POLÍTICA
07/07/2018 18:54 -03 | Atualizado 07/07/2018 18:54 -03

PSDB vê chance de voto útil e unificação em torno de Alckmin às vésperas do 1º turno

Ainda sem apoio do DEM e do centrão, tucanos insistem em candidatura do ex-governador e esperam união com Álvaro Dias e Marina Silva.

MIGUEL SCHINCARIOL via Getty Images
Pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, tem no máximo 7% das intenções de voto, segundo última pesquisa Datafolha.

Apesar de o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, ter no máximo 7% das intenções de voto, segundo última pesquisa Datafolha, e ainda não ter conquistado o apoio DEM e do centrão, o partido insiste em manter o nome do ex-governador na disputa. A 3 meses das eleições, tucanos trabalham por uma unificação da centro-direita, mas avaliam que a união pode vir às vésperas do 1º turno.

Um dos nomes à frente do movimento Polo Democrático, que prega uma união eleitoral dos partidos de centro, o deputado e secretário-geral do PSDB Marcus Pestana (MG) avalia que a convergência pode acontecer antes ou depois das convenções partidárias, que vão de 20 de julho a 5 de agosto. É nessas reuniões que as legendas oficializam se terão candidato próprio, apoiarão outro presidenciável ou ficarão neutras na disputa.

"A unidade pode se dar durante o 1º turno. Quando estiver a 20, 15 dias da eleição, você ter uma convergência, o chamado voto útil. Já com a campanha na rua, se você perceber que o resultado vai ser votos dos extremos, ter a renúncia de um ou outro candidato em favor de outro", afirmou Pestana ao HuffPost Brasil. O objetivo do movimento é evitar um 2º turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT).

Apoiadores de Alckmin têm apostado que ele irá subir nas pesquisas quando começar a propaganda eleitoral em rádio e televisão. A estimativa é que ele tenha 25% do tempo, com apoio do PSD, PTB, PPS e PV. "Em junho de 2016, o [João] Doria e o [Alexandre] Kalil estavam com 6% e viraram prefeitos de São Paulo e de Belo Horizonte. O quadro é extremamente instável. Eleições não está na agenda, no cardápio, da população agora. Nem o quadro de candidaturas está definido", afirmou Pestana.

Há ainda uma aposta de enfraquecimento de Bolsonaro quando começarem os debates na televisão e de Ciro devido a seu temperamento.

Nacho Doce / Reuters
Um dos nomes à frente do Polo Democrático, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conversou com os presidenciáveis Alvaro Dias (Podemos) e Marina Silva (Rede), mas ambos mantêm suas candidaturas.

Marina Silva e Alvaro Dias mantêm candidaturas

Pestana evitou, contudo, falar explicitamente quem deveria sair da disputa. Nas últimas semanas, outro nome à frente do Polo Democrático, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conversou com os presidenciáveis Alvaro Dias (Podemos) e Marina Silva (Rede), mas ambos mantêm suas candidaturas.

No próximo dia 14, haverá um ato do movimento no Rio de Janeiro, com integrantes do PPS, PSB, PSDB. As presenças do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) e do apresentador de televisão Luciano Huck são esperadas. O ex-presidenciável já demonstrou simpatia por Marina e por Alckmin, apesar de não ter declarado apoio formal. Huck tem dito que deseja contribuir para a renovação no Congresso e mantém proximidade com o Agora! e com o Renova Brasil.

Os dois movimentos de renovação política assinaram em fevereiro cartas compromisso com a Rede e com o PPS para viabilizar candidaturas de seus integrantes. Tanto o Agora! quanto o Renova Brasil são apontados informalmente como a base de Marina, uma vez que a Rede ainda não fechou alianças eleitorais. O partido negocia apoio do PHS e do PMN. A ex-ministra aparece em 2º lugar nas pesquisas em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está fora da disputa, com até 15% das intenções de voto.

Stringer . / Reuters
Apresentador de televisão Luciano Huck já demonstrou simpatia por Marina e por Alckmin, apesar de não ter declarado apoio formal. Ele é esperando em evento do Polo Democrático no Rio.

DEM e centrão entre Alckmin e Ciro

Nas últimas semanas, Alckmin tem se esforçado em encontros com lideranças do DEM, PR, PP, PRB, PSC e Solidariedade, mas o chamado "blocão" liderado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem indicado que pode migrar para o outro lado e apoiar Ciro Gomes.

A viabilidade eleitoral do tucano tem sido questionada devido à estagnação nas pesquisas. Além disso, o PSDB não interessa a muitas das alianças regionais dessas siglas. O desgaste do PSDB após a Lava Jato também tem sido citado como justificativa. Uma pesquisa do DEM apresentada em jantar na última quarta-feira (4) de Alckmin com o blocão mostrou ainda que a rejeição do tucano aumentou.

Uma aliança com o DEM poderia resultar na indicação do ex-ministro Mendonça Filho para vice de Alckmin. O nome é especialmente defendido por ser do Nordeste, o que poderia atrair votos para o tucano. Outro nome cogitado foi o do ex-ministro Aldo Rebelo, pré-candidato à Presidência pelo Solidariedade.

Dentro do DEM, a indicação do ex-ministro é consenso caso a união com o PSDB seja consolidada."O mais difícil é a aliança, não o nome", afirmou ao HuffPost Brasil o deputado Efraim Filho (DEM-PB). As divergências no partido vão além de Alckmin e Ciro. Há lideranças regionais que defendem apoio a Bolsonaro e a Alvaro Dias. O bloco marcou novo encontro para a próxima quarta-feira (11). A intenção é anunciar até 20 de julho quem o grupo irá apoiar.