POLÍTICA
05/07/2018 09:09 -03 | Atualizado 05/07/2018 09:09 -03

PT quer rodízio de representantes incluindo Haddad para representar Lula em sabatinas

“Em todos debates têm de deixar claro de que o certo seria a presença do Lula, maior liderança desse país”, afirmou o deputado Patrus Ananias (PT-MG).

Haddad aparece com no máximo 3% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, enquanto o ex-presidente lidera com 30%.
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Haddad aparece com no máximo 3% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, enquanto o ex-presidente lidera com 30%.

De fora dos debates eleitorais, o PT estuda enviar representantes para sabatinas no lugar do pré-candidato ao Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma das propostas é que o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad participe das entrevistas, junto com um rodízio incluindo outros petistas em eventos temáticos.

"O que não nos faltam são pessoas qualificadas. Se o debate é sobre política internacional, o Celso Amorim. Se é sobre políticas sociais, eu mesmo me considero um nome pelo trabalho que fizemos", afirmou ao HuffPost Brasil o deputado Patrus Ananias (PT-MG), ministro do Desenvolvimento Social no governo Lula e do Desenvolvimento Agrário na gestão de Dilma Rousseff.

Haddad, Amorim e Patrus são alguns dos nomes citados como plano B do PT, caso a candidatura de Lula seja barradas pela Justiça Eleitoral. Condenado por corrupção e lavagem de dinheiro em 2ª instância, o ex-presidente pode ser considerado inelegível, pela Lei da Ficha Limpa. Oficialmente, o partido mantém o discurso de que ele será candidato e afirma que sua candidatura será registrada em 15 de agosto, prazo final. Lula está preso desde 7 de abril.

Entre os 3 nomes, a possibilidade do ex-prefeito substituir Lula é dada como certa nos bastidores. Haddad está à frente da coordenação do programa de governo da candidatura petista. Ele aparece com no máximo 3% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, enquanto o ex-presidente lidera com 30%. Também estão na cúpula da campanha o ex-ministro Ricardo Berzoini, o ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli e o economista Marcio Pochmann.

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Na avaliação de Patrus, o ex-prefeito deveria ser o principal representante. "Haddad hoje é um nome pela posição no programa [de governo], por sua atuação como ministro da Educação. Ele tem uma posição muito qualificada intelectualmente. Poderia representá-lo [Lula] na maioria dos casos", afirmou. O deputado ressalta, contudo, que o ideal seria a presença do ex-presidente.

Em todos debates têm de deixar claro de que o certo seria a presença do Lula, maior liderança desse país.Patrus Ananias

A ideia de enviar um representante tem sido debatida nas últimas semanas dentro da legenda. A intenção é fazer a defesa de Lula e marcar a presença do PT dentro do debate eleitoral. Em nota publicada nesta quarta-feira (4), a presidente da sigla, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou que "não há qualquer razão de ordem legal para excluir Lula de debates ou sabatinas".

O texto criticou a exclusão do ex-presidente da sabatina realizada nesta quarta pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com presidenciáveis. "O governo Lula promoveu o mais longo e estável período de crescimento econômico da história, ao longo do qual o PIB cresceu constantemente. Nenhum governo investiu tanto no financiamento e modernização da indústria, na competitividade e na abertura de mercados internacionais", diz o texto.

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Para a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, não há qualquer razão de ordem legal para excluir Lula de debates ou sabatinas.

De acordo com a nota, o PT tem sido convidado por outras organizações nacionais e contribuído para o debate por meio de cartas do Lula e do programa de governo.

Questionada pela reportagem, a CNI informou, em nota, que as regras do evento estabelecem que o "debate é presencial e somente com o pré-candidato, não sendo permitida a participação de representante do mesmo".

Derrotas de Lula na Justiça

A presença de Lula nas sabatinas têm enfrentando entraves judiciais. Em 11 de maio, o ministro Og Fernandes, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), negou em caráter liminar uma representação feita pelo PT contra o UOL, a Folha de S.Paulo e o SBT. O partido pediu que as 3 empresas fossem obrigadas a "a dar espaço a um representante da candidatura do ex-presidente Lula, (...) sob pena de declaração de ilegalidade de sua atividade e consequente cancelamento".

Na decisão, o magistrado sustentou que não há na lei eleitoral uma garantia de que, se um pré-candidato não puder participar da atividade promovida pelas empresas de comunicação, elas deveriam ser obrigadas a convidar um representante. O mérito da ação ainda não foi julgado. Além da sabatina dos 3 veículos e da CNI, o PT ficou fora da entrevista promovida pelo Correio Braziliense com presidenciáveis em junho.

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Condenado por corrupção e lavagem de dinheiro em 2ª instância, Lula está preso desde 7 de abril e pode ser considerado inelegível.

A defesa do ex-presidente já tentou também autorizações para que ele gravasse vídeos para a campanha, mas não obteve sucesso. Dentro da legenda, o sentimento é de descrença em decisões judiciais favoráveis. "Temos um Supremo Tribunal Federal hoje com contradições flagrantes, adotando procedimentos e mecanismos inquietantes com relação ao presidente Lula", afirmou Patrus em referência a decisões dos ministros nas últimas semanas.

Em 25 de junho, o ministro Edson Fachin decidiu submeter ao plenário da Corte um recurso da defesa do ex-presidente para que o pedido de liberdade do petista seja analisado pelo tribunal. Se o caso fosse julgado pela Segunda Turma, a expectativa era de maior chances de vitória para Lula. Já a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, não incluiu na pauta do plenário de agosto o pedido de liberdade.