ENTRETENIMENTO
26/06/2018 14:37 -03 | Atualizado 27/06/2018 10:43 -03

'Politizando Beyoncé': Este curso em SP era tudo o que você precisava e não sabia

Dupla de pesquisadores vai analisar questões de raça, gênero e sexualidade na obra de Beyoncé.

Getty Images

O que Beyoncé faz é entretenimento, arte ou ativismo?

Essa é uma das questões que serão discutidas no curso livre Beyoncé: Raça, Gênero e Sexualidade, que será ministrado pelos pesquisadores Alisson Prando e Rosane Borges, entre os dias 02 e 30 de julho, no espaço cultural Tapera Taperá, situado na Galeria Metrópole, no centro da capital paulista.

"Um dos objetivos deste curso é mostrar como os produtos da chamada cultura pop, ou da cultura pós-pop como Beyoncé é considerada, vem interferindo nos modos de vida e que isso tem uma dimensão fundamentalmente política", explica Rosane, jornalista e pós-doutora em Ciências da Comunicação pela USP.

Queen B, como é chamado pelos fãs, completa neste mês de junho 15 anos de carreira solo. Estrela internacional desde a adolescência, quando integrou Destiny's Child, a artista passou a abordar temas mais complexos (e de forma mais explícita) em seu trabalho em 2013, quando lançou o inovador álbum visual Beyoncé, que foi seguido pelo também elogiado Lemonade (2015).

Em abril passado, Queen B fez história ao tornar-se a primeira mulher negra headliner do Coachella. Além de comemorar tal marco, ela também festejou no palco do tradicional festival californiano referências ao Partido dos Panteras Negras e à cultura das universidades negras na América do Norte.

"Quando Beyoncé lança álbuns que desencadeiam discussões sobre feminismo, racismo e indústria cultural, isso significa que ela consciente ou inconsciente - e eu diria que ela faz muito mais consciente - procura ofertar ao público, em escala global, reflexões que são candentes no século 21", analisa Rosane. "E ela faz isso nas fronteiras da indústria cultural, da cultura pop e do capitalismo", completa.

Esse forte protagonismo de Beyoncé tanto na cena musical quanto no cenário de militância feminista e negra impulsionaram a oferta de cursos em renomadas instituições de ensino ao redor do mundo, como a Universidade de Copenhage, na Dinamarca, a Universidade Harvard e a Universidade Rutgers, ambas nos EUA.

Pode-se dizer que o curso Beyoncé: Raça, Gênero e Sexualidade é livremente inspirado nos programas apresentados no exterior. O curso é dividido em quatro encontros – que vão ocorrer às segundas e quartas, a partir das 19h -, no qual estão previstos também a exibição dos álbuns visuais da diva pop.

Rosane conta também que o "percurso por vários temas" que o curso propõe será feito também a partir da perspectiva de filósofas e ativistas feministas, como Angela Davis, Audre Lorde e Sueli Carneiro.

"A ideia é refletir sobre o que Beyoncé representa: para além de um ícone da cultura pop, uma mulher que com sua presença no mundo reedita questões que são fundamentais para a população negra, em especial às mulheres."

SERVIÇO:

Curso - Beyoncé: Gênero e Sexualidade

Dias 02, 16, 23, 30 de julho / Segundas e quartas, a partir das 19h30

Local: Tapera Taperá - Av. São Luis, 187, 2º andar, loja 29 - Galeria Metropole,

Investimento: R$130 (inscrições aqui)

Mais informações: cursos@taperatapera.com.br

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