenhum: pega um pedaço de papel e vai empurrando o bicho para a rua. Lembra dos tempos no interior, em que o pai não matava nem aranha armadeira. "Meu pai colaborou muito nesse meu amor pelos animais".

Cinco anos atrás, aos 40, Elisa realizou um sonho de criança, de cursar medicina veterinária. Mas vai levando a faculdade aos poucos, pois a prioridade é a loja. Não tem pressa de se formar, afinal, já trabalha naquilo que mais ama, combinando o atendimento aos animais com o empreendedorismo. Em paralelo, ajuda um sítio que abriga cães abandonados. E preocupa-se em ensinar que não basta tirar animais da rua. Ao resgatar um cachorro ou gato, se assume a obrigação de dar comida, saúde e abrigo. Afinal, a posse responsável de animais domésticos no Brasil é lei.

Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto: Isabel Marchezan

Imagem: Caroline Bicocchi

Edição: Andréa Martinelli

Figurino: C&A

Realização: RYOT Studio Brasil e CUBOCC

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